A China já deteve mais de 90% do mercado dos bitcoins, mas em setembro deste ano decidiu banir a moeda virtual do país.

Depois de ter proibido as Initial Coin Offerings (ICOs), uma espécie de rondas de investimento feitas com moedas virtuais, e de ter banido as trocas de moedas virtuais em lojas físicas, o país não parece estar arrependido da decisão.

Quem o diz é Pan Gongsheng, vice-governador do Banco Popular da China. Numa conferência económica que ocorreu durante o fim-de-semana passado, foi-lhe pedido para comentar o aumento abrupto do valor do bitcoin, que subiu mais de 1000% em apenas um ano.

A imprensa chinesa citou o vice-governador que se questionou: “se não tivéssemos parado as trocas de bitcoins e encerrado os ICOs há meses, se a China ainda tivesse mais de 80% do mercado dos bitcoins e do levantamento de capital através de ICOs, o que é que estaria a acontecer hoje? Pensar nesta possibilidade mete-me medo”.

Pan Gongsheng remeteu o público para um artigo do colunista francês Éric Pichet no jornal La Tribune. Neste texto, o colunista, que também é professor numa business school francesa, afirma que o bitcoin não passa de uma bolha à espera de “rebentar”, tal como aconteceu nos Países Baixos com a febre da tulipa no século XVII e, globalmente, com a bolha da internet no virar do último século. Pichet prevê ainda que o bitcoin morra ou a partir de um roubo feito por um hacker à tecnologia blockchain, ou então a partir da proibição global por entidades governamentais.

Ainda com uma grande fatia do mercado do bitcoin, os serviços chineses dedicados à moeda virtual foram-se relocalizando noutros países. Os investidores locais também se viraram para mercados alojados noutros países para poderem continuar com a sua atuação. Segundo o jornalista chinês Zheping Huang, durante os últimos meses têm circulado indícios que apontam para que, eventualmente, Pequim venha a banir todas as atividades relacionadas com as moedas virtuais.

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