No início do ano fui convidado para dar aulas de International Business Development num Master da SKEMA Business School em Paris. Este é um tema que normalmente não leciono, mas no qual investi muito durante a minha carreira profissional.

Tendo sido responsável pelo desenvolvimento de negócio na Red Bull em Portugal, da United Coffee no Reino Unido, da Refriango em Angola, e ter suportado o desenvolvimento da estratégia de exportação da Sociedade Central de Cervejas, a nível mundial, com Competitive Intelligence, ganhei uma visão alargada das especificidades desta função. Ao trabalhar estas geografias, apercebi-me que um Gestor de Desenvolvimento de Negócio Internacional (GDNI) tem um perfil muito específico. Esta é a imagem que uso para o transmitir aos meus alunos.

De facto, um GDNI tem de possuir conhecimentos técnicos diversos, que vão desde a Venda, a Negociação e o Marketing, até ao Competitive/Market Intelligence, à Logística e às Finanças. Tem ainda de conseguir aplicar este conhecimento ao negócio nos seus mercados alvo, muitas vezes “pondo ovos de ouro” ao mesmo tempo que produz “leite vital” ao crescimento e sustentabilidade da empresa.

Mas o que tem isto a ver com Empreendedorismo? Tudo! Um empreendedor tem de possuir estas mesmas competências, e debate-se com problemas muito similares, desde a identificação da oportunidade aos movimentos dos concorrentes, à negociação de parcerias com os seus clientes e promoção dos seus produtos junto do consumidor para aumentar a sua penetração no mercado.  Este “animal“ (foto acima) é usado para descrever a unicidade dos GDNIs, assim como os Unicórnio são usados para descrever a unicidade das startups que atingem maior sucesso.

É da união desta diversidade, um dos princípios fundamentais do mindset de Design Thinking, em sintonia com outro princípio que é o Integrative Thinking, que resultam alguns dos melhores empreendedores. Ter a capacidade de integrar vários tópicos e competências no sentido de fazer com que o todo seja mais do que a soma das partes é de facto a essência da gestão, ou seja, alocar os recursos certos à oportunidade certa, na medida certa.

Vários estudos que tenho vindo a consultar apontam para que a idade ideal para começar a empreender não é à saída da Universidade, seja de um Mestrado, ou mais tarde de um MBA, mas sim mais tarde quando se possui um conhecimento mais alargado de todas estas áreas, assim como a sensibilidade para as integrar. É, muito, muito importante, ter a maturidade para saber ouvir as opiniões de todas as partes envolvidas no ecossistema onde queremos ter sucesso.

Dito isto, aqueles que querem começar hoje a desenvolver o seu negócio terão de saber identificar quais os motivos pessoais, organizacionais e externos que os levam a começar tal empreitada, não só hoje como ao longo de todo o processo de desenvolvimento de negócio. Terão ainda de identificar quais os Ativos Específicos da sua startup (FSA em Inglês) assim como os Ativos Específicos do País (CSA) onde estabelecem a sua base onde pretendem lançam os seus produtos e serviços. Só assim poderão identificar a melhor estratégia para desenvolver Vantagens Competitivas que eventualmente permitirá chegar ao estatuto de uma start-up Unicórnio. E se optarem por se internacionalizar, começa tudo de novo… já para não falar que vão ter de encontrar mais “animais” como o da foto para vos ajudar a ter sucesso nestes novos mercados. Boa sorte!

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