As projeções da consultora Boston Consulting Group (BCG) e da Microsoft apontam para que 25 a 30% do tempo de trabalho passe a ser feito remotamente.

Para avaliar o impacto da pandemia no modelo de trabalho tradicional, a Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a Microsoft inquiriu cerca de 1.500 gestores e 7.500 colaboradores, de 15 países europeus, dados que compilou no relatório “Remote Working and the Platform of the Future”.

Portugal também integrou a lista de países e uma das conclusões apuradas revela que o país estava abaixo da média europeia no que toca à adoção do trabalho remoto pré-pandemia de Covid-19. Apenas 12% do tempo trabalho era nesse modelo (contra uma média de 16%) e 79% dos trabalhadores não tiveram acesso a essa modalidade. Contudo, na fase de confinamento, as percentagens foram maiores que na média de tempo (66%), quer no número de trabalhadores (79%) com acesso a trabalho remoto.

De acordo com este estudo, o primeiro passo para uma plataforma de trabalho remoto robusto é a definição de como deve ser o trabalho remoto na empresa, uma tarefa critica uma vez que orientará a construção da plataforma.

Em segundo lugar, as empresas precisam de elaborar o modelo de trabalho remoto mais eficaz possível, visto que os gestores esperam que cerca de 47% dos colaboradores trabalhem parcialmente de casa nos próximos dois a três anos.

Em terceiro, também os estilos de liderança e a cultura organizacional precisam de adaptar-se à nova realidade. Ou seja, a liderança deve ser mais cuidada e atenta, baseada no desenvolvimento de uma gestão baseada na confiança, na produtividade e resultados.

Em quarto lugar, o relatório conclui que é necessário garantir que as práticas e rotinas empresariais estão adaptadas a esta nova realidade. As ferramentas de trabalho remoto devem combinar-se para criar um local de trabalho físico-digital único através do tempo e do espaço.

Ainda relativamente ao mercado nacional, Pedro Pereira, Managing Director & Partner da BCG Portugal e coautor do estudo, referiu que “os gestores esperam que o volume de trabalho remoto duplique, implicando que 25-30% do tempo trabalhado passe a ser remoto”. Acrescenta ainda que agora as empresas “preparam-se para lidar com um novo modelo de trabalho que será híbrido e que terá de coabitar com diferentes modelos, dependendo da função”. Em termos de benefícios o coautor do estudo refere que “mais de metade dos gestores esperam uma redução de custos devido à penetração de trabalho remoto no futuro, 43% esperam uma melhoria na proposta de valor que a empresa oferece ao colaborador e 42% esperam um aumento de produtividade.

Quanto aos riscos, “1 em 4 gestores refere que tem mais dificuldade em controlar e motivar produtividade à distância; cerca de 40% dos gestores acreditam que o trabalho dificulta o espírito de equipa e envolvimento e mais de metade dos trabalhadores acredita que manter a cultura organizacional é mais difícil no modelo remoto”.

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