A start-up Headstart obteve um financiamento de na ordem dos 5,4 milhões de euros para desenvolver soluções baseadas em inteligência artificial para tornar o recrutamento mais imparcial.

A Headstart é uma plataforma baseada em inteligência artificial (IA) que pretende melhorar a diversidade no recrutamento e que obteve um financiamento liderado pelo FoundersX, um fundo de capital de risco especializado em IA.

Esta é uma das várias start-ups que estudam formas de ajudar os empregadores a encontrar soluções para o problema de diversidade e, simultaneamente, promover a conveniência de processos automatizados. A utilização de IA no recrutamento traz algumas armadilhas, pois os sistemas criam recomendações com base nos dados recolhidos em decisões anteriores e pode reproduzir preconceitos humanos. Por exemplo, no ano passado, a Amazon foi forçada a descartar uma ferramenta de recrutamento semelhante, depois de ter sido provada a parcialidade do sistema face a candidatas mulheres.

Porém, a Headstart afirma que a sua solução de recrutamento evita repetir os preconceitos humanos, sendo inclusivamente capaz de os evitar. A start-up desenvolveu o algoritmo que usa várias fontes informação como dados demográficos, classificações escolares, dados de códigos postais, entre outros, para determinar se um candidato vem de um ambiente socialmente desfavorecido e como se destacou em relação aos seus pares.

A start-up garante que o seu algoritmo é capaz de reduzir em 20% a parcialidade e o preconceito na contratação. Num trabalho recente, a empresa afirma ter aumentado a contratação de mulheres em 5% e 2,5% no grupo de negros, asiáticos e minorias étnicas. Entre os clientes da start-up estão grandes empresas como Accenture, Lazard e Smiths Group.

Os empregadores estão cada vez mais abertos à inteligência artificial para automatizar partes dos processos de recrutamento. Segundo uma pesquisa do Gartner Institute, 23% das empresas estão a usar ou a fazer testes piloto com IA no recrutamento, tornando-se cada vez mais comum a utilização desta tecnologia.

Não é só a Headstart que está a desenvolver soluções neste âmbito. Também a britânica Applied, um spin-off da divisão Behavioural Insights Team, assim como a francesa Clustree que desenvolve técnicas de inteligência artificial para aumentar a diversidade. No caso desta última, a solução baseia-se em processamento de linguagem natural para entender como as competências dos talentos se podem correlacionar com os cargos.

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