Os investidores institucionais europeus estão cada vez mais a enquadrar a sustentabilidade nas suas decisões de investimento. O estudo da Mercer aponta algumas tendências.

O “European Asset Allocation 2019”, estudo internacional divulgado recentemente pela Mercer, indicia que a sustentabilidade está a conquistar um lugar de destaque entre os investidores institucionais europeus.

Trata-se da 17.ª edição do estudo que este ano envolveu 876 clientes investidores institucionais, em 12 países, refletindo um total de ativos de cerca de 1 trilião de euros. O objetivo desta pesquisa é permitir uma análise o mais abrangente possível das estratégias de investimento do setor europeu de pensões, e identificar tendências emergentes no comportamento do investidor institucional.

Assim, o “European Asset Allocation 2019” concluiu que 55% dos fundos de pensões já consideram os riscos ambientais, de sustentabilidade e de governance (ESG) nas suas decisões de investimento, uma percentagem que em 2018 rondava os 40%. As pressões regulamentares foram apontadas por cerca de 56% dos inquiridos como sendo a principal razão para o aumento da tendência de incluir o ESG nas decisões de investimento.

Simultaneamente, os fundos de pensões destacaram ainda outros fatores para o crescimento desta tendência. Assim, a análise da Mercer revela que, agora, 29% dos fundos (contra os 25% do ano passado), têm em conta os riscos ESG como resultado dos benefícios percecionados no que se refere ao risco e ao retorno dos seus investimentos. Por outro lado, 29% refere que segue esta opção para mitigar potenciais danos de reputação. Estas percentagens permitem concluir que cada vez mais os programas reconhecem a ligação entre as métricas de risco ESG e a melhoria da performance corporativa.

Relativamente aos desafios colocados pelas alterações climáticas, apenas 14% dos inquiridos referiu considerar esta vertente nas suas decisões. Sobre esta matéria, a Mercer estima que, ao longo do próximo ano, mais fundos tenham em consideração os potenciais impactos das alterações climáticas.

“Os temas ESG estão cada vez mais na agenda dos nossos clientes. A regulação europeia levou a um maior compromisso deste tópico e prevemos que continue no futuro, nomeadamente em Portugal. Os fundos de pensões que ainda não consideraram incorporar estes princípios nas suas políticas de investimento, deverão considerar fazê-lo num futuro próximo”, explicou Rui Guerra, Partner da Mercer, a propósito das conclusões apuradas pelo “European Asset Allocation 2019”.

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