Conheça os prós e os contras do recurso ao crowdfounding ou business angels, segundo Gilles Certhoux, professor de Empreendedorismo e Marketing na Audencia Business School, e Jean Redis, professor associado em Finanças e Empreendedorismo na ESIEE Paris.

O famoso ditado “Grão a grão enche a galinha o papo” reflete perfeitamente o financiamento participativo, mais conhecido pela sua designação em inglês: crowdfunding. Esta forma de financiamento é baseada num dispositivo para o financiamento de projetos através de vários internautas, podendo assumir diferentes formas: o donativo, a participação contra uma recompensa, o empréstimo ou a entrada no capital, através da compra de ações. Na verdade, as plataformas de crowdfunding (CF) oferecem uma ampla gama de oportunidades de financiamento.

Em paralelo, há os business angels (BA) que investem em projetos empresariais há vários anos. São investidores privados, motivados pelo desejo de ajudar jovens empreendedores a serem bem-sucedidos. Esses aventureiros do empreendedorismo têm uma sólida experiência na criação ou na gestão de empresas.

Business angels e crowdfunding podem ser os pilares no financiamento de PME e start-ups. Apesar de o seu campo de ação parecer semelhante, apresentam diferenças. Qual escolher?

Business angels: o que são?
Além do financiamento, os BA aconselham os jovens empreendedores nas escolhas estratégicas relacionadas com a administração, gestão, marketing e desenvolvimento de negócios. O seu relacionamento carateriza-se por uma certa proximidade cultural e cognitiva, bem como a proximidade geográfica. A eficácia do coaching é baseada em reuniões físicas.

Os BA proporcionam aos seus protegidos uma rede de contactos e representam uma garantia junto dos outros investidores. O seu apoio valoriza muito os projetos que apoiam. Em 2014, os BA permitiram, pelo efeito de alavancagem, multiplicar por 3,4 o montante global investido, num total de 110 milhões de euros.

Um estudo realizado pela France Angels, uma organização que federa em França os clubes locais de BA, mostrou que a sua principal motivação é participar nos empreendimentos, mais do que a motivação financeira ou o desejo de benefícios fiscais.

Antes de investir, eles realizam uma auditoria completa chamada due diligence, para avaliar o potencial do projeto. Em seguida, os BA alinham os seus interesses com os dos empresários, através da elaboração de contratos. Na maioria das vezes, utilizam ações preferenciais, obrigações convertíveis, condições para a libertação dos fundos, com base na realização dos objetivos fixados.

Por outro lado, eles estão plenamente conscientes do risco que a sua participação envolve, relacionados com o refinanciamento. Na verdade, muitos projetos em desenvolvimento exigem investimento posterior.

Para acompanhar melhor as empresas, é conveniente que os BA cumpram determinados critérios: terem experiência empresarial, bem como experiência no setor em que a empresa se insere, consagrar mais de 20 horas em due diligences e acompanhar ativamente as empresas que apoiam.

Crowdfunders: o que são?
Os crowdfunders têm experiências mais heterogéneas do que os BA. Embora a maioria adote uma atitude passiva, alguns possuem um estatuto de verdadeiro especialista pelas suas ações, opiniões e comentários acerca das plataformas de CF. Estes apoios ativos transmitem informações aos não-especialistas e valorizam os projetos que apoiam. No entanto, eles parecem mais motivados pela busca de benefícios sociais.

As abordagens diferem de indivíduo para indivíduo. Os crowders inserem-se numa lógica financeira, enquanto os internautas se inserem numa lógica afetiva. Tal como os BA, as motivações sociais e altruístas podem levá-los a aceitar maiores riscos e retornos mais baixos.

As plataformas de CF estudam e escolhem os projetos. Na maioria das vezes, os crowdfunders intervêm apenas no financiamento. No entanto, algumas plataformas, como a WiSeed, envolvem-nos no processo de seleção. É uma forma de teste, para medir o interesse dos internautas nos projetos. Além disso, as plataformas CF permitem que projetos beneficiem de grande visibilidade junto do público. O empreendedor pode, assim, refinar a sua oferta e identificar os seus clientes preferenciais.

Depois de avaliar os projetos, as plataformas de CF utilizam contratos-tipo e os veículos de investimento são geralmente ações simples.

Quanto ao risco de refinanciamento, os crowdfunders nem sempre são informados. Além disso, alguns não têm o dinheiro necessário para uma segunda fase. O projeto pode, por isso, desaparecer por falta de recursos.

O que escolher?
BA e crowdfunding são duas soluções diferentes, que apresentam vantagens e desvantagens, segundo Gilles Certhoux, professor de Empreendedorismo e Marketing na Audencia Business School, e Jean Redis, professor associado em Finanças e Empreendedorismo na ESIEE Paris, citados pelo Les Echos. É melhor recorrer a um angel ou mobilizar uma multidão de crowdfunders? Uma terceira forma seria uma mistura hábil de ambos.

Compete aos diretores das empresas jovens fazer a escolha que melhor se adapte às suas necessidades. Podemos oferecer-lhes pistas de reflexão. Para tornar os projetos mais visíveis e validá-los junto dos consumidores, as plataformas de crowdfunding baseadas no voto pela Internet parecem mais adequadas. A análise dos BA parece ser mais vantajosa para os projetos que necessitam de uma análise complexa ou de alguma confidencialidade.

Finalmente, em caso de coinvestimento, a maioria de BA são investidores ativos (“hands-on“). Eles asseguram uma monitorização continuada, trazendo mais valor ao projeto que apoiam, enquanto a generalidade das plataformas CF se comportam de forma passiva, aconselham Gilles Certhoux e Jean Redis.

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