Fogo Cruzado: a app que está a salvar vidas nas favelas do Rio de Janeiro

Uma aplicação mobile está a ajudar os residentes das favelas do Rio de Janeiro a manterem-se longe de tiroteios. A informação que suporta a app é conseguida através de crowdsourcing da comunidade carioca.

O Rio de Janeiro tem quase 10 vezes mais homicídios que Londres. Notícias de tiroteios, mortos e de grandes operações policiais são recorrentes na imprensa brasileira. Só este ano já morreram mais de 100 polícias naquela cidade brasileira.

Para manter as pessoas seguras e livres dos tiroteios foi criada a app Fogo Cruzado. Esta aplicação mobile envia mensagens entre 10 e 20 vezes por dia aos mais de 110 mil utilizadores que tentam manter-se longe das “zonas de guerra”.

Só na última semana, segundo os dados disponibilizados pelo mapa da Fogo Cruzado, houve mais de 50 tiroteios na zona metropolitana do Rio de Janeiro. A informação é conseguida através das partilhas dos utilizadores. O processo é simples: depois de preencherem um pequeno formulário sobre a situação é enviada uma notificação para todos os telemóveis que tenham a Fogo Cruzado instalada.

Numa altura em que se vive uma crise de segurança no país, tecnologias como a app Fogo Cruzado vieram trazer uma maneira das pessoas tentarem proteger-se da contínua guerra na cidade carioca.

Fogo Cruzado: a app que está a salvar vidas nas favelas do Rio de Janeiro

Incidentes registados na última semana no Rio de Janeiro.

Desde o seu lançamento, em julho do ano passado, já foram registados mais de 7500 tiroteios que se traduziram em mais de 1300 mortes. Neste último ano foram registados uma média de 17 incidentes por dia.

De forma a não serem partilhadas informações falsas, a aplicação corre um algoritmo que faz a triangulação da informação antes de tornar o incidente público. Neste campo, a privacidade é fundamental visto que os residentes das áreas mais “difíceis” costumam ser ameaçados para não informarem as autoridades sobre os acontecimentos dentro das favelas.

Antes do Fogo Cruzado era praticamente impossível haver uma noção da quantidade de incidentes que ocorriam dentro desta “cidade” onde vivem mais de seis milhões de pessoas. A aplicação quer, assim, trazer a debate público a segurança no Rio de Janeiro, permitindo que a população dos bairros mais afetados se manifeste de forma concreta e segura.

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Rosário Pinto Correia, Catolica Lisbon School of Business and Economics