A maioria dos postes que distribuem a eletricidade pelo país sai de uma empresa de Vila Nova de Gaia, com mais de 100 anos de existência. E que estava condenada a fechar e a atirar para o desemprego 80 pessoas. Reconhecendo-lhe valor e potencial de recuperação, a Core Capital decidiu, em agosto de 2019, apostar na Jayme da Costa. Pagou dívidas e salários atrasados, introduziu gestão profissional e em dois meses inverteu o rumo da empresa de energia e renováveis. Conheça toda a história no Spe Futuri, Investidores desta semana.

CoRe Capital é a sociedade gestora do fundo de capital de risco Core Restart 1, fundado em 2018 por Nuno Fernandes Tomás, Pedro Araújo e Sá e Martim Avillez Figueiredo. Atua no universo das PME industriais portuguesas e está particularmente atento às “empresas em dificuldades”, ou porque têm divida, problemas de tesouraria ou uma gestão pouco profissional, investindo através do seu fundo para ajudar a recuperar os projetos.

Jayme da Costa é um desses exemplos de investimento, uma empresa centenária ligada ao setor da eletrificação e, atualmente, um player de relevo na área da produção de energias renováveis e da distribuição de energia em Portugal, que passou por momentos difíceis. A CoRe Capital entrou na sua estrutura acionista e a reestruturação da empresa é agora uma realidade. É sobre esta e outras experiências que falam os convidados Spe Futuri, Investidores desta semana.

Leia alguns headlines:

Martim Avillez Figueiredo, sócio da CoRe Capital

“A CoRe Capital é um fundo de capital de risco puro. É a sociedade gestora do fundo de capital de risco Core Restart que foi fundado em 2018 por Nuno Fernandes Tomás, Pedro Araújo e Sá e por mim. Reunimos e levantámos dinheiro para este primeiro fundo. Um fundo focado em empresas que se encontram em dificuldades e reunimos em torno deste fundo um conjunto de investidores. É a primeira vez que tens em Portugal um fundo só investido por investidores tiar one [O core tier one (ou core tier 1 ) é o indicador utilizado na análise da solvabilidade das empresas do setor bancário. Corresponde aos fundos próprios de base, isto é, ao capital social e às reservas acumuladas (soma dos lucros não distribuídos)]”.

“No pré-pandemia, as PME, principalmente as indústrias portuguesas assumem-se como um conjunto muito atomizado de empresas com conhecimentos técnicos bastante evoluídos – quase conhecimentos mecânicos muito evoluídos – criados no princípio do século XX como é o caso da Jayme da Costa ou antes da Primeira Guerra por um conjunto de portugueses que tinham uma competência técnica ligada a uma máquina qualquer que em muitos casos desenvolviam. Essas empresas foram evoluindo e quando essas empresas ficavam num patamar de faturação na casa dos 5/5 milhões ficavam sem grandes problemas e dificuldades (…). Todas as outras que começaram à procura de exportar, começaram a crescer porque tinham encomendas e a diversificar os seus produtos começaram a ter dois desafios: o de gestão porque em vez de serem empresas de 10 pessoas passaram a ser de 200 e um desafio de gestão de pipeline que lhes colocava, por sua vez, dois desafios, o de organização interna de processo e o de tesouraria. Estas empresas acumularam dívida e uma tesouraria negativa”.

“A Jayme da Costa, uma empresa com 100 anos, sempre muito sólida, foi comprada ao engenheiro Jaime da Costa por outros investidores. Esses outros investidores fizeram-na crescer e foram vendendo a empresa até que acabou nas mãos de uma família que tinha competências técnicas, mas que lhe faltava as competências de gestão e de gestão de tesouraria, pelo que começou a não ser capaz de cumprir a sua responsabilidade junto dos seus clientes, junto dos seus fornecedores e dos bancos”.

“O nosso fundo 1 permite às empresas a reestruturação da dívida, uma injeção de capital para reequilibrar os níveis de tesouraria e de cash-flow da empresa e uma nova gestão profissional capaz de guiar os desafios que enfrentam. O Fernando Lourenço é já de uma nova equipa de gestão que a CoRe Capital trouxe consigo”.

“Estes fundos de regeneração têm, de facto, de ser capazes de entrar na empresa e corrigir as fragilidades que tem para a partir dessas fragilidades começar a ver essa bola de neve a acontecer e a empresa com 100 anos a voltar a funcionar rapidamente”.

“Uma indústria que perca o seu saber fazer e o seu know-how é uma indústria que desaparece. Depois pode ser substituída, mas isso demora décadas”.

Fernando Lourenço, CEO da Jayme da Costa

“A Jayme da Costa nasceu há 100 anos, ou seja, em 1916, e terá surgido quando começaram as questões da eletrificação do país e houve um engenheiro pelos vistos chamado Jayme da Costa que decidiu fundar uma empresa para começar a fabricar equipamentos. No início, a importar equipamentos de energia eólica. Depois no tempo a começar a fabricá-los”.

“Quando uma empresa está com algumas dificuldade de tesouraria já há alguns anos como é o caso da Jayme da Costa e o dinheiro começa a escassear para honrar os compromissos com clientes, fornecedores e colaboradores, há um conjunto de processos que a empresa tinha que entram em desagregação”.

