A falta de financiamento continua a ser o diagnóstico da morte de uma grande percentagem das start-ups que encerram portas.

No universo das start-ups existe a máxima de que apenas um em cada 10 projetos sobrevivem à tenebrosa aventura no mar do empreendedorismo. As restantes ficam para contar a história de como falharam. Algumas aprendem e recomeçam a viagem com um “barco” novo.

Mas será todo este ciclo benéfico para uma economia que tem como motor principal as micro, pequenas e médias empresas? No caso do Reino Unido, onde não falta ambição, mas sim financiamento, menos de uma em cada 10 start-ups que recebem financiamento em fase seed resistem para receber investimentos em fases mais avançadas.

Este foi o caso da Chic by Choice, a start-up portuguesa de aluguer de vestidos que o Observador descreveu como um “negócio fantasma” na semana passada. Este projeto recebeu dois milhões de euros – entre 2014 e 2015 – liderados pelas investidoras Portugal Ventures e Faber Ventures quando ainda estava numa fase embrionária.

Apontada como tendo um prejuízo de um milhão de euros em 2016, a Chic by Choice ainda não tinha chegado a um ponto de equilíbrio económico, precisando, assim, de mais dinheiro para continuar em funcionamento. As investidoras não quiseram dar continuidade aos investimentos, o que culminou no fecho de uma das start-ups mais promissoras do ecossistema europeu.

Um estudo recente realizado ao universo de start-ups brasileiro pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços veio comprovar a mesma ideia: grande parte dos projetos morre por falta de investimento. Ouvidas mais de mil start-ups que fecharam portas, 40% diagnosticam a sua morte por dificuldade de acesso a capital. Os outros dois principais obstáculos apontados pelo relatório passam pela dificuldade de entrar no mercado (16%) e pelas divergências entre sócios (12%).

Apesar de serem dois ecossistemas diferentes – o português e o brasileiro -, as maiores dificuldades por que as start-ups passam parecem ser semelhantes. No universo brasileiro, o cofundador da start-up Mereo, Ivan Cruz Júnior, refere que “existem fundos no Brasil, mas chegar a eles não é fácil e, muitas vezes, querem algo mais concreto, com resultados, para investir. E, com isso, acabam sendo poucas as empresas que ganham o recurso”.

No caso português, Sérgio Ribeiro, fundador e CEO da Planetiers, apontou exatamente a mesma dificuldade numa entrevista ao Link to Leaders: “há muito dinheiro disponível, principalmente em critérios de sustentabilidade, ecologia, integração social, etc, no entanto, estão disponíveis numa fase ligeiramente à frente de onde nós estamos”.

As start-ups que se encontram em fases de desenvolvimento pouco atrativas para os grandes investimentos públicos ou privados são assim as que têm maior dificuldade de singrar no meio. Se tem um projeto que está em “terras de ninguém”, a melhor entidade para recolher investimentos poderão ser os business angels.

Tendo consciência de que grande parte dos projetos morre por falta de financiamento, os líderes do G20 discutiram no ano passado que o foco neste tipo de investidores é uma medida necessária para estabilizar a economia, revelando também que o número de business angels está longe de atingir os números desejados. Em 2016, os investidores anjo europeus tiveram uma representação de 67% no que toca aos investimentos feitos em start-ups que ainda se encontravam numa fase inicial.

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