Os dados do novo relatório da Atomico revelam também que 46% das mulheres que trabalham no setor tecnológico europeu dizem ter sido alvo de discriminação.

A Atomico lançou recentemente o seu “State of European Tech Report”, o quarto relatório anual sobre o estado das start-ups da Europa. A análise revela, acima de tudo, um contínuo crescimento do cenário tech europeu e uma falha nas iniciativas para aumentar a diversidade de género nas empresas.

Segundo o relatório, o investimento total nas start-ups europeias atingiu os 20,25 mil milhões de euros (23M$). Este número representa cerca de 25% do capital que se espera que seja injetado nas start-ups dos Estados Unidos.

Apesar do número europeu estar longe de atingir os valores que são investidos no outro lado do Atlântico, revela um grande aumento quando comparado com os números praticados há cinco anos, altura em que só foram investidos cerca de 4,4 mil milhões de euros. Isto traduz-se num acréscimo na ordem dos 460% entre 2013 e 2018.

Para além deste aumento, 2018 trouxe outras boas notícias para as start-ups europeias. Em pouco mais de 11 meses, o continente viu 17 projetos ascenderem ao estatuto unicórnio, ou seja, start-ups com avaliações superiores ou iguais a mil milhões de dólares (880M€). Saliente-se, ainda, que três das dez maiores entradas em bolsa que contavam com investimento de capital de risco foram feitas por tecnológicas europeias – entre elas a do serviço de streaming Spotify na New York Stock Exchange, em abril. Houve também start-ups de dez países europeus a levantarem mais de mil milhões de dólares desde 2012, o que significa que apesar do Reino Unido continuar a ser o hub mais forte financeiramente, há outros países em crescimento, como a Alemanha, França, Suécia e Espanha.

O Brexit é atualmente o maior desafio que se impõe à Europa, segundo as respostas de cinco mil fundadores, investidores e outros profissionais ao relatório. O acesso ao talento é também uma das maiores prioridades das empresas europeias. Apesar da Europa ter algumas das melhores business schools e universidades focadas em tecnologia, os países dependem bastante das políticas de imigração, algo que pode ser dificultado pelo Brexit. A incerteza da saída do Reino Unido da União Europeia está a ter um impacto de tal ordem, que há empresas que mantêm em stand by os seus processos de investimento, deslocações de escritórios e de recrutamento.

Outra questão apontada pelo relatório, e várias vezes discutida, é a dificuldade das empresas europeias em escalar dentro do continente, visto que a legislação muda de país para país.

A acrescentar a isto existem ainda as falhas nas iniciativas para aumentar a diversidade de género dentro das empresas. Se há cinco anos, apenas 2% dos projetos tinham mulheres na base da fundação de empresas, em 2018 o número continua igual. Na verdade, a Atomico só descobriu uma mulher CTO (chief technology officer) entre as 175 empresas tecnológicas que, no último ano, levantaram rondas de series A ou B. As equipas só com homens fundadores receberam 93% do capital investido.

O relatório revela que este tipo de iniciativas não está a fazer o suficiente pela diversidade de género e, ainda, como que 46% das mulheres dizem ter sido alvo de discriminação no setor tecnológico.

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