Foi este o título de uma das conferências que fiz para o Ministério de Negócios Estrangeiros da República Popular da China em 2008.

Lembro-me do espanto com que os diplomatas chineses observavam as imagens que eu ia mostrando com exemplos de todos os trajes que lhes poderiam ser exigidos quando fossem colocados em postos nas capitais europeias. Eles tinham passado da túnica de Mao para o fato escuro sem qualquer problema, mas não conseguiam entender os diversos graus de formalidade do vestuário no Ocidente. Os que estavam no começo de carreira ficavam assustados com um guarda roupa diplomático tão diversificado.

Um dos trajes que lhes fez mais confusão foi o traje de gala, ou seja, a casaca, exigida para os banquetes de Estado, sobretudo, se representassem o seu país numa corte europeia. Mas como nesses convites surge muitas vezes o traje nacional correspondente, para os tranquilizar propus que adotassem uma túnica chinesa em seda preta com calças do mesmo tecido, tanto para substituir o smoking como a casaca. Confesso que fiquei muito contente quando vi que era esse o traje que o Presidente da China vestiu no banquete que lhe foi oferecido pela Rainha de Inglaterra na primeira visita que fez em 2015 ao Reino Unido.

Em Portugal a casaca aparece cada vez menos nos convites, exceto quando se trata de banquetes de Estado oferecidos pelo nosso Presidente da República em honra de monarcas. Para esses banquetes são sempre convidados alguns empresários com negócios no país do chefe de Estado visitante. Quando o recebem um telefonema do protocolo de Estado para saber se “aceitam o convite de Sua Excelência o Presidente da República para um banquete no Palácio da Ajuda no próximo dia 16”, eles sentem-se muito honrados e aceitam logo. Mas quando a pessoa do protocolo que lhes telefonou anuncia que o traje é casaca e vestido comprido, com condecorações, muitos ficam preocupados porque é um traje que não consta do guarda roupa da maioria dos portugueses. O único recurso é pedir emprestado a um amigo diplomata ou recorrer ao serviço de aluguer para se apresentar adequadamente, com ou sem condecorações, no dia do banquete.

No meu livro “Imagem e Sucesso”[1] descrevo os vários trajes formais que são exigidos para certas cerimónias Portugal. A casaca é o mais formal de todos os trajes civis noturnos, o único com que se podem exibir as condecorações. O casaco é de cor preta, peito duplo curto pela cintura, bandas de seda da mesma cor e abas longas. Apesar de ter três botões de cada lado nunca se fecha e deve ser uns centímetros mais curto na cintura do que o colete branco. As calças são da mesma cor (e, é claro, do mesmo tecido), ornadas com um galão que desce, pela face externa, da cintura até à bainha. Com a casaca usa-se uma camisa com peitilho e colarinho quebrado, colete e laço branco. Os sapatos pretos costumavam ser de verniz, mas hoje basta serem de atacadores e muito bem engraxados. As meias pretas de cano alto ou são de seda ou de algodão egípcio. Quando o traje recomendado é a casaca, o convite, se redigido em inglês, traz a indicação white tie – por oposição a black tie, que obriga a vestir smoking. Smoking para os ingleses é um vicio e não um traje…

Como existe um traje formal em que o casaco também tem abas atrás, às vezes há enganos. O corte e o tecido do casaco do fraque são completamente diferentes. O casaco é de flanela preta, antracite ou cinzenta, as abas são em forma de andorinha, com um só botão que se abotoa. As calças ou são cinzentas ou às riscas cinzentas e pretas. O fraque usa-se com colete cinzento ou creme, mas para cerimónias oficiais e religiosas o colete é preto. Com o fraque não se podem usar condecorações.

É bom recordar que o fraque[2] é o traje de maior cerimónia que se usa durante o dia e por isso os ingleses lhe chamam morning coat. À noite é que o seu uso está rigorosamente proibido – embora tenha visto um compatriota nosso que, todo pimpão, compareceu recentemente no Palácio da Ajuda para o banquete em honra de uns monarcas, vestido como se fosse para as corridas de Ascot ou para o casamento da filha: de fraque e calças de fantasia…

Descubra as diferenças

FRAQUE

CASACA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[1]  Imagem e Sucesso – Guia de protocolo para pessoas e empresas, Isabel Amaral, pág.61-63 (Casa das Letras, Lisboa 2017)

[2] Imagem e Sucesso – Guia de protocolo para pessoas e empresas, Isabel Amaral, pág.65-66 (Casa das Letras, Lisboa 2017)

Comentários

Sobre o autor

Avatar

Isabel Amaral é Presidente da Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo desde 2005 e Investigadora do Instituto do Oriente (ISCSP-Universidade de Lisboa), desde 2013. É oradora internacional, empresária, coach executiva, docente em universidades portuguesas e estrangeiras, palestrante e conferencista, em... Ler Mais