“Aquele que não deseja o poder está apto a segurá-lo.” – Platão. Nunca fez tanto sentido esta frase quanto, a emergência de novos paradigmas na liderança das organizações.

É muito fácil a liderança ficar “presa” nas armadilhas do “poder sobre os outros” e ter dificuldades em evoluir para o paradigma do “poder com os outros”. Evitar ou desviar-se desta armadilha é sinal de grande humildade, maturidade, desenvolvimento e conexão com um propósito por algo maior. A humildade e a maturidade têm de estar sempre ao serviço da evolução de todos. Este é, e deve ser, o papel das organizações. O lucro, os resultados, o crescimento, virá naturalmente por acréscimo.

Liderar pelo coração é servir. Liderar pelo coração é retribuir. Servir e retribuir é o caminho para lideranças construtivas, inovadoras, saudáveis, sustentáveis e de sucesso. Mas é preciso coragem aos líderes. A liderança pelo coração é vulgarmente julgada como “mole” ou “fraca”. Pois considero que é exatamente o oposto. Lideranças “fracas” estão associadas a dificuldades inerentes aos seus líderes, como ser arrogante, prepotente ou manipulador.

Nas últimas décadas a liderança estava muito associada ao “comando e controlo”. Por isso, a mudança de paradigma na liderança atual suscita precisamente estes tremendos julgamentos.

É preciso coragem para liderar pelo coração. Como escreveu famoso filósofo da antiguidade, Aristóteles – “You will never do anything in this world without courage. It is the greatest quality of the mind next to honor.”

É preciso conexão para liderar pelo coração. A investigadora Brené Brown, no seu livro “Gifts of Imperfection”, escreve o que considero a melhor definição de conexão “as the energy that exists between people when they feel seen, heard, and valued; when they can give and receive without judgement; and when they derive sustenance and strength from the relationship”.

A energia que existe entre as pessoas quando se sentem vistas, ouvidas e valorizadas. Nada mais honroso e dignificante que um líder que promove e alimenta esta energia em toda a organização.

É preciso gratidão para liderar pelo coração. Everybody can be great, because everybody can serve. […] You only need a heart full of grace.” – Martin Luther King. O líder que é grato pelas suas conquistas, pelas pessoas e equipas que o ajudam no dia a dia a levar o propósito e missão da empresa em frente, é sinónimo de liderança nobre e com significado. Em retribuição, o líder manifesta a sua capacidade e vontade de servir, cada dia, ajudando cada um dos seus colaboradores e equipas a tornarem-se numa melhor versão de si próprio(s).

Deve questionar-se cada dia, o que hoje fiz pela minha empresa e pelos meus colaboradores? Como escreveu Albert Einstein, “It is high time the ideal of success should be replaced with the ideal of service.”

Em suma, liderar pelo coração é coragem, conexão e gratidão. A nobreza de servir e retribuir, seja em ambiente corporativo ou na vida em geral, são o caminho para culturas sustentáveis, inabaláveis e onde nos sentimos enraizados e conectados. Os resultados? Esses chegarão naturalmente

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Sónia Jerónimo é Entrepreneur & Board Advisor. Passou pela Winning, como COO e Board Advisory, e tem mais de 20 de experiência na área da gestão e liderança de empresas ligadas às tecnologias de informação. Após a licenciatura em Economia,... Ler Mais