Entrevista/ “Em Portugal vemos um grande potencial no mercado de Retalho, Indústria e Transportes”

Matteo Scomegna, diretor-geral do Sul da Europa da Axis Communications

A  Axis Communications disponibiliza, desde 1984, sistemas de vídeo em rede. Criou a primeira câmara de rede do mundo em 1996 e desde então não tem parado de inovar. No início da década, tinha mais de um milhão de produtos de vídeo em rede instalados. Ao Link To Leaders, o diretor-geral do Sul da Europa da empresa fala da aposta no mercado de videovigilância e no da segurança, e da estratégia para Portugal.

Matteo Scomegna começou a sua carreira profissional na operadora italiana de telecomunicações especializada em telefonia móvel Wind, ocupando o cargo de Key Account Manager.

Em 2006, ingressou na Axis Communications como Coordenador de Marketing e, em 2010, integrou o Programa de Liderança da Axis no Babson College em Wellesley, Massachusetts. A partir daí, desenvolveu a sua carreira dentro da empresa em diferentes cargos, até tornar-se diretor-geral para o sul da Europa.

De que forma a pandemia está a afetar o negócio e a atividade da Axis Communications?
Como muitas outras empresas, a Axis foi afetada pela pandemia. Tanto na forma como costumávamos trabalhar internamente, como também na forma como trabalhamos com os nossos parceiros e clientes. Desde o início, a principal prioridade da Axis tem sido a segurança de todos os nossos funcionários. Seguimos rigorosamente todas as restrições e medidas de segurança do governo local; e além disso queríamos (e ainda queremos) que todos decidiam quando regressar ao escritório ou ficar em casa, visitar fisicamente um cliente ou conhecê-lo virtualmente.

Em relação ao nosso negócio, podemos dizer que a indústria de segurança e vigilância tem sido considerada essencial na maioria dos países, por isso os nossos distribuidores e parceiros têm conseguido permanecer abertos e temos mantido relacionamentos fortes enquanto trabalhamos virtualmente. Temos o benefício de ter a nossa tecnologia a apoiar importantes projetos e iniciativas, como monitoramento hospitalar e soluções de entradas seguras sem contato em todo o mundo.

Como vê o impacto desta pandemia no setor como um todo e na economia?
O nosso setor não foi o mais atingido pela pandemia (pelo menos não ao nível da indústria das viagens e do turismo). Continuamos a atender os nossos parceiros e clientes e continuamos a inovar e a lançar novas soluções, como a nossa câmara Axis Body Worn [câmara que pode ser conectada diretamente ao próprio sistema Axis ou a outro sistema escolhido pelo cliente]. A nossa visão e foco de longo prazo permanecem inalterados. Além disso, esperamos aprender muito com este período incluindo novas formas de trabalhar, viajar e interagir interna e externamente.

O que têm feito para manter os trabalhadores motivados durante o confinamento?
Estamos muito satisfeitos com a forma como lidámos internamente, até agora com a crise. Com um alto nível de cuidado mútuo, criatividade nos negócios e um envolvimento intenso com os nossos parceiros, pudemos demonstrar flexibilidade, resiliência e alinhamento com os valores essenciais da nossa empresa: “Think Big, Act As One e Always Open”. Cada gestor tem um contato diário constante com a  sua equipa e comunicamos todos regularmente, pelo menos a cada duas semanas.

Qual a aposta da empresa para este ano?
Continuar a oferecer eventos excecionais a parceiros através de uma plataforma digital em vez de eventos presenciais.

“Na Axis queremos liderar não só o mercado de videovigilância, mas o mercado da segurança em geral. Para isso, já lançámos nos últimos anos novos produtos e soluções, como controlo de Acesso, vídeo porteiro, Buzina IP e Detetor de Radar”.

Nos últimos a Axis lançou novas linhas de produtos, que vai além do videovigilância. Essa é uma tendência que continua para 2021?
Na Axis queremos liderar não só o mercado de videovigilância, mas o mercado da segurança em geral. Para isso, já lançámos nos últimos anos novos produtos e soluções, como controlo de Acesso, vídeo porteiro, Buzina IP e Detetor de Radar. Essa tendência não irá parar: um dos pilares da nossa estratégia é expandir o mercado por meio de iniciativas que agreguem valor. Continuaremos a  oferecer aos nosso parceiros novas possibilidades considerando novos fluxos de receita.

