“Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis do Universo – o único caminho é a intuição” – frase atribuída a Albert Einstein (1879-1955).

Do latim intuitione, formado a partir da união de “in-” (em, dentro) e “tuere” (olhar para, guardar). No português, provavelmente uma inflexão do francês “intuition” (contemplação, conhecimento imediato, pressentimento que nos permite adivinhar o que é ou deve ser), originado do latim.

Intuição é uma forma de conhecimento que está em todos nós, embora nem todas as pessoas saibam utilizá-la, de acordo com a psicóloga Virgínia Marchini, fundadora do Centro de Desenvolvimento do Potencial Intuitivo, de São Paulo.

Mentes brilhantes, como Albert Einstein, que, além do grande cientista que foi, nos deixou um ainda maior legado na área da educação e é considerado por muitos o maior intuitivo da história, valorizava muito o poder da intuição. A sua vida e obra ilustram bem o pensamento de Virgínia Marchini que considera que a mente intuitiva abre-se a respostas inovadoras e não dogmáticas.

Na liderança empresarial, em especial em momentos cruciais e “de limite”, é fundamental ter esta capacidade para agir e decidir no imediato do microssegundo, quer seja numa troca de impressões interpessoal delicada, quer seja num momento-chave de negociação, quer seja na aposta de uma nova solução. A intuição apurada é fator decisivo e determinante na caraterização do líder de excelência. Sem ela, grandes competências técnicas ficam descontextualizadas e até desprovidas de qualquer impacto.

No entanto, confiar na intuição pode também ser olhado como um desafio, pois é vulgarmente considerada como um conhecimento de risco. É certo que personalidades mais seguras de si, com maior autoestima, tendem a acreditar mais no seu pensamento interior, sendo mais conhecedoras do seu “pensamento de si”. Mas podemos e devemos treinar esta inteligência, esta capacidade de adivinhar o que é ou deve ser e saber tirar dela o máximo de potencial possível.

Para tal, deveremos, antes de mais, tentar delimitar os seus contornos. Em termos genéricos, poderemos dizer que, na intuição, o raciocínio que se usa para chegar a uma conclusão é inconsciente, não tendo ainda a ciência conseguido apurar com certeza estabilizada as suas variáveis e o seu funcionamento. Precisamente, a intuição consiste na capacidade de conhecer algo sem de facto entender o seu funcionamento. É uma componente sensorial, baseada em memórias e em experiências que, inclusive, podem aparentemente nada ter a ver com o objeto analisado ou a decisão a tomar. Compreender através dos sentidos, incluindo memórias e experiências passadas, associações de ideias, comparações mais ou menos improváveis, e juntar tudo como um conhecimento único. Muitas vezes, não se consegue explicar racionalmente o resultado, a conclusão obtida, mas a resposta é automática e correta!

A intuição é uma das características “mais humanas” dos humanos!

Se o conhecimento obtido parece ter sido conseguido de forma “superficial”, através de memórias, sentidos, experiências e comparações, tanto esta interiorização quanto o processo de aglutinação que se segue, num processo simbiótico, pode e deve ser trabalhado, aumentado e, acima de tudo, pode ser apreendida a melhor forma de saber aplicar o conjunto, ou a parte.

Devemos aprender a conhecer melhor esta característica que todos temos. Saber mais de nós e saber melhor como fazer uso de todo o nosso potencial deve ser um desígnio de cada indivíduo, em prol do crescimento individual e do coletivo.

O líder deve saber reconhecer e ouvir a sua voz interior e conseguir entender como melhor aproveitar este conhecimento. Para tal, deve gerir o seu tempo por forma a, diariamente, dedicar um tempo em solidão para meditar sobre o seu dia e as suas realizações, para projetar como continuar e se superar. Tem de estar atento e observar-se a si e aos outros, saber ouvir e saber sentir as suas reações e as dos seus interlocutores, mais próximos ou mais distantes. Sentir os seus destinatários, para conseguir antever a estratégia a seguir. Não pode nunca deixar de acreditar em si e deve prosseguir os seus sonhos, afastando-se de tensões negativas. E, claro, dar tempo a si próprio para descanso das suas energias.

O líder de excelência sabe sentir os seus caminhos e depois utilizar ferramentas técnicas, suas ou de terceiros, para prosseguir.

Liderança é, maioritariamente, intuição capaz de fazer acontecer e capacidade de mover os outros em prol dos objetivos traçados, sempre conseguindo fazer acreditar os demais na imprescindibilidade feliz de seguir um caminho.

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Margarida Sá Costa iniciou o seu percurso profissional como advogada, com o sonho de defender causas e apoiar pessoas. Em 1988, aceitou o desafio de integrar uma das empresas percursoras da atual Altice Portugal motivada pelas novas tecnologias e inovação... Ler Mais