Algures no final de 1990, e no início dos meus 40 anos, fui entrevistado por um jornal económico e o artigo referiu-se a mim como um “veterano da indústria”. Foi talvez a primeira vez que fui abordado publicamente como sendo experiente, refletindo cerca de 15 anos de liderança no mundo agroempresarial. Por muito tempo na minha vida fui o “jovem da sala” e por isso foi uma grande mudança e chamou-me a atenção.

Quando era jovem, e especialmente no início da minha carreira de negócios em 1980, pensei que tinha respostas para qualquer pergunta. Por essa altura, através de quatro anos de serviço militar, eu tinha viajado por uma grande parte do mundo, formei-me na universidade, casei, e agora estava a gerir uma pequena empresa durante o dia e a frequentar a faculdade de Direito à noite. Eu era rápido a falar e a agir e, na minha própria estimativa, pelo menos, um jovem empresário muito inteligente.

À medida que os anos, e depois as décadas, passaram as minhas responsabilidades e experiências cresceram, deparei-me com muitas pessoas jovens que me fizeram lembrar de mim próprio dez anos antes.

Mas agora, através dos meus olhos mais velhos, eles não me pareciam assim tão inteligentes. Foi então, através do importante processo de auto-reflexão que percebi que tinha confundido ser esperto com ser inteligente. Não são o mesmo.

A minha filha é uma experiente professora do ensino primário, com diversos graus de instrução, e trabalhou com crianças pequenas durante muitos anos. De tempos a tempos, ela tinha um pai que lhe apresentava o filho sugerindo e, por vezes até exigindo, que o seu filho era superior em inteligência e precisava de atenção extra para além dos outros alunos.

Numa classe de 20 ou mais alunos, tal pedido é muito difícil de realizar, senão possível. E, inevitavelmente, o que estava a passar como sendo inteligência superior era simplesmente um reflexo do tempo adicional e recursos que o pai tinha colocado na afortunada criança antes da educação formal, e não verdadeira superioridade intelectual.

Não é diferente para nós empreendedores. E nós precisamos de estar atentos para que a nossa rapidez, ou a nossa capacidade de resposta, confiança e até mesmo o nosso domínio de frases-chave ou conhecimento da última tendência ou produto, não seja confundida na realidade com a inteligência.

Um dos meus amigos mais próximos, que conheci na nossa primeira aula na faculdade de Direito há 32 anos, tem uma frase pertinente para descrever isso: não se embebede no seu próprio rum”. Com esta frase, ele quer dizer que não se deve ser tão enamorado da sua própria inteligência a ponto de acreditar que tudo o que dizem, pensam ou fazem é sempre o caminho correto. A experiência pode ser um professor severo.

Eu penso que a maioria dos empreendedores são suficientemente espertos, e certamente uma parcela significativa deles é muito inteligente. Mas não se pode necessariamente concluir que o negócio, o produto, e mesmo um grande sucesso financeiro são a maneira de medir esta inteligência.

À medida que envelheci, e tenho um vasto conjunto de experiências, contatos, empresas e desafios, é claro para mim que na minha bravura de jovem, tão necessária na época para lançar alguns dos meus primeiros empreendimentos, nem sempre fui muito inteligente. Apaixonado? Trabalhador? Opinativo? Certamente que sim para todos eles. Mas sempre inteligente? Aqueles que me conhecem melhor diriam que não.

Agora nos meus 60, lembro-me do conselho da autora Madeleine L’ Engle: “a grande coisa sobre envelhecer é que você não perde todas as outras idades que já foi”. Eu acho que o que ela quer dizer com isso é o que o profeta Job, do Velho Testamento, queria dizer quando escreveu “sabedoria pertence ao idoso e compreensão para o velho”.

Mais velhos, mais sábios e mais experientes empreendedores não só dão a direção àqueles que os estão a seguir, mas eles também dizem coisas como “Eu não tenho certeza” e “Deixe-me pensar sobre isso”. Ou mesmo “Eu não sei”. Estas não são as indicações de falta de experiência e de inteligência, mas, na verdade, o oposto porque é impossível para qualquer um de nós saber tudo. Então ouça-se a si mesmo algumas vezes ou pergunte a alguém muito próximo de si.
Você é apenas inteligente, possivelmente inteligente ou realmente tornou-se sábio?

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Randy M. Ataíde é CEO da StealthGearUSA, LLC, uma empresa em crescimento acelerado, com sede em Utah. Antes de assumir a sua liderança, foi CFO e Conselheiro Sénior, durante a qual cresceu 400% ao ano desde a sua fundação em... Ler Mais