A Arkive propõe-se comprar obras de arte selecionadas pelos seus membros e emprestá-las para exposição a museus pelo mundo fora. Até ao final de 2023 quer contar com 10 mil inscritos.

A Arkive está a redefinir o conceito de cultura. Recorrendo ao poder da Internet, esta start-up quer construir aquele que chama de primeiro museu físico descentralizado do mundo.

Com cerca de 200 inscritos e outros 800 em lista de espera, a Arkive aceita membros dos quatro cantos do globo, que são os responsáveis por decidir quais os artefactos históricos e obras artísticas que o museu irá adquirir. A meta é, no entanto, chegar aos 10 mil inscritos até o final de 2023, avança a Fast Company.

A start-up não quer só manter as obras, mas também exibi-las em diversos locais. A exibição física e pública das obras realiza-se através de empréstimos a outras instituições.

Para a sua primeira exposição, os atuais membros adquiriram o histórico registo de patente do ENIAC, um computador digital de meados do século XX. “Não teríamos nada disto, se não tivéssemos o primeiro computador”, explicou o cofundador da Arkive, Tom McLeod que liderou a extinta plataforma de armazenamento e aluguer de equipamentos Omni.

A segunda aquisição foi uma obra dos anos 80, intitulada “Seduction”. Criada pela artista Lynn Hershman Leeson, retrata uma mulher cuja cabeça foi substituída por um aparelho de televisão – uma analogia sobre a relação entre arte, género e tecnologia.

Estas duas obras estão programadas para fazer parte de uma nova exposição itinerante patrocinada pela Arkive. Depois serão emprestadas pela empresa e expostas em museus públicos apropriados.

“Não queremos as obras nas paredes privadas de ninguém”, explicou McLeod, referindo que “queremos tudo para fora e para todos”.

As futuras aquisições, que ocorrerão uma vez ao mês, terão temas diferentes – o atual, que servirá para as próximas seis compras, centra-se no seguinte: “Quando a tecnologia mudou tudo”.

Como funciona a Arkive
Atualmente, não há taxa de adesão. As primeiras aquisições foram realizadas com cerca de 9,7 milhões de dólares (9,5 milhões de euros) em financiamento de capital de risco.

Os candidatos a membro são convidados a preencher um formulário sobre as suas ocupações e hobbies. McLeod afirma que entre os primeiros membros estão ex-compradores de galerias, curadores de museus e colecionadores – de livros raros a cartões colecionáveis.

Os membros comunicam-se via Discord e votam recorrendo às suas carteiras Ethereum. McLeod diz que, no futuro, a tecnologia poderá ser aberta a outras organizações.

Embora a Arkive possa, como qualquer museu, vender ocasionalmente as suas obras para vários fins, McLeod garante que a organização prevê manter a maioria das suas aquisições. “Gostamos de pensar nelas como uma coleção permanente”, concluiu.

Comentários