De refugiado a empreendedor. Conheça a história de Innocent Havyarimana.

Crédito: GLAP/WEF

Ex-estudante de química no Burundi, Innocent Havyarimana fugiu do seu país e foi num campo de refugiados no Quénia que começou um negócio de fabrico de sabão e sabonetes.

A história de Innocent Havyarimana, partilhada pelo World Economic Forum (WEF), retrata a resiliência e visão de muitos jovens que, pelas circunstâncias de vida dos seus países, se veem no papel de refugiados em países com outras culturas e modos de vida. Neste caso, o lado positivo de uma experiência traumática com esta acabou por vingar.

Isto é, apesar das dificuldades com que se deparou ao longo da sua jornada, desde que saiu do Burundi, o seu país natal, até à vivência no campo queniano de refugiados de Kakuma (que acolhe cerca de 200 mil pessoas) Innocent Havyarimana conseguiu ultrapassar os desafios associados ao estatuto de refugiado e ter a visão e força de vontade necessárias para criar um negócio de fabrico de sabão, ainda no campo de refugiados, com base na sua formação em química.

O jovem Havyarimana contou ao WEF que “não estava preparado para ser refugiado”. No seu país era um estudante de química que sonhava fazer remédios, um sonho que caiu por terra ao ver-se sozinho e sem forma de continuar os estudos. Ainda assim, decidiu fazer uso dos conhecimentos adquiridos e aventurar-se num projeto que lhe mudaria a vida. “Eu não tinha dinheiro e decidi abrir um negócio relacionado à minha formação em química, ou mistura de produtos químicos”, explicou ao WEF. A partir daí começou a produzir um tipo de sabonete, e agora, a fabrica 16 tipos na GLAP, a empresa que, entretanto, fundou.

Na sequência da elevada procura por sabão e sabonetes no período do Covid-19, devido às  orientações sobre a lavagem das mãos, Innocent Havyarimana percebeu que muitas pessoas não tinham condições para os comprar e com as economias que juntou do seu negócio resolveu ajudar algumas  pessoas.

Agora, com o seu projeto em marcha, já emprega mais de 40 refugiados e membros da comunidade que acolheu e apoia agências de ajuda e empresas locais instaladas fora do campo. Nos próximos cinco anos, as suas ambições passam por conseguir empregar mais de 100 pessoas e expandir o projeto para outros países, nomeadamente Uganda, África do Sul, Moçambique, Tanzânia e Sudão do Sul, revelou ao WEF.

Apesar dos planos de crescimento não deixa de lembrar os obstáculos que a sua condição de refugiado lhe traz, como, por exemplo, o acesso ao capital. “Sou um empresário… mas é difícil aceder ao financiamento, especialmente de instituições formais, devido ao meu estatuto”, confidenciou”. Junta-se a esta vertente a dificuldade de acesso a água e às matérias-primas, já que a maioria dos produtos químicos que usa, bem como as embalagens e a rotulagem, são provenientes de Nairóbi.

Nos últimos anos, Innocent Havyarimana tem participado em diversas iniciativas internacionais, entre as quais algumas do World Economic Forum, para falar sobre a necessária mudança de mentalidades face aos refugiados, das oportunidades de emprego e da sua visão para os negócios. Innocent lembra que começou o seu negócio com 1.000 xelins quenianos (cerca de 7 dólares) e construiu, ao longo dos últimos sete anos, mais de 10 milhões em ativos.
Refira-se que um estudo, de 2018,  do Banco Mundial, descobriu que há mais de 2.000 empresas em Kakuma e que contribuem com 56 milhões de dólares para a economia da região.

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