“Ter a humildade de ser arquiteto e a um domingo de manhã servir bolas de ping pong, de ténis e cartuchos. Eu achei que aquilo era um pronúncio de algo que só poderia ter sucesso”. Foi assim que António Amorim, presidente da Amorim Cork Ventures, falou de Pedro Abrantes, fundador de As Portuguesas no Spe Futuri, Investidores desta semana. Conheça toda a história.

Pedro Abrantes é o fundador e CEO de As Portuguesas, start-up que criou há cinco anos. Arquiteto de formação, e natural do Porto, lançou o projeto dos chinelos de cortiça em resultado da sua paixão pela cortiça e do sonho de iniciar um negócio na área do calçado.

Começou por usar a garagem dos pais para montar uma linha de produção. Mas foi quando trabalhou em part-time na Decathlon de Matosinhos (para ter dinheiro para investir no projeto), que, por acaso, conheceu António Amorim, presidente da Amorim Cork Ventures, a quem apresentou a ideia dos seus chinelos feitos com cortiça e que acabaria por ser seu investidor.

Esta semana ficámos a conhecer melhor este projeto na conversa Spe Futuri, Investidores, que juntou António Amorim, presidente da Amorim Cork Ventures, e o empreendedor Pedro Abrantes, fundador de As Portuguesas.

 

Leia alguns headlines:

António Amorim, presidente da Amorim Cork Ventures

“A Corticeira Amorim é líder mundial num setor, que é a cortiça. Portanto, como líder tem de assumir a sua responsabilidade enquanto tal e desenvolver um conjunto de políticas e ter uma visão para que a cortiça a cada dia seja mais valorizada e utilizada. A forma que temos de o fazer é apostando no desenvolvimento de aplicações históricas existentes há muitos anos, mas acreditamos também que o futuro da cortiça não se esgota em tudo aquilo que foi desenvolvido até hoje”.

“A partir 2003 e 2004 ativámos a procura por novas aplicações, novos usos a dar à cortiça.  E foi assim que, através de uma parceria com a Universidade do Minho, começámos a pesquisar novos usos, novas aplicações, novas combinações da cortiça com outros materiais e começámos a ter alguns pequenos êxitos que hoje em dia fazem parte do nosso volume de negócios (…)”.

“Nasce a Amorim Cork Ventures como um Shark Tank que permitia e que queria acolher para dentro da Corticeira Amorim ideias de pessoas que não tivessem nada a ver com o negócio da cortiça e que nos pudessem de alguma forma ajudar a ter uma visão disruptiva sobre o uso da cortiça ou a combinação da cortiça com outros materiais para desenvolver novos usos”.

“Portugal tem cerca 93 ou 94% da sua floresta de cortiça espontânea, ou seja, não foi plantada pelo homem. Foi a bolota que caiu e germinou uma nova árvore e aí temos esta exceção, a Herdade do Rio Frio e mais outras, onde as plantações existentes de uma densidade muito maior que nas florestas espontâneas é de sobreiros em linha, um plantado com um compasso de 10m por 10m. É se calhar a floresta mais modelo que temos em Portugal. É desta casca desta árvore fantástica que é o sobreiro que tudo nasce”.

“Cada tonelada de cortiça produzida retém 73 toneladas de CO2. Por isso, todos os produtos da cadeia de valor da cortiça são produtos com uma pegada de carbono negativa”.

“O investimento n`As Portuguesas resulta de uma visita minha – eu gosto de ao fim de semana dar tiros ao pratos – à Decathlon de Matosinhos, onde fui com um amigo para encontramos os cartuchos mais baratos do mercado. E fomos. A primeira vez que entro pergunto: onde está a secção onde se vendem cartuchos. E responderam-me: com a sua documentação dirija-se à secção e vai encontrar um colega, vestido como eu, e ele vai servi-lo. E assim fiz. Dirigi-me à secção, onde estava uma pessoa. Essa pessoa era o Pedro. O Pedro olha para mim e pergunta-me: o senhor não trabalha na Corticeira Amorim? Gostava de desenvolver um projeto. (…) Ter a humildade de ser arquiteto e a um domingo de manhã servir bolas de ping pong, de ténis e cartuchos. Eu achei que aquilo era um pronúncio de algo que só poderia ter sucesso. Deixe-lhe o meu cartão e disse para ligar na segunda-feira ao Paulo Bessa. Disse-lhe que tínhamos a Amorim Cork Ventures e que poderíamos trabalhar sobre este assunto. E assim foi”.

“A Corticeira Amorim nunca tentou ter o papel de protagonista nos projetos. Assumimos sempre o papel de acionista minoritário, dando sempre a maioria ao empreendedor. Ele é que teve a ideia, ele é que tem a adrenalina para fazer valer a sua ideia”.

Pedro Abrantes é o fundador e CEO de As Portuguesas

“As Portuguesas é o culminar de uma paixão e de um sonho. Uma paixão pela cortiça porque é portuguesa e também por um sonho de iniciar um projeto de calçado. Eu costumo dizer que não vendemos só sapatos, vendemos a perspetiva de um sonho, do que é inovação, desenvolvimento e design”.

“As Portuguesas nascem com um identidade muito própria, muito característica de uma matéria-prima muito portuguesa, de Portugal, vinda de ideias portuguesas, de sócios portugueses, produzida cá e, por isso, só poderia ter este nome”.

“A nossa grande inovação é o desenvolvimento da sola. A ideia foi construir e desenvolver uma sola que pegasse no chão e ao mesmo tempo no pé. Não existiam solas com características de resistência e de abrasão, e de elasticidade. Todo este compromisso não existia, não existia esta fórmula para que fosse feita uma sola de cortiça, cortiça com borracha, com algum componente”.

