A economia portuguesa começa a apresentar taxas de crescimento positivas. Nestas circunstâncias e, apesar das elevadas incertezas na envolvente internacional e de uma taxa de investimento ainda pouco expressiva e muito aquém do desejado, há que estimular todo o potencial inovador e criador de valor dos agentes económicos.

Todos reconhecemos, de forma muito consensual, que o maior desafio que a economia portuguesa enfrenta, é crescer a um ritmo mais consistente e acelerado. Na realidade, e perante um quadro de evidentes e profundas transformações nos mercados e nos modelos de produção, importa que esta aceleração do crescimento seja suportada num tecido empresarial mais robusto, mais diversificado e mais competitivo, com melhor inserção nos mercados globais.

Sem prejuízo das pressões para uma valorização cada vez mais sistemática da inovação, há agora que considerar uma outra tendência que se apresenta forte e altamente perturbadora dos modelos de negócio tradicionais.

Um pouco por todo o lado, os maiores especialistas mundiais abordam a mudança que se está a operar nas fábricas de todo o mundo e as oportunidades e desafios que esta transformação representa. A este grande movimento de transformação, convencionou-se chamar “a quarta revolução industrial” – depois das três anteriores: a da mecanização, a da eletrificação e a da automatização. Tal como qualquer outra revolução, esta também se apresentará rápida, disruptiva e destrutiva. São já muito evidentes as importantes transformações digitais que se verificam, principalmente nas economias mais desenvolvidas. Estas transformações traduzem, sobretudo, as alterações associadas à inovação nos diversos domínios da tecnologia digital, repercutem-se em todos os aspetos da sociedade e da economia, e todos acreditamos que se trata de uma tendência abrangente e sem retorno, que se reforçará no futuro próximo.

Este é um processo que se caracteriza essencialmente pela introdução de um conjunto de tecnologias digitais nos processos de produção, na relação entre os vários intervenientes na cadeia de valor, na relação com o cliente e mesmo no modelo de negócio.

A velocidade com que estão a ocorrer os avanços tecnológicos atuais não tem precedentes históricos. Quando comparada com as revoluções industriais anteriores, esta “quarta revolução” evolui a um ritmo exponencial, afeta quase todas as indústrias de todos os países e impõe alterações com uma amplitude e profundidade tal, que irão transformar de forma radical os sistemas de produção, de gestão e de governança.

Da mesma forma, é possível reconhecer que as possibilidades proporcionadas pela circunstância de milhões de pessoas se encontrarem ligadas por dispositivos móveis, com um poder de processamento, uma capacidade de armazenamento e um acesso ao conhecimento sem precedentes são, na verdade, quase ilimitadas. E essas possibilidades serão ainda potenciadas por descobertas tecnológicas emergentes e, em clara afirmação, em áreas como a inteligência artificial, a robótica, a Internet das Coisas, os veículos autónomos, a impressão em 3-D, a nanotecnologia, a biotecnologia, a ciência de materiais, o armazenamento de energia e a computação quântica.

Trata-se de um contexto particularmente estimulante que Portugal está a acompanhar e, sobretudo, a organizar-se para que possa beneficiar de todo o potencial que esta transformação encerra. Trata-se de um ambiente novo que aposta na inovação colaborativa, em meios de produção conectados e flexíveis, em cadeias logísticas integradas e em canais digitais de distribuição e de serviço ao cliente.

Partimos de uma situação em que Portugal surge colocado acima da média europeia, ao nível da competitividade digital[1], mas onde se reconhece também a necessidade de melhorar as competências digitais básicas da sua população. Por outro lado, e segundo outras fontes[2], alerta-se para a necessidade de impulsionar a adoção das novas tecnologias e de ambicionar a uma maior liderança no processo de mudança.

Assim, para acelerar a mudança e criar melhores condições para o desenvolvimento da indústria e serviços na era digital, o Mistério da Economia apresentou recentemente as principais medidas do Programa Indústria 4.0. Este programa está suportado numa metodologia abrangente e amplamente participada, orientada para facilitar o diálogo entre as empresas, a academia, as instituições do sistema científico e tecnológico e outros atores potencialmente relevantes, incluindo o governo e as agências públicas, e visa atingir três objetivos centrais: i) acelerar a adoção das tecnologias e conceitos da Industria 4.0 no tecido empresarial português, ii) promover empresas tecnológicas portuguesas a nível internacional e iii) tornar Portugal num polo atrativo para o investimento no contexto da Indústria 4.0.

Identificando mais de 60 medidas, organizadas em seis eixos de atuação prioritária, refere-se aqui apenas o forte destaque conferido à Capacitação dos Recursos Humanos, agregando medidas orientadas para adequar os conteúdos formativos do sistema de ensino nacional às novas tecnologias e para promover medidas de requalificação e de formação profissionais.

Assumindo que importa assegurar condições de qualificação ao longo da vida ativa, o Programa vai, desde logo, envolver dezenas de milhares de pessoas em ações de formação em TIC, com vários níveis de detalhe e de conhecimento, e dinamizar uma reprogramação dos conteúdos das escolas profissionais.

Em paralelo com esta abordagem, importa ainda sublinhar as medidas orientadas para o estímulo e cativação das novas gerações para as TIC, para a digitalização e automação, sensibilizando-os para os atuais fatores-chave da economia global. Por outro lado, merecem também referência as medidas alinhadas para estimular a adaptação do ensino superior e politécnico, destinadas a reforçar o peso dos temas associados às TIC e à inovação nos conteúdos e nas atividades, para que seja possível preparar melhor os alunos para os atuais desafios do mercado de trabalho.

No IAPMEI, e em alinhamento com as prioridades da política pública empresarial, colocamos o foco em medidas e instrumentos que promovem a inovação, a criação de valor e que facilitam a adoção de estratégias empresariais de sucesso. Trabalhamos para contribuir para a rápida ampliação do já significativo conjunto de empresas globalmente competitivas e inovadoras.

Em particular, no domínio das qualificações e do reforço de competências dos principais atores do mundo empresarial, valorizamos o potencial da intervenção da Academia de PME, criada com o objetivo de promover a transferência de conhecimento e de facilitar o reforço de competências e de práticas de sucesso na gestão e liderança das PME.

Sabemos que há muito trabalho para fazer, pelo que continuamos muito disponíveis e empenhados!

[1] Digital Economy &Society Index 2016, Comissão Europeia
[2] Manufacturing Global Competitiveness Index 2016 – Deloitte

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