O consórcio Impact Growth, com apoio da Fundação Fiware, pretende ajudar as empresas nascidas na UE a valerem mil milhões de euros.

O empresário espanhol Sanyu Karani, fundador e CEO da empresa FundingBox, uma plataforma que ajuda as start-ups a conseguir fundos públicos, em associação com entidades colaborativas, criou o Impact Growth. Através desta iniciativa desafia 30 empreendedores tecnológicos, que tenham uma boa ideia e um bom plano de negócio, a crescer dentro do espaço europeu.

A iniciativa é financiada pela Comissão Europeia com seis milhões de euros e conta com o apoio da Fiware, organização fundada em 2011 para criar um código comum e aberto para proporcionar soluções inteligentes, aplicações que recolhem informação, a processam e analisam, e melhoram assim a eficiência em assuntos tão quotidianos como o transporte diário de uma cidade.

Para além da FoundingBox, ao projeto associaram-se a ISDI, uma instituição académica de negócio digital, e a Acceleris, uma aceleradora dinamarquesa. Estas organizações uniram-se para encontrar, formar, incubar e acelerar 30 start-ups europeias. Entre elas, quatro passarão a ser as estrelas do mundo empreendedor, avançou o El País.

Parte do apoio financeiro também virá das mãos de outros dos sócios de luxo. O primeiro é a Kibo Ventures, uma empresa de investimento liderada por Aquilino Peña que se comprometeu a apoiar as quatros melhores start-ups com um milhão e meio de euros de capital privado. O segundo sócio é proveniente dos países nórdicos, a Invesdor, uma inovadora fintech (empresa de finanças e tecnologia) com sede em Helsínquia que faz equity crowfunding, um mecanismo que permite a um grupo alargado de investidores financiar novas empresas, a troco de ações.

Apesar de um recente relatório apresentado pelo Fórum Económico Mundial, no Global Entrepreneurship Monitor, mostrar que a Europa ainda não é um continente nato de empreendedores, o Impact Growth pretende mostrar que há start-ups a surgirem cada vez mais no continente.

O relatório conclui ainda que na Europa destaca-se a figura do intraempreendedor, indivíduo que inova dentro de organizações consolidadas, com um papel que se sobrepõe ao do empreendedor.

Entre os países que encabeçam o movimento empreendedor, encontra-se a Estónia, seguida da Suécia e Letónia. Nesta classificação, os países europeus com pior qualificação empreendedora são a Alemanha, a França, a Espana e a Itália.

À procura de uma estrela

Embora a iniciativa Impact Growth seja apresentada oficialmente durante este mês em Barcelona, durante os dias do Mobile World Congress, o conglomerado já começou a procurar empresas dispostas a participar. Para começar, serão dotadas de um apoio financeiro de 125 mil euros, mais seis meses de trabalho para impulsionar o arranque da empresa, um processo conhecido como aceleração.

Sanyu Karani explica que as start-ups eleitas terão a opção de passar “uma semana em Roma, Madrid, Copenhaga ou Helsínquia”. “Não obrigaremos a start-up a deslocalizar-se, pois acreditamos que devem conservar o seu ADN e cultura”, acrescenta.

Karani fala da experiência já obtida com o primeiro programa Impact, um projeto que começou há um ano e meio e que também contou com o apoio da Comissão Europeia. Naquela edição, participaram 100 start-ups com projetos dedicados a apresentar soluções através do telemóvel. Uma das empresas destacadas foi a Glamping Hub, uma start-up de origem sevilhana com sucesso nos EUA, que desenvolveu uma aplicação móvel para escolher bons lugares para fazer camping de luxo.

Pelo seu lado, a escola de negócio digital ISDI, dirigida por Nacho de Pinedo, foi uma peça essencial para formar as empresas que se uniram ao Impact. De Pinedo explica que, com as aulas ministradas na sua instituição educacional, muitos dos estudantes ganharam valências para criar a sua própria empresa no mundo digital. Segundo De Pinedo, com isso e graças ao convite de Karani, “criamos una aceleradora dirigida por Sebas Müller, que conta com o apoio da Fiware, uma organização que implementa uma infraestrutura tecnológica cem por cento europeia”.

Müller, que conta com a experiência de criar as suas próprias empresas, é na atualidade fundador de The Epic School, um site de formação pela Internet. O responsável avança que, no primeiro programa Impact, “foram apresentados 3500 projetos, dos quais aceleramos 100, com a entrega de 100 a 150 mil euros a fundo perdido, graças ao apoio da Comissão Europeia”. Por isso, assegura que devido ao êxito daquela edição a Comissão voltou a confiar neles para continuar a colaboração com o Impact Growth.

Desta vez, o consórcio vai procurar start-ups que fornçam soluções para questões relacionadas com a Intelligent Manufacturing, sob o apoio de Made, associação de fabricação da Dinamarca, Cidades Inteligentes, com a Ferrovial, Smart Food Agrícola, com o apoio da Danone, e conteúdo inteligente, impulsionado pelo parceiro estratégico Mobile World Congress.

Um dos principais requisitos para as 30 start-ups que assinarão com o Impact Growth é que tenham presença na Europa e que utilizem tecnologia Fiware.

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