Opinião

Confiança e comunidade: a chave para um ecossistema empreendedor diverso

Céline Abecassis-Moedas e Pierre Gein, do CTIE*

A crise provocada pela Covid-19 teve um impacto muito mais severo nas mulheres empreendedoras. As mulheres têm, por norma, empresas mais pequenas e que atuam nos setores onde estas desenvolvem os seus negócios os mais afetados. São também as mulheres que assumem mais responsabilidades em casa. O empreendedorismo no feminino é marcado por acentuadas discrepâncias no acesso a investimento. Como mudar isto?

Sabemos que um em cada três empreendedores com negócios com potencial altamente escalável são mulheres. No entanto, os apoios aos negócios concentraram-se em organizações de baixo rendimento. Neste contexto, é preciso ter em conta que – só nos EUA – apenas 13% das VCs têm mulheres como decision makers. Com os homens a terem muito menos tendência para investir em projetos de mulheres, sabemos que, tendo em conta esta realidade, haverá sempre menos investimento nas startups com liderança feminina.

É preciso contrariar esta tendência. Nisto, é essencial criar políticas e awareness para a falta de diversidade na pool de empreendedores apoiados pelas capitais de risco. Sem esta consciência, é muito difícil ter um impacto positivo nestes números, hoje nada representativos da realidade das nossas sociedades onde as mulheres ocupam papéis tão fundamentais. Embora não sejam poucos os exemplos de mulheres bem sucedidas, acontece que nem sempre lhes é dado palco ou espaço para que comuniquem os seus sucessos.

No final de novembro, o CTIE (Center for Technological Innovation & Entrepreneurship da Católica Lisbon) reuniu as quatro vencedoras das três edições do Women Entrepreneurship Award para falar sobre o impacto da pandemia nas suas rotinas e vidas de empreendedoras, mas também no acesso ao financiamento.

Uma das conclusões a que chegámos foi que, da pandemia, surgiu uma capacidade de resiliência extraordinária das suas equipas, que fixaram e melhoraram processos. Sobre a sua liderança, estas empresas entregaram não só o que era esperado, mas ainda mais, o que só prova o sucesso da liderança feminina em tempo de maior crise.

E os conselhos foram claros: ter confiança e fazer parte da comunidade. Existem vários organismos e comunidades que têm como objetivo suportar ideias e equipas que estão a criar negócios inovadores e pertencer a essas comunidades é muito importante para ganhar espaço no ecossistema. Comunicar o nosso negócio com confiança e pedir ajuda a mentores, conhecer investidores é importante para criar novas oportunidades.

Participar em programas de aceleração e expormo-nos ao ecossistema são passos-chave para que as oportunidades surjam e com elas, momentos de sucesso. A comunidade e a confiança são chaves.

*Céline Abecassis-Moedas, diretora Académica do CTIE, e Pierre Gein, diretor executivo do CTIE- Center for Technological Innovation & Entrepreneurship

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