Check my Presets é um marketplace de filtros de fotos através do qual os criadores podem ganhar dinheiro, vendendo-os a outros utilizadores. O seu fundador, Jacinto Fleta, explica como conseguiu multiplicar o seu volume de negócios por 10 em apenas três meses e por que decidiu não investir em publicidade.

Não é novidade que o Instagram “sustenta” muitos influenciadores, mas o que poucos sabem é que qualquer pessoa – conhecida ou não – pode ganhar dinheiro, graças a esta rede social.

Nem o Instagram nem as marcas vão começar a pagar aos utilizadores para que façam o upload de fotos, mas pode fazer com que outros paguem para utilizar os filtros criados. Essa foi a ideia que Jacinto Fleta teve para criar o Check my Presets, um site que permite ganhar dinheiro ao criar filtros (ou presets que são um conjunto de configurações de filtros e efeitos utilizados por digital influencers para melhorar as imagens), que outras pessoas compram para usar nas suas fotografias.

“Estamos a caminhar para um mundo onde milhões de pessoas vão ganhar a vida na Internet de forma independente. Sem chefes, mas também sem funcionários. Autossuficientes. Criadores independentes. Pessoas que vivem do que produzem na Internet. Chama-se `Economia da Paixão´”, explicou Fleta ao Business Insider.

O empreendedor, que trabalhava o marketing da sua própria empresa Flamingueo (um ecommerce de produtos da moda e decoração), aproveitou a quarentena para aprender a programar. “Estudei 4 a 5 horas todos os dias durante três meses e depois demorei um mês para desenvolver a primeira versão”, conta, referindo-se que começou a tentar vender o produto na loja online Flamingueo e que, depois de ter registado milhares de vendas em pouco tempo, percebeu a dimensão do mercado. A partir daí, decidiu dedicar todo o seu tempo ao Check my Presets e “delegar as suas tarefas ao Flamingueo”.

Fleta queria construir o Check my Presets com total transparência, partilhando o processo e os resultados através das suas redes sociais. Fleta afirma que “a princípio pensei que ninguém estaria interessado, mas fiquei surpreendido com a interação. Permitiu-me conhecer pessoas incríveis, receber feedback de engenheiros com mais capacidades do que eu e, de forma totalmente inesperada, conseguir ter vários clientes”.

Durante esses meses, a sua faturação disparou. No primeiro mês (julho), faturou 150 euros, em agosto 945 euros e em setembro 1560 euros. Em outubro, teve uma ligeira queda. “Estou longe do break even, já que é faturação em bruto e, por isso, o Check my Presets fica entre 20% e 30%. A ideia é crescer devagar, mas sem pausas”, revelou.

Segundo o jovem, o objetivo é que seja mais uma plataforma onde os criadores possam ganhar dinheiro e ser, no futuro, “o número 1” neste tipo de recurso gráfico.

Parte da estratégia é não investir em publicidade
“A decisão de não gastar dinheiro com publicidade foi tomada na minha empresa anterior. Na Flamingueo investimos muito em publicidade e um dia decidimos reduzir radicalmente o nosso orçamento”, diz Fleta.

O espanhol aponta como razões para não investir em publicidade o facto de que há “tendência a pensar que vender mais é fazer anúncios melhores e que, se vende menos, a culpa é das campanhas. Isso faz com que o produto fique em segundo plano, quando realmente deve responder às necessidades dos utilizadores”, que “crescer com o foco no produto é muito mais lento, porém mais sólido. Se vender mais, está a sair-se melhor” e que os “anúncios, especialmente os anúncios do Facebook e do Google eram uma pechincha há 5 anos, quando havia muitos utilizadores e poucas empresas a investir. Hoje, os preços são mais altos e torná-los lucrativos exige muita criatividade e tempo. Por ser uma start-up tão pequena, tenho que priorizar e decidir o que não fazer”.

O empreendedor revela ainda que “fazer anúncios em escala antes de saber se tem um produto adequado para o mercado é um desperdício de dinheiro. Você vai cobrar muito sem lucro e os utilizadores vão parar de comprar a si”.

No entanto, Fleta defende que “é muito provável que um equilíbrio entre produto e anúncios seja o melhor e depende muito do tipo de empresa e do seu tempo. Mas não é essa a empresa que quero construir”.

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