A questão coloca-se sempre que um empreendedor lança uma start-up: procurar um investidor na fase inicial do projeto ou posteriormente. Saiba que, de acordo com a EBAN, os Business Angels preferem a fase seed.

Segundo a European Business Angels Network (EBAN), no ano passado os investimentos em start-ups europeias em fase seed somaram um total de 12,3 mil milhões de euros. Destes, 7,45 mil milhões foram investidos por BA, concluiu o mais recente relatório desta associação europeia de BA, o “Annual Statistics Compendium”.

Ou seja, no que respeita aos estágios de desenvolvimento mais atrativos para os investidores, o relatório releva que os BA investiram tipicamente na fase seed (62% de todos os investimentos feitos), com a “fase pré-seed” a tornar-se menos popular do que nos anos anteriores (36% em 2018 versus 63% em 2017). Por outro lado, ao que tudo indica, os Business Angels estão a investir com mais frequência em fases posteriores, com as fase pré-série A e série A a aumentarem de 30%, em 2017, para 40% em 2018.

Analisando a mesma repartição nos Estados Unidos, em 2018 constatou-se que 34% dos investimentos foram canalizados para as fases seed. Contudo, nos EUA as rondas em fases posteriores representaram uma proporção maior do que na Europa, com mais de 60% das rondas a realizarem-se em “early stage” e em fases de expansão.

Duração e localização dos investimentos
Os BA têm principalmente horizontes de investimento de longo prazo, daí o nome “patient capital” com períodos de retenção do investimento de cinco ou mais anos. Esta tendência destaca a ideia implícita de construção de parcerias de longo prazo no caso dos investimentos.

Tal como nos anos anteriores, o relatório da EBAN conclui que a vasta maioria dos investimentos de BA foram feitos no seu próprio país (59%). Ainda assim esta percentagem é menor que os 94% verificados em 2015, o que pode indiciar que os negócios além-fronteiras estão a ser cada vez mais frequentes. 16% dos investimentos permanecem na mesma região do investidor e apenas 9% atingem um nível europeu. A parcela dos investimentos realizados internacionalmente para além da Europa atinge 18%, incluindo os 5% feitos nos Estados Unidos.

Refira-se que em alguns países, os fundos de co-investimento dos BA ou os regimes de incentivos fiscais não permitem o investimento fora do país, uma situação que torna o investimento transfronteiriço menos acessível aos BA nesses mercados.

Apesar de tudo, o investimento transfronteiriço continua a ser invulgar para o típico BA europeu. Ao longo do ano passado, a EBAN e a Business Angels Europe (BAE) realizaram uma pesquisa com uma amostra de 90 BA ativos baseados em 11 países europeus (Reino Unido, França, Irlanda, Dinamarca, Finlândia, Itália, Espanha, Portugal, Suíça, Bélgica e Áustria). Os inquiridos foram solicitados a classificar o grau de dificuldade quando se trata de fazer investimentos fora dos países de origem. E as conclusões apontam para o facto de ainda não ser fácil para muitos se aventurarem neste processo devido às incertezas relacionadas com as questões regulamentares e fiscais. Uma parte significativa da amostra (21%) afirmou, inclusive, que nunca fez um investimento transfronteiriço.

Co-investimentos
Embora o co-investimento BA ainda seja a norma, entre 2014 e 2018, assistiu-se a um crescimento considerável dos fundos de capital de risco em early-stage, passando de 2,1 mil milhões de euros, em 2014, para 4,13 mil milhões, em 2018.

Do número de negócios verificados, ao nível da network, cerca de 52,3% de todos os negócios são co-investidos. Segundo o relatório EBAN esta tendência deverá continuar, uma vez que os BA parecem estar  a investir cada  cada vez menos com outros investidores não-empresariais e muito mais através de fundos em fase inicial e com outros BA.

Em termos de investimentos relativamente a VCs em estágios mais avançados, é algo ainda relativamente raro na Europa, com menos de 10% de rondas série A a serem feitas com VCs. Nota-se, contudo, mais atividade no que diz respeito ao co-investimento entre BA e investidores públicos

Por exemplo, o The European Angel Fund (EAF), um programa gerido pelo Fundo Europeu de Investimento (FEI), tem um volume de 320 milhões de euros, com mais de 200 milhões de euros já comprometidos com cerca de 80 Business Angels selecionados.

Graças a este programa, operado na Áustria, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Irlanda, Holanda e Espanha, mais de 340 start-ups foram co-investidas por BA juntamente com o FEI. Além disso, existem vários programas disponíveis nacionais em toda a União Europeia, através dos quais os investidores privados fazem acordos com investidores públicos numa base de parceria.

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