2019 foi “decretado” como o ano nacional da colaboração, numa iniciativa promovida pelo Fórum para a Governação Integrada (Fórum GovInt) e pelos seus parceiros – organizações de norte a sul do nosso país.

Este Fórum é uma rede colaborativa informal de instituições públicas e privadas que estuda, reflete e age sobre problemas complexos, promovendo modelos de governação integrada. Faz sentido. Os modelos atuais parecem estar esgotados e sem capacidade de dar respostas adequadas à complexidade dos problemas atuais.

Sob o mote “colaborar faz toda a diferença” esta iniciativa procura inspirar os portugueses a encontrar formas de colaboração mais descentralizadas e participativas. Parece evidente. Mas façamos um reality check: como é que o processo de tomada de decisões se faz normalmente nas organizações portuguesas? Como está distribuído o poder? Dar autonomia e delegar são hábitos? De que forma estão as pessoas a ser incluídas? A liderança acontece de forma participada ou isolada?

O tema da colaboração tem de estar na agenda. Mas sendo imposto? Parece até algo paradoxal, criar o “ano da colaboração”. Ironias à parte, é através de iniciativas muito meritórias como esta que a mudança pode e deve acontecer. Envolvendo o maior número de agentes e organizações, criando diversidade e inclusão, distribuição e participação.

É neste enquadramento e linha de pensamento/ação que existem abordagens como a da Sociocracia 3.0. Com uma base ideológica que remonta a 1851 e a Auguste Comte, a sociocracia ainda não é uma realidade em 2019, mas será certamente “a ordem social do futuro”. Um modelo de governance para organizações que se querem ágeis e resilientes. Flexibilidade e capacidade de adaptação são as “palavras de ordem”!

Esta “forma de viver” a cultura organizacional assenta em sete princípios: empiricismo – numa óptica de experimentação / teste, sem medo de errar e sempre numa lógica de aprendizagem (faz; testa; falha ou não; aprende com isso); eficácia – dedicando tempo apenas ao que acrescenta valor aos objetivos/resultados; melhoria contínua – foco na mudança incremental incorporando as novas aprendizagens; transparência –tornando a informação acessível e clara, com valores organizacionais bem definidos; responsabilidade –assumindo o indivíduo a “posse” das suas ações e dos impactos que daí derivam; equidade – revelando o uso da imparcialidade para reconhecer o direito de cada um, envolvendo as pessoas nas decisões que as impactam; consentimento – e não consenso, procurando identificar e gerir objeções num processo de tomada de decisão, numa base de respeito e de liberdade de expressão e não numa aparente concordância.

Com o nosso presente, poderemos perspetivar um futuro colaborativo? Conseguirão as organizações ser ágeis para lidar com a complexidade? Estarão as pessoas preparadas para fazer este caminho? O tema merece a nossa atenção mas sem tensão. Colaboração, precisa-se!

*Membro da Equipa de Coordenação – Portugal Agora

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Networker, curiosa e de espírito empreendedor, é Chief Energy Officer & Founder da ONYOU – Empowering & Learning Experiences, desenvolvendo vários projetos na área da educação e da formação de jovens universitários e executivos, com ênfase nas competências comportamentais pessoais... Ler Mais