Estónia: start-ups em que vale a pena estar de olho

A inovação europeia continua a dar cartas e são vários os ecossistemas, a par dos mercados tradicionais, que começam a dar nas vistas pelas start-ups que estão a “produzir”. A Estónia é um desses exemplos.

A Estónia tem sido denominada muitas vezes como a “sociedade digital mais avançada do mundo”. Cedo o país estabeleceu o e-governance, em 1997, permitindo que os cidadãos acedessem a muitos serviços públicos online, e, em 2000, declarou o acesso à Internet como um direito básico.

Em 2001, o país criou o cartão de identidade digital que permite aos cidadãos acederem a tudo online, desde os serviços de transporte até aos registos médicos. Quatro anos depois, a Estónia tornou-se no primeiro país do mundo a permitir que os cidadãos votassem online.

Este background de alta tecnologia, potenciado por uma sociedade com impostos baixos, tornou este país do Báltico no que muitos já apelidam de “Silicon Valley da Europa Setentrional”. Apesar de ser um país pequeno, de apenas 1,3 milhões de habitantes, o ecossistema de start-ups tecnológicas continua a crescer. No ano passado, levantaram cerca de 290 milhões de euros.
Esta é uma das razões porque o resto da Europa está a virar a sua atenção para este país, e para alguns projetos em particular. A Eu.Startup identificou alguns dos que considera mais promissores e a que o mercado deve ficar atento ao longo de 2019.  Apresentamos alguns exemplos de jovens start-ups de diferentes áreas de atividade.

eAgronom 
Fundada em 2016, esta start-up Agtech fornece aos agricultores um conjunto de ferramentas digitais e intuitivas para simplificar a gestão diária e sazonal dos espaços agrícolas. As plataformas web e móveis da start-up permitem que os agricultores possam gerir e supervisionar todas as propriedades, os colaboradores e os campos em tempo real. Como ferramenta de planeamento e gestão, a eAgronom ajuda-os a tomarem melhores decisões financeiras e a reduzirem os seus riscos através do planeamento adequado. A eAgronom já está presente em nove países e gere mais de 700 mil hectares de terra. Em 2018 levantou uma ronda de um milhão de euros.

MeetFrank 
Trata-se de uma aplicação de recrutamento, com base em Tallinn, com mais de 125 mil utilizadores ativos na Estónia, Finlândia, Suécia, Letónia, Lituânia e Alemanha. Este último país foi o mais recente mercado a render-se à app, onde já é usada por empresas como a Daimler, EON, Delivery Hero, Blinkist e MyTaxi. Atualmente, são mais de duas mil as empresas que usam o serviço do MeetFrank para recrutar colaboradores.

O processo é simples: os potenciais interessados inscrevem-se anonimamente através da aplicação MeetFrank e recebem notificações de possíveis trabalhos relevantes, com base nas suas qualificações e aspirações de carreira. A MeetFrank foi fundada em 2017 e no ano passado levantou um milhão de euros da Hummingbird VC, da Karma VC e da Change Ventures.

Modash
Esta jovem start-up, criada no ano passado, permite que os marketeers integrem uma rede de 100 milhões influenciadores de media social no Instagram, por exemplo, de forma a construírem campanhas de marketing eficazes em escala. A sua plataforma permite que as empresas acedam aos mais importantes dados de audiências em todo o mundo, e que identifiquem e comuniquem com os melhores influenciadores do seu target, atribuam tarefas e rastrem o ROI para campanhas de marketing. Entre os seus clientes, a Modash tem outras start-ups da Estónia, entre as quais a Lift99, Taxify e Veriff. Em dezembro de 2018 levantou 100 mil euros.

Nowescape
Instalada na capital Estónia desde que foi criada, em 2016, a Nowescape assemelha-se ao Booking.com, mas para “escape rooms” e outros jogos de realidade. Popularizados, nos últimos anos, nos Estados Unidos, Ásia e também na Europa, os “escape rooms” consistem em espaços para fazer jogos de aventura, com base em pistas e estratégia. A Nowescape criou uma plataforma para permitir que os jogadores encontrem a melhor “escape room”, em poucos minutos, ao invés de passarem horas nesse processo de procura. A plataforma disponibiliza vendas, reservas, opções de pagamento, newsletters e dá feedback dos clientes aos proprietários das ditas “escape room”, proporcionando-lhes, assim, uma forma mais fácil de reservar uma sala. Até agora, a Nowescape levantou 305 mil euros em rondas seed.

Veriff.me
Esta start-up fornece soluções inovadoras de verificação de identidade online para empresas. A Veriff desenvolveu uma maneira de verificar as identidades das pessoas através da análise de vídeos. Combina todas as tecnologias de identificação possíveis (incluindo reconhecimento facial, identificação social, identificação do dispositivo e reconhecimento ótico de caracteres) para concluir se uma pessoa é quem afirma ser. A start-up assegura que a sua solução pode ser implementada em minutos. Fundada em 2015, a Veriff levantou uma ronda de sete milhões de série A, em 2018.

appmediation
Com base em Tallin e escritório em Barcelona, esta smart app de monetização foi criada em 2017 por especialistas em marketing e publicidade, e foi projetada para ajudar os developers de aplicações. A plataforma appmediation oferece integração simples do SDK, monetização em vários formatos, otimização inteligente e é fácil de configurar para todos os tipos de apps. O objetivo é fornecer aos editores de apps um serviço de mediação de anúncios mais eficiente.

HealthCode AI
Apenas com um ano de atividade, esta start-up está a desenvolver uma plataforma de diagnóstico baseado em AI para médicos. A plataforma parte da escassez global de médicos – que muitas vezes trabalham mais de 50 horas por semana, que passam, em média, apenas oito minutos com os pacientes, e que estão cada vez mais a sofrer de Burnout.

O HealthCode AI liga os pacientes aos seus médicos, fornecendo dados através da plataforma de machine learning. A solução apresentada pela start-up, designada Leia, liberta tempo aos médicos ao fazer uma pré-avaliação, preparando uma visão geral da doença, e apresentando um diagnóstico provável. HealthCode AI emprega uma equipa de profissionais com larga experiência na área da saúde.

Withyou
Igualmente criada no ano passado, esta start-up reduz os constrangimentos associados a determinadas situações sociais e facilita a conexão entre as pessoas, seja em rede profissional ou em contexto pessoal. O Withyou emite tokens que permitem que os clientes se liguem com qualquer pessoa queconheceram na rua, durante um evento ou em qualquer outro momento. Se já conheceu alguém de interesse, e perdeu o contacto, o Withyou pode ajudá-lo através do envio de um token para a pessoa em questão e esperar pela sua reação. Se o interesse for mútuo, o contato será recíproco e permite-lhe desenvolver mais o relacionamento.

Tebo
Estamos perante uma edtech que permite que os professores organizem todos os seus materiais, carregando os seus arquivos e criando novos na plataforma. Também podem adicionar links e vídeos à sua coleção e o site fornece modelos para exercícios interativos como, por exemplo, a criação de questionários e atribuições ou planos de aula. Permite que os professores atribuam, automaticamente, trabalhos de casa ou testes aos alunos. A plataforma também pode avaliar o desempenho dos alunos em determinadas atribuições. Por outro lado, os alunos também são capazes de criar conteúdos no site, e a plataforma pode ser consultada, por professores e alunos, através de qualquer dispositivo digital.

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