Como caracteriza o mercado português?
O mercado português é bastante interessante pelo facto de ser orientado para a inovação e para a integração de sistemas. Consideramos como um mercado “early adopter” bastante interessante para testar novas soluções, inclusive a nível global e várias vezes, soluções replicadas noutras regiões. Ao longo dos últimos 10 anos em que temos presença em Portugal, temos vindo a verificar que os nossos parceiros são empresas que também partilham dos nossos valores, confiança, transparência, qualidade e parcerias de longo prazo. Embora seja um mercado bastante sensível aos custos, temos vindo a crescer de forma sustentada através de soluções inovadoras que muitas vezes permitem fazer mais e melhor com investimentos controlados.

Qual tem sido a estratégia de vendas da empresa para Portugal? E Espanha?
Temos como principal estratégia a presença no mercado com parcerias estáveis e duradouras com todos os nossos clientes, parceiros e distribuidores. É esta estratégia que nos permite conhecer as reais necessidades de cada empresa e trabalhar em conjunto de forma a implementar as melhores soluções para cada necessidade. Investimos bastante na formação e na partilha de conhecimento. Temos também uma organização que nos permite partilhar as melhores práticas de outros mercados como Espanha, França, Itália ou Israel, uma vez que todos estes países, e outros tantos, pertencem à nossa região.

A nível de portefólio temos vindo a expandir bastante a nossa oferta o que permite uma maior segurança aos nossos clientes. Sendo os inventores da câmara IP temos desenvolvido soluções inovadoras que permitem endereçar projetos de segurança a nível completo, tal como: Radar IP, intercomunicadores de vídeo IP, soluções de Áudio para segurança, análise de vídeo, gestão de gravação e integração de todas as nossas soluções, controlo de acessos, entre outros.

“O mercado da América do Norte possui a maior fatia da Axis. Na EMEA, estamos a tentar aproximarmo-nos aos resultados dos nossos colegas americanos!”.

Qual é o país que é neste momento mais representativo na faturação da Axis?
O mercado da América do Norte possui a maior fatia da Axis. Na EMEA, estamos a tentar aproximarmo-nos aos resultados dos nossos colegas americanos!

Quem são os principais clientes da AXIS a nível global e em Portugal?
Em vez de falar sobre clientes, gostamos de mencionar os segmentos nos quais a Axis está a investir os seus esforços. Os dois principais segmentos que iremos focar a nível global são Smart City e Retalho, enquanto a nível EMEA teremos uma estratégia específica também para Infraestruturas Críticas e Transporte. Especificamente em Portugal, vemos um grande potencial para o mercado de Retalho, Indústria e Transportes (incluindo aeroportos).

Quais são as tendências que afetam o setor da segurança este ano?
As tendências que vemos para 2021 são moldadas por como e por que as tecnologias são usadas e as implicações associadas. Sem dúvida, a confiança continua no topo da agenda, pois os clientes e clientes finais estão a exigir transparência sobre como a tecnologia é usada e como os dados são geridos, especialmente com maior vigilância. Nesse sentido, aplicativos e serviços cada vez mais inteligentes serão implantados, melhorando o desempenho e a eficiência da solução.

A cibersegurança será a tendência contínua. Devido ao potencial de alto retorno financeiro e interrupção da infraestrutura crítica, novos recursos, táticas e ameaças continuarão a surgir e exigirão vigilância constante. A mudança para redes de confiança zero, portanto, será acelerada, onde o perfil de segurança para cada dispositivo e aplicativo é avaliado de forma independente. A confiança será entregue por meio de comunicação dispositivo a dispositivo e / ou aplicativo a aplicativo por meio de firmware assinado, atualizações de software, inicialização segura, dados / vídeo criptográficos e identidade segura.

Em relação à IA, com o “Machine learning” (ML) e o “deep learning” (DL) agora amplamente disponíveis em tecnologia de vigilância, as implicações do seu uso serão um fator em 2021, e os especialistas em segurança serão capazes de mudar para uma forma proactiva e responsiva em vez de monitoramento manual contínuo.

Finalmente, regulamentações, regras e hábitos de consumo estabelecidos durante este ano  tornar-se-ão comuns em 2021. A tecnologia apoiará a forma como esses regulamentos são monitorados e fiscalizados, motivados por questões de higiene e distanciamento social. Como resultado, a implementação de tecnologias de baixo ou nenhum contato, especialmente em áreas como controlo de acesso, aumentará. Além disso, as soluções de vigilância com capacidade de contagem de pessoas  tornar-se-ão a norma, para garantir o cumprimento das regulamentações de distanciamento social.

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