Num mundo profissional cada vez mais exigente e competitivo, alcançar resultados é, sem dúvida, fundamental; no entanto, alcançar resultados a todo o custo, sempre buscando o curto prazo e de forma muitas vezes desconexa e imediatista, não garante nem estabilidade nem sustentabilidade a longo prazo dos projetos e das marcas.
Quando o antropólogo norte-americano, James Cascio, introduziu, por volta de 2018, o acrónimo BANI (em português Frágil, Ansioso, Não-Linear e Incompreensível), como uma forma de descrever um mundo que se tornou caótico e difícil de compreender, talvez não imaginasse até que ponto a sua intuição se iria tornar num retrato tão expressivo e expandido da realidade que vivemos em 2026.
Numa altura em que o envelhecimento da população se apresenta como uma das tendências mais preocupantes das sociedades europeias (com particular expressão em Portugal), suscitando sérias apreensões em relação ao nosso futuro coletivo, o desenvolvimento tecnológico acelerado e, por vezes, desordenado, vai-se encarregando ele próprio de gerar fenómenos com um igual, ou maior, potencial de preocupação em relação a esse futuro, particularmente no tocante às evoluções dos mercados de trabalho.
O termo pode parecer forte, mas o que é de facto mais forte é aquilo que ele representa: a irracionalidade de uma época em que, mais do que confiar nas pessoas, na sua inteligência, na sua criatividade, aderimos cada vez mais à “ideia de que a IA será melhor do que os humanos” (1).
A questão da personalização do trabalho, baseada na ideia de que “o trabalho não é mais um lugar aonde se vai, e sim algo que se faz” (1), tem historicamente raízes que remontam às primeiras décadas do século XX e, atualmente, tem um grande reforço e generalização com os modelos de competências, como ilustra uma famosa expressão de Philippe Zarifian, quando propõe que “as competências fazem retornar o sentido do trabalho ao trabalhador” (2).
Uma das principais competências de uma pessoa virtuosa, é a sua capacidade de reconhecer, a cada momento, que certos comportamento e atitudes próprias, e mesmo estratégias de vida, não estão a ser…virtuosas.
Num artigo recente publicado na HBR (1), Amy Gallo reporta os resultados de um estudo sobre os conflitos no trabalho, onde se assinala que “94% dos respondentes afirmam ter trabalhado com uma pessoa “tóxica” nos últimos 5 anos.
Os novos tempos, sem dúvida muito turbulentos e inquietantes, estão a fazer ressurgir certos paradigmas e práticas que acharíamos já ultrapassados e definitivamente arrastados para o “caixote de lixo da História”.
De todas as formas de comunicação que existem, o insulto é talvez aquela que melhor exprime a aversão ao contraditório e o desprezo por quem tem ideias diferentes.
Vivemos há séculos com a ideia de que a verdade se opõe à mentira e que o fosso que separa estas duas entidades é claro e inequívoco, sendo, portanto, possível, desmontar e denunciar uma mentira através de uma informação rigorosa e supostamente objetiva.
Numa epígrafe ao Capítulo I do livro “Confiar & Inspirar” de Stephen M.R. Covey, Peter Drucker afirma que “daqui a umas centenas de anos, quando a história do nosso tempo for escrita numa perspetiva de longo prazo, é provável que o acontecimento mais importante que os historiadores vejam (…) poderá ser uma mudança sem precedentes na condição humana.
Vários autores têm vindo a alertar para o risco de que uma utilização excessiva e, sobretudo, acrítica de várias ferramentas digitais, pode incentivar nas pessoas “comportamentos que jamais ocorreriam no mundo real”.
