A empresa, criada por uma espanhola a viver em Portugal há sete anos, procura parceiros na área da desinfestação química, com vista a reduzir os riscos de proliferação e disseminação da legionella que há 3 anos vitimou mais de 10 pessoas no concelho de Vila Franca de Xira.

Em novembro de 2014, as freguesias de Vialonga, Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa foram afetadas pela legionella – a chamada doença do legionário: morreram 12 pessoas e 375 ficaram infetadas. Cerca de três anos depois ainda decorre um inquérito no Departamento de Investigação e Ação Penal da Comarca de Lisboa Norte-Vila Franca de Xira.

Para reduzir ao mínimo os riscos de proliferação e disseminação da legionella, a Legiosol disponibiliza soluções para a prevenção da doença em instalações de risco. Tudo começa com a identificação e caraterização dos sistemas de risco presentes nas instalações. Depois é realizada uma avaliação de risco de crescimento e disseminação da legionella, nomeadamente pessoas potencialmente envolvidas em casos de surtos e estabelecimento de pontos críticos da instalação.

A partir desta fase, a Legiosol elabora e implementa um plano de manutenção preventivo específico para a instalação. É também elaborado um plano de autocontrolo e poderá ser feita a seleção de uma empresa de tratamento de águas mais conveniente, de acordo com as normativas europeias.

A ideia de criar a Legiosol surgiu a Virgina Ortega antes do verão do ano passado. Na altura, a engenheira de produção numa fábrica química do Polo Químico de Sines tinha frequentado uma formação na área e pensou que poderia ajudar os titulares de instalações com risco de crescimento e disseminação de legionella a terem um sistema de gestão preventiva da bactéria.

A espanhola, que está há sete em Portugal, obteve certificação como formadora acreditada, tendo como objetivo ministrar formação aos técnicos de manutenção de instalações de risco de proliferação e disseminação da legionella em Espanha, segundo a Ordem SCO 317/2003 espanhola.

“Depois de muitas horas de formação e de saber quais são os constrangimentos existente em Portugal face à legionella, pensei que podia ajudar.  Portugal não tem lei própria de prevenção da legionella e algumas pessoas baseiam-se no RD 865/2003 espanhol ou na legislação inglesa, mas não com o rigor que esta doença necessita. Cá, apenas temos a Brochura de Boas práticas do IPQ do 2004 e o DL 118/2013, além da Lei de promoção da segurança e a saúde no trabalho, através da qual todo empregador deve proteger os seus colaboradores face aos riscos laborais. A legionella não deixa de ser um risco biológico laboral para os colaboradores, clientes e meio envolvente”, explicou ao Link To Leaders, na esperança que a normativa europeia seja transposta para o sistema jurídico português num futuro próximo.

Hotéis, espaços de turismos rural, lares, hospitais, escolas, polidesportivos, adegas, ginásios, instalações que tenham um sistema de água quente com chuveiros para os seus funcionários, centros comerciais, fábricas, câmaras municipais e juntas de freguesia são os clientes a quem a Legiosol quer chegar e aos quais a empresa fornecerá registos periódicos e personalizados, de acordo com o seu sistema de qualidade. Além disso, estas empresas também terão acesso a formação que passará pelos vários departamentos, desde a gerência até à operação / manutenção. E, em cada seis meses, é realizada uma avaliação do cumprimento do plano de prevenção do risco.

“A Legiosol compromete-se ainda a emitir certificados anuais às empresas que cumpram com os protocolos com rigor, de tal forma que possam mostrar aos seus clientes o seu compromisso com a prevenção desta bactéria. Estes certificados terão validade anual e serão renovados após uma auditoria”, afirma a responsável.

Neste momento, a Legiosol procura um parceiro para fazer desinfestações em instalações de risco (torres de arrefecimento, humidificadores industriais, sistemas de água quente / fria predial, fontes, jacuzzis, SPA, sistemas contraincêndios, sistemas de chuveiros e lava-olhos, sistemas de rega por aspersão, sistemas de ar condicionado e limpeza de depósitos e acumuladores), “porque temos a certeza de que vamos encontrar sistemas infestados”.

“Preocupa-me a falta de conhecimento e sensibilização de alguns proprietários de sistemas. Acham que não são os responsáveis máximos, face a uma morte por legionella. A legionella pode matar entre 15 – 30% dos afetados. No caso de um hotel, passa pelo fecho preventivo das instalações (como já aconteceu em novembro em Faro e em outro hotel em Chaves) e pela recolocação dos clientes em outros hotéis… o que leva a uma degradação importante da imagem do estabelecimento”, conta Virginia Ortega que espera constituir em breve uma sociedade com um parceiro especialista na qualidade das águas.

Até lá, a empresa prevê continuar a trabalhar na prevenção do risco da doença com alguns hotéis na área do Litoral Alentejano e concluir uma parceria com um serviço de desinfestação, que se irá juntar aos dois laboratórios de análise de legionella com os quais já trabalha.

Resumo:
Responsáveis: Virginia Ortega
Área:  Saúde
Produto:  Sistemas de gestão da prevenção da Legionella
Mercado:  Nacional
Necessidade: Procura de parceiros na área da desinfestação química
Contacto: ortega.virginia@gmail.com

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