Pesquise “Smartphones destroem a interacção social” e leia os vários artigos que defendem os males originados pelo uso da tecnologia online. Curiosamente, com a pandemia que se instalou no mundo, e neste contexto de distanciamento social, a tecnologia é possivelmente a única razão pela qual em certos países se consegue manter um contacto frequente com amigos e familiares.

Mais, não se trata apenas de manter o contacto com os que nos são próximos, mas garantir que existe alguma normalidade face às condições atípicas que nos são impostas nos dias de hoje: as empresas asseguram a produtividade a partir de aplicações que possibilitam o trabalho remoto; os estudos tem continuidade através de plataformas de ensino à distância; os pacientes recorrem às consultas medicas online para evitar possíveis contágios nas clínicas e hospitais; os consumidores fazem uso das plataformas de comércio electrónico para obter refeições e uma série de outros produtos sem se deslocarem das suas casas, e estas são apenas algumas das soluções que se têm evidenciado.

Estas soluções provocaram profundas mudanças comportamentais nas populações de vários países, à escala mundial, sendo que muitas foram implementadas pelos Governos dos mesmos:

– Na Ásia, Israel adotou medidas controversas ao rastrear todos os indivíduos de risco, de forma a controlar o seu contacto com pessoas infetadas. A Coreia foi mais longe e para além do rastreamento de todos os recém chegados, garantiu o cumprimento da quarentena através de pulseiras com geolocalização e usou robôs na distribuição de desinfectante e para medir as temperaturas.

Não é certamente por coincidência que estes países tecnologicamente avançados se tornaram casos de sucesso na forma como controlaram a propagação deste vírus.

– No continente africano, que se pressupunha ser dos mais vulneráveis, foram criadas aplicações de auto-avaliação do risco como é o caso de Moçambique e Nigéria. Na África do Sul usaram-se chat bots interativos no Whatsapp para obter respostas relativamente aos sintomas e tratamento, e no Quénia reforçou-se a importância do uso das carteiras móveis, sendo que o dinheiro pode ser um veículo para a transmissão do vírus, onde os utilizadores ativos chegaram a 50% da população.

O primeiro semestre de 2020 apresentou níveis de disrupção tecnológica sem precedentes. Segundo um artigo da BBC já se estão a usar robôs na desinfecção de hospitais através de luz UV. Já o Fórum Económico Mundial, refere que a robótica vai revolucionar o mercado de entregas ao domicílio, que o 3D printing irá tornar-se incontornável na produção de máscaras e outro material hospitalar, e lamenta os atrasos na implementação da tecnologia 5G na Europa, sendo que será imprescindível para garantir o bom funcionamento de toda a inovação referida acima.

Por muito resiliente que seja a raça humana, o Covid-19 alertou-nos para o quão vulneráveis estamos e para as fragilidades existentes. Apesar de todos estes esforços, contam-se mais de 4 milhões de casos confirmados entre os quais, mais de 280 mil mortes. A inovação tecnológica deverá acelerar o seu ritmo para fazer face a este novo status quo e garantir que o impacto da próxima pandemia não será tão devastador.

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Frederico P. Silva, atualmente CEO da Talento Moçambique, é também um empreendedor social na área das tecnologias de informação e comunicação para o desenvolvimento (ICT4D) e cofundador da UX, uma start-up premiada internacionalmente, que desenvolveu, entre outras plataformas, o maior... Ler Mais