“Através da transformação das rolhas, aproveitámos as aparas para os granulados e dos granulados misturamos com os nossos processos de borracha natural e construímos uma sola. Essa sola permite estar em contacto com o pé humano com caraterísticas únicas – não aquece ao sol, porque a cortiça não é condutor de calor; não faz suar o pé; não escorrega em pisos molhados – que ainda não estavam implementadas no mercado”.

“Aquilo que fizemos foi estudar uma falha de mercado e avançamos, e o próprio mercado deu a resposta de absorção e automaticamente começámos a vender”.

“Quando vejo o Dr. António Amorim à minha frente [na Decatlhon]e me dá a sua identificação eu percebo que tinha ali uma oportunidade e o meu elevator pitch”.

“O projeto nasce do nada, do zero. Montei uma linha de produção na garagem dos meus pais. Mandava vir tiras, alças para os flipflops do Brasil, onde conhecia um brasileiro, através do mercado livre, mas só podíamos mandar vir 100 tiras em cada embalagem, pelo que tive de dar 10 moradas de amigos meus para receber o produto para poder construir esta base de negócio. Depois a seguir faz-se uma primeira sociedade com a Corticeira Amorim, através da qual tivemos a oportunidade de desenvolver o projeto à séria e com dimensão (…). Passado dois anos achámos que deveríamos dar outro salto e tivemos a introdução de novos sócios, a Kyaia, que permitiram ter uma rede de distribuição. Todos os nossos sócios dão aporte ao negócio, são sócios dedicados e fazem crescer a empresa”.

Reveja as conversas anteriores:

António Murta, fundador e CEO da Pathena, e Renato Oliveira, fundador e CEO da eBankit.
João Brazão, CEO da Eureekka e business angel, e João Marques da Silva, CEO da CateringAssiste.
Francisco Horta e Costa, managing director da CBRE, e Ricardo Santos, CEO da start-up Heptasense.
João Arantes e Oliveira, fundador e partner da HCapital Partners, e Nuno Matos Sequeira, diretor da Solzaima.
Tim Vieira, CEO da Bravegeneration, e Pedro Lopes, fundador da Infinitebook.
Luís Manuel, diretor executivo da EDP Innovation, e Carlos Lei Santos, CEO e cofundador da HypeLabs.
António Miguel, fundador e CEO da MAZE, e Guilherme Guerra, fundador e CEO da Rnters.
João Amaro, Managing Partner da Inter-Risco, e Carlos Palhares, CEO da Mecwide.
Pedro Lourenço, administrador da Ideias Glaciares, e Pedro Almeida, fundador e CEO da MindProber.
Alexandre Santos, diretor de investimento na Sonae IM e cofundador da Bright Pixel, e João Aroso, cofundador e CEO da Advertio.
Francisco Ferreira Pinto, partner da Bynd Venture Capital, e Eduardo Freire Rodrigues, cofundador e CEO da UpHill.
Basílio Simões, business angel e fundador da Vega Ventures, e Gustavo Silva, cofundador e CMO da Homeit.
Manuel Tarré, presidente da Gelpeixe, e Nuno Melo, cofundador e sócio da Boost IT.
José Serra, fundador e managing partner da Olisipo Way, e Tocha Serra, Partner & Startup Spotter da Corpfolio.
Stephan Morais, fundador e diretor-geral da Indico Capital Partners, e André Jordão, CEO da Barkyn.
Ricardo Perdigão Henriques, CEO da Hovione Capital, e Nuno Prego Ramos, CEO da CellmAbs.
Pedro Ribeiro Santos, sócio da Armilar Venture Partners, e Jaime Jorge, CEO da Codacy.
Miguel Ribeiro Ferreira, investidor e chairman da Fonte Viva, e João Cortinhas, fundador e CEO da Swonkie.
Cíntia Mano, investidora que está ligada à REDangels e à COREangels Atlantic, e Marcelo Bastos, fundador da start-up Sizebay.
Diamantino Costa, cofundador da Ganexa Capital, e Nuno Almeida, CEO da Nourish Care.
David Malta, Venture Partner do fundo de investimento Vesalius Biocapital, e Daniela Seixas CEO da TonicApp.
Sérgio Rodrigues, presidente da Invicta Angels, e Ivo Marinho, cofundador e CEO da StoresAce.
Alexandre Barbosa, Managing Partner da Faber, e Carlos Silva, cofundador da Seedrs.
Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto, e Nuno Brito Jorge, cofundador e CEO da GoParity.
Paulo Santos, managing partner da WiseNext, e Hugo Venâncio, CEO da Reatia.
João Matos, administrador executivo do dstgroup e presidente e CEO da  2bpartner, e Bruno Azevedo, CEO da AddVolt.
Luís Quaresma, partner da Iberis Capital, e Vasco Portugal, cofundador e CEO da Sensei.
Isabel Neves, business angel, e Rita Ribeiro da Silva, cofundadora da Skoach.
Pedro Tinoco Fraga, fundador da F3M e acionista da Braintrust, da BrainInvest e da BrainCapital, e César Martins, fundador e CEO da ChemiTek.
Roberto Branco, CEO da Beta Capital, e Luís Moreira, cofundador da Bullet Solutions.
Carlos Brazão, business angel,e Ricardo Mendes, cofundador da Vawlt Technologies.
Inês Lopo de Carvalho, partner da Crest Capital Partners , António Brum, diretor-geral do grupo Penta.
Luís Santos Carvalho, cofundador, partner e CFO da Vallis Capital Partners, e Óscar Salamanca, CEO da Smile-up.
Pedro Cruz, business angel e CEO da Gallo Worldwide, e Rogério Nogueira, CEO da Winegrid.

 

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