O tempo passa e, já entrados no terceiro mês de 2017, olhando o mundo, é impossível não sentir que se tornou maior. Maior, pois, se coube aos portugueses descobrir o Novo Mundo no planeta Terra, agora esse Novo Mundo são outros planetas, outras galáxias… outras realidades a descobrir. De terrestre para universal!

E este sentimento de que o Mundo deixou de ser o Planeta e ultrapassou essas fronteiras, existe provavelmente porque o conhecimento sobre o mesmo, sobre a existência em geral, é cada vez maior, apesar de ainda ínfimo, e por sê-lo, como nunca antes, para grande parte da humanidade. Uma consciência global que, comunicando mais, partilha mais e, em conjunto, constitui uma realidade mais sabedora.

A viagem é agora sem fronteiras e o conhecimento que conseguimos ter, é imenso e detalhado, mais e maior, conforme as ferramentas ao dispor e o conhecimento acedido, sendo certo que a internet a tudo responde, bastando perguntar. O mundo digital não para de crescer e de surpreender.

Discute-se atualmente, em grande debate de ideias, a problemática da proteção de dados. Se uns nos parecem sensíveis, como os da saúde, da identidade, outros parecem-nos mais livres, como os das nossas escolhas preferidas em compras, em opções de bens essenciais ou não, de interesses da mais variada espécie.

No entretanto, vão crescendo os dados de cada indivíduo e vão sendo armazenados, tratados, analisados, usados e reorganizados. Todos e cada um dos nossos movimentos são também escrutinados. Sem nos apercebermos, é como se já vivêssemos online.

Para as empresas, é um desafio e uma necessidade obter estes dados, para conseguirem saber quais os melhores caminhos, quais as melhores e mais eficazes ofertas a fazer aos seus clientes. Para ser possível dar a melhor resposta às necessidades dos seus clientes (que já sabemos serem sempre crescentes), é fundamental analisar as suas preferências. É negócio armazenar dados, tratá-los, analisá-los e saber vendê-los a quem precisa.

E já é, igualmente, negócio criar programas que protegem alguns desses dados. Protegem significa que não permitem a sua divulgação indevida, mas ficam recolhidos e armazenados.

Há regras estritas que terão de ser aplicadas, sobre pena de grandes penalidades. É mesmo imprescindível ter competências jurídicas específicas nesta matéria, a nível dos órgãos de gestão.

E se há negócio em potência… surgem mais e mais ideias. A procura da riqueza material, num mundo organizado à volta de conceções monetárias e financeiras, imprescindíveis ao fim último da sobrevivência, estar vivo.

Não condeno, é o que há e o que todos construímos. No entanto, questiono onde levará, neste mundo digital, a busca incessante por ir mais longe, característica que parece inata no ser humano? Será controlável?

O mundo digital cresce e, nesse crescimento, desenvolve-se, a par da “consciência global humana”, uma “consciência coletiva digital” resultado dos dados recolhidos, que fluem online, fruto de todos e de cada um de nós, e que vai além de nós. Não sei onde chegará, nem se um dia se autonomizará, como muita ficção científica vai prevendo, mas já se sente a sua existência. Alimenta-se ao milésimo de segundo de tudo o que, num processo contínuo e ininterrupto, recolhe e processa.

No ambiente das start-ups, do empreendedorismo, dos pensadores livres, o desafio que lanço é o de procurarem caminhos que possibilitem que essa consciência coletiva digital que se forma sem aparente controlo, não venha a dominar a tão querida liberdade humana, a individual e a coletiva.

E não se trata de criar formas de fuga ou de não utilização das ferramentas da revolução digital, mas sim de ponderar como consciência coletiva humana e descobrir processos que, efetivamente, permitam manter essa informação e a sua utilização segura.

A par de pensarmos em novas formas de negócio que a transformação digital inequivocamente permite, vamos dar passos à frente e preparar já soluções que acautelem o crescimento descontrolado de algo que pode vir a ser maior do que todos.

É filosofia, amor à sabedoria. Talvez para alguns seja pura ficção. Contudo, é regra de gestão pensar no futuro e na consequência dos nossos atos. Pensar no que estamos a construir para os filhos dos nossos filhos. Sem medo, sem receio, mas atentos às consequências do que fazemos.

Não pensem em ter mais riquezas, pensem em fazer melhor e a riqueza será geral. Isso sim, é ir mais longe!

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