O True-Luxury Global Consumer Insight revela que só em 2022 se prevê a recuperação dos valores pré-pandemia do mercado de luxo, muito impulsionado pelos consumidores americanos e chineses. Em 2025, os Millennials e a Geração Z representarão mais de 60% deste mercado.

Desenvolvido pela Boston Consulting Group (BCG) em conjunto com a Altagamma, o estudo True-Luxury Global Consumer Insight analisa a performance do mercado de luxo no último ano e as tendências que se perspetivam para o futuro, com base num inquérito realizado a 12 mil pessoas de 12 países, entre março e abril de 2021.

Ficou patente que a pandemia esteve na origem, a nível global, de uma queda de 22% no mercado de luxo pessoal e de 50% no mercado de luxo de experiências, em 2020.

Apesar da recuperação que, entretanto, começou a registar-se e das previsões de crescimento até ao final de 2021 – que apontam para um crescimento anual, face a 2020, entre 20% e 30% para o luxo pessoal e entre 60% e 70% para o luxo de experiências – o estudo antecipa que isso poderá não ser suficiente para voltar aos valores de 2019. Ou seja, a recuperação dos valores pré-pandemia, ou mesmo um crescimento moderado dos mesmos, só deverá ocorrer em 2022, muito impulsionado pelos consumidores americanos e chineses refere o relatório.

O True-Luxury Global Consumer Insight mostra também a existência de diferenças nas características mais valorizadas pelos consumidores numa marca de luxo, em função da proveniência geográfica do consumidor. Assim, enquanto os consumidores dos países ocidentais procuram sobriedade, elegância e exclusividade, os das regiões orientais procuram atributos como o glamour e a extravagância.

Outro dado revelante apresentado pelo estudo diz respeito ao impacto crescente que os Millennials e a Geração Z têm tido nesta indústria. De acordo com o True-Luxury Global Consumer Insigh estima-se que, até 2025, estas gerações venham a representar mais de 60% do mercado global de luxo pessoal com um valor de mercado previsto entre 235 e 265 mil milhões de euros. Destaque ainda para o facto de para estas duas gerações serem fundamentais os valores de sustentabilidade da marca. Aliás, 7 em cada 10 pessoas afirmaram ser um fator que influencia as suas decisões de compra.

Além disso, estes consumidores estão a fomentar o crescimento de novos modelos de negócio no mercado de luxo, como, por exemplo, o aluguer ou compra de bens em segunda mão.

Setor mais virtual
Entre as tendências que o estudo identificou, destaque ainda para a virtualização do luxo. Por exemplo, o crescimento da indústria dos videojogos proporciona novas oportunidades de gerar receitas para as marcas. Em 39% de inquiridos, um em cada dois afirma ter conhecimento de marcas de luxo que interagem com os clientes através de videojogos, e afirma já ter adquirido itens de luxo através desse canal. Por sua vez, o live streaming também está a abrir novas possibilidades para as marcas proporcionarem aos clientes experiências de compra interativas.

O facto das marcas proporcionarem cada vez mais aos clientes uma experiência omnicanal é outra das tendências identificadas. O estudo mostra que em 2020, 46% dos consumidores de luxo concluíram as suas compras em loja. Desses, 30% já tinham feito uma pesquisa prévia sobre os artigos na internet.

Comentários