A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas é constituída por 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e foi aprovada em setembro de 2015. Estes ODS definem prioridades mundiais em áreas como “Pessoas”, “Planeta”, “Prosperidade”, “Paz” e “Parcerias” e constituem uma oportunidade para as instituições melhorarem as suas ações e projetos estratégicos.

É inegável que as instituições de ensino superior podem, e devem, implementar boas práticas ao nível da sustentabilidade, correspondendo, sempre que possível, para os objetivos estabelecidos pela ONU.

Neste sentido, é legítimo considerar o papel da educação como “pedra angular” para a mudança, para novos desafios, como um estímulo para a transformação da educação que promove o desenvolvimento económico, social e ambiental. Esta transformação, habilita os alunos para a tomada de decisões cada vez mais conscientes, mais responsáveis e que interpretam, e refletem sobre as ações e como estas se espelham na sociedade e que impactos provocam, assim como nas atuais gerações e nas vindouras.

Desta forma, as instituições de ensino superior devem elaborar planos curriculares que integrem ações relacionadas com a sustentabilidade, sobretudo se pensarmos numa questão de qualidade. Na verdade, a qualidade no ensino superior não poderá ser medida, apenas, pela produção científica do seu corpo docente, mas também pelas competências-chave adquiridas pelos seus alunos e que contribuem para a sustentabilidade. As competências-chave compreendem as competências transversais e não substituem as competências específicas, tão necessárias para a concretização das ações definidas.

A Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) é uma educação que integra nos seus planos curriculares os modelos de inovação pedagógica centrados nos alunos, na aprendizagem orientada para a ação, na participação e colaboração de soluções para cada problema. Uma aprendizagem transformadora é aquela que “obriga” a ter um pensamento crítico, um pensamento que conduza à reflexão e a discussões, baseada em projetos de aprendizagem reais, assentes em estudos de caso, em simulações objetivas, em cenários de previsão, entre outros.

Nesse sentido, também é importante o relacionamento que se estabelece com os diversos stakeholders, nomeadamente no mundo empresarial. Este assume-se como um fator diferenciador que é, percecionado como qualidade. Assim, pode a integração de ações sustentáveis nas políticas diárias ser vista como qualidade pelos stakeholders?

Cada vez mais as pessoas querem fazer parte da mudança do mundo em que vivem e contribuírem, de alguma forma, para a sua melhoria. Nesse sentido, se as instituições de ensino superior conseguirem envolver os diversos stakeholders na elaboração de ações sustentáveis, comunicando de forma assertiva os resultados das mesmas, todos sairão a ganhar. E não são necessários grandes atos para que a IES (Instituição de Ensino Superior) seja vista como uma entidade que se preocupa e que contribua, efetivamente, com a sociedade na qual se insere. Muitas vezes, são pequenas ações nas quais a IES se envolve ou para as quais coopera, que influenciam os diversos stakeholders a percecionarem a mesma como uma entidade de qualidade, promovendo o objetivo principal que é aprender novas estratégias, boas práticas promotoras de EDS e com tecnologias mais eficientes.

Respondendo à questão inicial: “a sustentabilidade passa pela educação de qualidade?” concluímos que sim até porque a UNESCO (2015) refere que “A educação pode e deve contribuir para uma nova visão de desenvolvimento global sustentável“.

*Mariana Marques, docente do ISG, e Ana Maia, Gestora da Qualidade ISG e Coordenadora Científica da Pós-Graduação em Sistemas Integrados de Gestão, Qualidade, Ambiente e Segurança.

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