Ver e viver (n)o Mundo de forma dicotómica. Sim ou não? Branco ou preto? Esquerda ou direita? Trabalho ou lazer? Pessoal ou profissional? A minha ou a tua equipa? Do meu ou do teu lado? A meu favor ou contra mim… enfim, estas são algumas das dualidades proporcionadas pela nossa existência humana. Mas será suficiente explorarmos apenas dois cenários? Termos apenas duas alternativas disponíveis?

Porque continuamos a pensar e a agir como se estivemos na época da 1.ª Revolução Industrial, não obstante estarmos em 2020? Esta visão maniqueísta, do bem e do mal. Dos extremos. Do ganha-perde. Passamos os dias a tomar decisões, em casa, em família, no trabalho. A negociar. Com a lógica subjacente de que para eu ganhar o outro tem de perder. Será lógico ceder? Será lógico ser só lógico? Estamos constantemente em esforço, em tensão emocional. Chegar a um entendimento que não é bom para nenhuma das partes, “é melhor do que nada”?

A apologia do “meio-termo”, do “menos mau”, talvez acabe por ser ainda mais danosa para as (duas) partes que estão envolvidas numa comunicação, negociação ou até já em conflito. A médio prazo, estaremos com um cenário perde-perde à vista… Mas alguém tem de ceder, dizem-nos. Ou não?

No contexto atual, onde a incerteza é o que mais temos como certo, seria lógico largar o business as usual? Ou continuar na senda do “mais do mesmo”? Fazer de conta que não se passa nada ou dizer que vai ficar tudo bem? Surgem-nos emoções. Negativas ou positivas? Tristeza ou felicidade? Fugimos ou enfrentamos o medo? Então somos seres lógicos ou emocionais? Ambos? Ou apenas previsivelmente irracionais?

Talvez faça sentido e seja oportuno explorar uma outra via, criar alternativas que assentem em novas soluções? Co-criação. Algo novo. Benéfico para ambas as partes. Não me atrevo a pensar numa nova normalidade (o que é normal, hoje em dia?), mas sim em abordagens não pensadas a priori mas construídas, em conjunto, pelas partes envolvidas. Um novo novo? Chamemos-lhe a terceira alternativa, utilizando a terminologia de Stephen Covey. Pensar apenas em duas alternativas (na minha ou na tua) não será demasiadamente redutor? Poderemos chegar a soluções ainda melhores do que aquelas que cada uma das partes tinha inicialmente em mente?

Se o nosso paradigma mental for a preto e branco, perdemos uma palete de coloridas potenciais soluções. A forma como vemos as coisas determina o que fazemos e o que fazemos determina os resultados que obtemos. A nossa cegueira baseada no “à minha maneira” atropela a confiança criativa, a empatia e a colaboração. E não é por isto que os “sinos dobram” nas organizações? Ou é apenas música para os nossos ouvidos?

Pode ser mais fácil desistir, nem sequer testar. Dizer que sempre fizemos assim e que nunca vai funcionar. Tradição versus inovação. Ou tradição e inovação? Podemos ter o melhor dos dois mundos? Na dúvida, testemos. Experimentemos fazer as coisas “à nossa maneira”, investir numa mentalidade de abundância, contribuir para que o todo seja maior do que a soma das partes. Explorar possibilidades, orquestrando vontade, competências e ações – ao som do improviso muitas vezes, mas procurando fazer sempre melhor. Assim se sinergiza. Nós sinergizamos, conjugação no plural.

Ver e viver (n)o Mundo de forma sinérgica. Sim, não ou vamos experimentar?

*E CEO & Founder da ONYOU

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Networker, curiosa e de espírito empreendedor, é Chief Energy Officer & Founder da ONYOU – Empowering & Learning Experiences, desenvolvendo vários projetos na área da educação e da formação de jovens universitários e executivos, com ênfase nas competências comportamentais pessoais... Ler Mais