Atomico revela “Estado da Tecnologia Europeia”

A 7.ª edição do relatório analisa o panorama da indústria tecnológica na Europa e em Portugal e revela como as tecnológicas europeias estão a transformar-se em potências mundiais.

Portugal destaca-se no relatório Estado da Tecnologia Europeia 2021, revelado ontem, como o país europeu com o melhor índice de diversidade de género no setor tecnológico, com a proporção mais baixa de equipas exclusivamente masculinas que receberam financiamento este ano em 2021 (75%).

Esta é uma das conclusões do estudo da Atomico (em parceria com a Slush, e com o apoio da Orrick, Silicon Valley Bank e Baillie Gifford), onde é feita uma análise ao panorama da indústria tecnológica em 45 países da Europa. Globalmente, revela que a Europa está prestes a atingir um novo recorde de investimento anual na indústria tecnológica, com um valor de 88 mil milhões de euros investidos em 2021. Dados que indiciam que o continente europeu está a solidificar o seu posicionamento como uma potência tecnológica mundial, segundo esta análise.

Pela primeira vez, com um nível de investimento em start-ups early stage equivalente ao dos Estados Unidos, e com um número crescente de unicórnios, a Europa atravessa, de acordo com a pesquisa, um período de crescimento acentuado no setor da tecnologia, mais ainda do que no início da pandemia.

O relatório realça cinco tendências chave. Vejamos:

#Portugal destaca-se na Europa pela igualdade de género. Embora a diversidade de género nas equipas fundadoras permaneça baixa em toda a Europa, existem algumas variações entre os países. Portugal tem a taxa mais baixa de equipas fundadoras exclusivamente masculinas, que representam 75%, enquanto a Irlanda tem a taxa mais alta de equipas fundadoras exclusivamente femininas com 10%. (Fonte: Dealroom).

#Globalmente, a Europa posiciona-se como um player global de tecnologia. Por um lado, o número total de empresas na indústria tecnológica aumentou de 223, no ano passado, para 321 em 2021. Por outro lado, as grandes rondas de financiamento (valores superiores a 220 milhões de euros), representam hoje a norma na Europa. 33% do capital total investido, a nível global e em rondas de financiamento até 4 milhões de euros, foi em start-ups de early stage europeias. Atualmente, a Europa é a segunda região do mundo com maior investimento no segmento de start-ups em early stage, com um total de 2.9 mil milhões euros, a seguir aos Estados Unidos com 3.6 mil milhões.

# Os resultados excedem as previsões. A Europa continua a produzir mais IPOs de tecnologia do que os Estados Unidos, com 122 IPOs vs. 89 nos Estados Unidos em 2021.  Além disso, as IPOs de blockbusters (mais de 8 mil milhões de euros) estão a tornar-se no novo normal. Por exemplo, a maior IPO de 2021 foi da empresa romena UiPath, que se estreou com cerca de 31.4 mil milhões de euros angariados no primeiro dia de abertura. O valor global da reestruturação de empresas europeias do setor tecnológico por meio de fusões, aquisições e listagens públicas já está acima de 158 mil milhões de euros e excedeu os níveis de 2020.

# Start-ups ‘Planet Positive’ ganham força. Nos últimos cinco anos, foram investidos mais de 25 mil milhões euros em empresas de tecnologia purpose-driven na Europa, representando 15% de todo o financiamento e um aumento anual na ordem dos 57%.  As empresas com este perfil têm como objetivo o desenvolvimento para um futuro sustentável, abordando um ou mais SDG (Sustainable Development Goals).

# O acesso ao financiamento e talento são os principais desafios. No campo do financiamento, Portugal destaca-se com 54% dos inquiridos a considerar o financiamento como um desafio especial para a tecnologia europeia nos próximos 12 meses. 20% dos italianos e 29% dos espanhóis concordam que a angariação de fundos ainda é um desafio. (Fonte: Pesquisa sobre o estado da tecnologia europeia 2021).

Em Espanha, 59% dos fundadores indicam que têm mais dificuldade em adquirir um novo talento do que antigamente, a seguir ao Reino Unido (61%) e à Holanda (60%). No caso de Itália os fundadores adquiriram experiência no estrangeiro. O país tem a maior fatia de fundadores “migrantes”, em que 64% dos fundadores trabalharam previamente para uma empresa valorizada em mais de 881 milhões de euros fora do país. A Suécia e a Alemanha são os países com o índice mais reduzido nesta categoria.

Perante estas conclusões, Chris Grew, partner da Orrick em Londres, afirmou que “o setor da tecnologia na Europa está a atravessar um ponto de viragem. O atual nível recorde de investimento é o culminar de muitos anos de trabalho de base que agora está a revelar frutos”.

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