“Trabalhar para os clientes em projetos que são críticos, importantes, como parques solares, subestações que não podem falhar porque a receita dos nossos clientes depende do facto de estes projetos estarem prontos a tempo e horas obviamente que gerou stress e foi difícil contar a nossa história e ganhar a confiança desses investidores e de outros”.

“Clientes institucionais como uma EDP que são clientes que conheceram uma Jayme da Costa há muitos anos e que se lembram das coisas boas que a Jayme da Costa fez e dos anos e anos de boa parceria tendem – quando veem que o projeto é solido e tem por trás gente que conhecem e em quem confiam – a ganhar confiança e a passar uma esponja por cima daqueles quatro, cinco anos em que as coisas correram menos bem”.

“Com a pandemia, as coisas não correram nos timings que estávamos todos à espera. O plano que o fundo tinha e que nós tínhamos era para que as coisas acontecessem mais rápido. As coisas demoraram 6,7,8 meses mais do que previsto. Num fundo de investimento isto daria em reuniões indetermináveis, Powerpoint para explicar o que se passava. No caso do fundo da CoRe que é um fundo com rosto e que está mais próximo da gestão, as coisas fazem-se conversando, explicando e mostrando o que estava a acontecer”.

Reveja as conversas anteriores:

António Murta, fundador e CEO da Pathena, e Renato Oliveira, fundador e CEO da eBankit.
João Brazão, CEO da Eureekka e business angel, e João Marques da Silva, CEO da CateringAssiste.
Francisco Horta e Costa, managing director da CBRE, e Ricardo Santos, CEO da start-up Heptasense.
João Arantes e Oliveira, fundador e partner da HCapital Partners, e Nuno Matos Sequeira, diretor da Solzaima.
Tim Vieira, CEO da Bravegeneration, e Pedro Lopes, fundador da Infinitebook.
Luís Manuel, diretor executivo da EDP Innovation, e Carlos Lei Santos, CEO e cofundador da HypeLabs.
António Miguel, fundador e CEO da MAZE, e Guilherme Guerra, fundador e CEO da Rnters.
João Amaro, Managing Partner da Inter-Risco, e Carlos Palhares, CEO da Mecwide.
Pedro Lourenço, administrador da Ideias Glaciares, e Pedro Almeida, fundador e CEO da MindProber.
Alexandre Santos, diretor de investimento na Sonae IM e cofundador da Bright Pixel, e João Aroso, cofundador e CEO da Advertio.
Francisco Ferreira Pinto, partner da Bynd Venture Capital, e Eduardo Freire Rodrigues, cofundador e CEO da UpHill.
Basílio Simões, business angel e fundador da Vega Ventures, e Gustavo Silva, cofundador e CMO da Homeit.
Manuel Tarré, presidente da Gelpeixe, e Nuno Melo, cofundador e sócio da Boost IT.
José Serra, fundador e managing partner da Olisipo Way, e Tocha Serra, Partner & Startup Spotter da Corpfolio.
Stephan Morais, fundador e diretor-geral da Indico Capital Partners, e André Jordão, CEO da Barkyn.
Ricardo Perdigão Henriques, CEO da Hovione Capital, e Nuno Prego Ramos, CEO da CellmAbs.
Pedro Ribeiro Santos, sócio da Armilar Venture Partners, e Jaime Jorge, CEO da Codacy.
Miguel Ribeiro Ferreira, investidor e chairman da Fonte Viva, e João Cortinhas, fundador e CEO da Swonkie.
Cíntia Mano, investidora que está ligada à REDangels e à COREangels Atlantic, e Marcelo Bastos, fundador da start-up Sizebay.
Diamantino Costa, cofundador da Ganexa Capital, e Nuno Almeida, CEO da Nourish Care.
David Malta, Venture Partner do fundo de investimento Vesalius Biocapital, e Daniela Seixas CEO da TonicApp.
Sérgio Rodrigues, presidente da Invicta Angels, e Ivo Marinho, cofundador e CEO da StoresAce.
Alexandre Barbosa, Managing Partner da Faber, e Carlos Silva, cofundador da Seedrs.
Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto, e Nuno Brito Jorge, cofundador e CEO da GoParity.
Paulo Santos, managing partner da WiseNext, e Hugo Venâncio, CEO da Reatia.
João Matos, administrador executivo do dstgroup e presidente e CEO da  2bpartner, e Bruno Azevedo, CEO da AddVolt.
Luís Quaresma, partner da Iberis Capital, e Vasco Portugal, cofundador e CEO da Sensei.
Isabel Neves, business angel, e Rita Ribeiro da Silva, cofundadora da Skoach.
Pedro Tinoco Fraga, fundador da F3M e acionista da Braintrust, da BrainInvest e da BrainCapital, e César Martins, fundador e CEO da ChemiTek.
Roberto Branco, CEO da Beta Capital, e Luís Moreira, cofundador da Bullet Solutions.
Carlos Brazão, business angel,e Ricardo Mendes, cofundador da Vawlt Technologies.
Inês Lopo de Carvalho, partner da Crest Capital Partners , António Brum, diretor-geral do grupo Penta.
Luís Santos Carvalho, cofundador, partner e CFO da Vallis Capital Partners, e Óscar Salamanca, CEO da Smile-up.
Pedro Cruz, business angel e CEO da Gallo Worldwide, e Rogério Nogueira, CEO da Winegrid.
António Amorim, presidente da Amorim Cork Ventures, e Pedro Abrandes, fundador de As Portuguesas no Spe Futuri.

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