A liderança no feminino é, amiúde, presa num conflito esmagador. Devido a estereótipos usuais, as mulheres em cargo de responsabilidade são muitas vezes consideradas como muito boas profissionais e vistas como pouco femininas. Por outro lado, se são consideradas como sendo femininas então são desvalorizadas enquanto líderes. i.e., se és feminina não és um verdadeiro líder, se o és então não serás feminina.

Esta armadilha em que as mulheres se encontram, quando ultrapassada com êxito, é o cerne das vantagens ou, melhor ainda, da singularidade da liderança no feminino. Quando a preocupação pelo outro e pela felicidade dos colaboradores se une a uma estratégia que potencia a produtividade, a organização e a expansão do negócio então teremos o melhor da liderança no feminino, ou dito de outra forma, da liderança ponto final.

Esse ponto de equilíbrio pode ser alcançado por todos os homens e mulheres, mas devido ao facto de ser mulher na nossa sociedade corresponde a pertencer a um grupo social visto com menos poder, a mulher na liderança tem maior probabilidade de sentir conflitos e as necessidades dos seus colaboradores, que cada vez mais, também são mulheres.

As mulheres ocupam cada vez mais uma quota importante do mercado de trabalho e existem cada vez mais mulheres a completar cursos superiores. Se pensarmos apenas nos números totais já há muito que a paridade deveria ter sido alcançada. No entanto isso não acontece devido ao facto já referido do grupo considerado como detentor “natural” do poder ser o dos homens. Se isso é visto, infelizmente, como natural na situação de trabalho é perpetuado pelo lado familiar. Assim para que a situação mude é necessário mudar no trabalho e em casa.

E mais… A situação familiar é utilizada amiúde como justificação para não ser líder no trabalho.

Com cuidado talvez se devesse introduzir políticas de discriminação positiva tomando em atenção a proporção dos diferentes sexos que existam em determinados contextos profissionais. De reforçar que não está no gene masculino ou feminino a capacidade de liderança, mas sim na mensagem que nos tem sido transmitida de geração em geração.

Fazendo uma reflecção sobre todo o meu percurso, tenho muita pena de ainda hoje falarmos em igualdade de géneros.
Infelizmente sinto que já evoluímos muito, mas muito ainda há para conquistar. Também refiro sempre que a mudança tem que estar em primeiro lugar dentro de cada um de nós. Muitas vezes falei comigo própria, “…não é por seres mulher que não vais dar continuidade ao trabalho da família!…”, isto é, a tal afirmação e mudança pela qual temos de lutar embora eu perceba que nem todas a mulheres têm a sorte de ter na família (e aqui refiro o meu pai e o meu marido), pessoas com mentes abertas capazes de aceitar a igualdade de géneros.

Agora eu posso confirmar com toda a minha experiência:

“…que não existem trabalhos para mulheres nem para homens, existem as pessoas certas nos lugares certos…”.

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A vida de Leonor Freitas confunde-se, desde a primeira hora, com a terra e as propriedades da família que a viram nascer. Nasceu em Fernando Pó, fez a escola primária na mesma localidade, o ensino secundário em Setúbal e os... Ler Mais