Opinião

Desenvolvendo uma abordagem adaptável para o século XXI

Luís Branco, Coordenador da Pós-Graduação em Gestão de Projetos do ISG*

A urgência por uma abordagem revigorada destaca a importância crucial da adaptabilidade, flexibilidade e resiliência nas organizações contemporâneas.

Em ambientes complexos, saturados por interconexões e mudanças rápidas, as estratégias tradicionais podem perder a sua eficácia. Neste contexto, modelos holísticos, voltados para a aprendizagem contínua e capazes de se ajustar rapidamente, emergem como a resposta mais adequada aos desafios dinâmicos e imprevisíveis do cenário atual.

Estilo de liderança “Eyes On, Hands Off”

Acentuando a importância da conectividade fundamentada na confiança e propósito nas equipas, destacamos sua capacidade singular para resolver problemas de maneiras não previsíveis por um único gestor. Neste paradigma, as soluções não são impostas hierarquicamente, mas florescem organicamente a partir de interações colaborativas de baixo para cima.

Este modelo descentralizado e colaborativo é a coluna vertebral da transformação proposta, trazendo à tona a eficácia da inteligência coletiva. A transformação cultural, marcada pela descentralização da autoridade e uma liderança inspirada na figura do agricultor, confere capacitação à organização. A tecnologia, embora crucial, é considerada uma ferramenta catalisadora que impulsiona a mudança cultural e instiga a mentalidade necessária para enfrentar as complexidades atuais. A combinação sinérgica desses elementos redefine o tecido da cultura organizacional, possibilitando uma abordagem mais ágil e adaptável.

Mantenha um estilo de liderança “Eyes On, Hands Off” (“de olhos postos, sem intervenção”). Há claramente um risco associado à capacitação da sua equipa para tomar decisões mais rápidas e num nível mais baixo do que era a norma anteriormente. Ao tirar as mãos do volante, precisa de estar mais vigilante e consciente do que nunca sobre as decisões que a sua equipa está a tomar.

Forneça orientação à sua equipa sobre as decisões que deseja manter e espere que ela cuide do resto, aproveitando o aumento da conectividade interna e externa da equipa.  Incentive um ambiente de transparência onde a expectativa seja que as pessoas tenham consciência de quando precisam de ajuda e se sintam confortáveis ​​em pedi-la.
Construirá rapidamente confiança nesta nova forma de trabalhar ao usar cada desafio que a sua equipa enfrenta como uma oportunidade de aprendizagem organizacional.

Reflexão sobre a consciência partilhada e a execução empoderada

Uma organização deve capacitar o seu pessoal, mas só depois de ter feito o trabalho pesado de criar uma consciência partilhada. Isso é muito difícil quando se está a tentar fazer algo construtivo. Para a maioria dos ambientes humanos que lutam para lidar com um ambiente complexo – desde a gestão da cadeia de suprimentos até distribuição de ajuda, marketing e governança – fazer algo construtivo é essencial para a sua missão. A execução empoderada sem consciência partilhada é perigosa.

A consciência partilhada por si só, é poderosa, mas, em última análise, insuficiente. Construir uma consciência holística e forçar a interação alinhará o propósito e criará uma força mais coesa, mas não irá libertar todo o potencial da organização. Mantenha esse sistema por muito tempo sem descentralizar a autoridade e quaisquer ganhos de moral obtidos serão revertidos à medida que as pessoas ficam frustradas com a sua incapacidade de agir de acordo com os seus novos insights. Assim como o empoderamento sem partilha falha, o mesmo ocorre com a partilha sem empoderamento.

A consciência partilhada é um conjunto de fóruns centralizados cuidadosamente mantido para aproximar as pessoas. A execução empoderada é um sistema radicalmente descentralizado para empurrar a autoridade para as bordas da organização. Juntos, com estes como o coração pulsante de nossa transformação, tornamo-nos numa unidade única e coesa muito mais ágil do que o seu tamanho poderia sugerir. Ao contrário dos itens de uma checklist tipo MECE, nenhum deles pode ser instituído isoladamente; só quando fundidos podem alimentar uma organização. Tal como acontece com os membros de uma equipa, componentes de sistemas complexos e outras dinâmicas, a união da consciência partilhada e execução empoderada é maior do que a soma das suas partes.

Conclusão

A velocidade e a interdependência do ambiente moderno ampliam a complexidade organizacional. Acoplar a consciência partilhada à execução empoderada é a chave para forjar uma organização adaptável, capacitada a reagir com agilidade a desafios complexos. Este novo paradigma não se restringe a uma resposta reativa a desafios imediatos; representa, em vez disso, uma resposta proativa para o futuro. Ao destacar os princípios da adaptabilidade, conectividade, confiança e o estilo de liderança “Eyes On, Hands Off”, estamos estrategicamente a posicionar as nossas organizações para desbloquear um potencial notável face ao dinamismo inerente ao século XXI.

Este compromisso com a evolução constante sinaliza não apenas uma preparação para os desafios porvir, mas uma determinação de liderar com excelência no panorama em constante mutação Além de posicionar nossas organizações para enfrentar com sucesso os desafios do século XXI, este novo paradigma busca transcender as fronteiras tradicionais da liderança. Ao adotar uma mentalidade de aprendizagem contínua e inovação constante, aspiramos não apenas a superar as adversidades imediatas, mas a catalisar uma mudança cultural duradoura.

Este compromisso com a excelência não se limita a uma reação aos eventos do momento, mas sim a uma visão de longo prazo para aprimorar continuamente nossas práticas, estruturas e relações organizacionais. Ao abraçar a evolução constante, não apenas nos adaptamos a um ambiente dinâmico, mas também lideramos ativamente a moldagem do futuro.

A ênfase na adaptabilidade, conectividade, confiança e no estilo de liderança “Eyes On, Hands Off” não é apenas uma estratégia defensiva, mas uma estratégia visionária que posiciona nossas organizações na vanguarda da inovação e do progresso. Este é um convite para transcender as limitações convencionais e abraçar um caminho que não apenas sobreviva à mudança, mas a abrace como uma oportunidade de crescimento e excelência duradouros. Esta abordagem proativa não apenas nos prepara para os desafios vindouros, mas também nos coloca na vanguarda de um movimento de transformação organizacional global.

Ao liderar com visão e resiliência, não apenas respondemos às solicitações do presente, mas moldamos ativamente um futuro onde a excelência, a inovação e a adaptabilidade são pilares fundamentais de organizações verdadeiramente prósperas e sustentáveis.

 

*Coordenador da Pós-Graduação em Gestão de Projetos do ISG; especialista em PMP e PMI-ACP pelo Project Management Institute; Management, Leadership, Consulting & Training

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