Houve barreiras que foram quebradas para que o empreendedorismo chegasse ao seu estado atual. Conheça os sete obstáculos do século XX que foram ultrapassados e que facilitam o trabalho dos empreendedores.

No século passado, as start-ups estavam bastante limitadas por fatores que só hoje são compreendidos. Nesta lista damos a conhecer sete mudanças históricas que mudaram o rumo do empreendedorismo, segundo a Inc.

  1. A falta de clientes e a lenta adoção da tecnologia nos negócios

Os primeiros clientes das start-ups eram os governos e as grandes empresas. Estes dois grupos adotaram a tecnologia a um passo lento, o que criava uma barreira à inovação.

Nos anos 50 e 60, o departamento de defesa e inteligência dos Estados Unidos impulsionou a inovação em Silicon Valley ao dar ferramentas de pesquisa e desenvolvimento às universidades. Os norte-americanos investiram também em empresas especializadas em defesa, que construíram armas que usaram os inovadores sistemas de micro-ondas e componentes semicondutores.

Entre os anos 70 e 90, a tendência virou-se para as grandes empresas que apostavam na inovação nos computadores, no hardware das comunicações e no software para as companhias.

Hoje, o desenvolvimento de hardware e software é apontado para os consumidores, mais especificamente para as empresas da internet que se focam nos utilizadores. Este é o novo canal que difunde a inovação. Atualmente, se os produtos forem feitos para integrar computadores ou “smartphones”, a adoção de milhões de pessoas pode acontecer em apenas alguns meses, em contraste com às décadas que demorariam há alguns anos atrás.

  1. Os longos ciclos de inovação tecnológica

No século XX, as start-ups demoravam anos no processo entre a ideia do fundador até ao produto final que se adequava aos clientes. Isto significava integrar todas as funcionalidades que a equipa tinha em mente num único produto.

Ainda assim, de tempo em tempo, depois do produto ser enviado, as start-ups descobriam que os clientes não utilizavam nem queria a maioria das funcionalidades disponibilizadas. Isto acontecia pela simples razão de que as funcionalidades eram pensadas pelos fundadores sem qualquer tipo de “feedback” dos clientes.

Atualmente, as start-ups desenvolvem os seus produtos ou serviços de maneira diferente. Em vez de construírem o máximo de funcionalidades, as equipas tratam a visão do fundador como sendo algo que ainda não foi experimentado. Com isto em mente, os fundadores testam o protótipo e conseguem criar um produto minimamente viável para ser lançar ao público num curto espaço de tempo.

  1. Fundadores descartáveis

Hoje em dia, vemos produtos a serem lançados e a terem uma imediata procura do público. O jogo de realidade aumentada Pokemon GO é um bom exemplo para ilustrar este novo mercado. Esta aplicação para “smartphones”, que foi lançada há quase um ano, já conta com mais de 650 milhões “downloads” e, em apenas três meses, atingiu 540 milhões de euros em receitas.

No século passado este tipo de sucesso era economicamente inatingível. Tendo sido uma era dominada pelo hardware, software e pelas ciências da vida, as tentativas de a tecnologia entrar no mercado existente foram acontecendo a passo lento. O sucesso que o Pokemon GO teve em três meses poderia demorar anos ou mesmo décadas a acontecer a uma start-up da época.

Este longo processo por trás do sucesso de uma empresa da época fazia com que o fundador e os valores da sua start-up fossem vistos como algo descartável, na medida em que não afetaria o negócio nem a curto nem a médio prazo. Contratar um CEO que tivesse experiência em fazer crescer uma empresa em volta de uma inovação técnica era uma decisão frequente. Estes tipos de decisões eram consideradas racionais.

Atualmente, as start-ups passam por fases continuas de disrupção antes dos investidores poderem reaver os seus investimentos. Para as empresas se manterem no mercado no século XXI, as start-ups precisam de estar:

-Continuamente a inovar o seu produto;

-Para estarem continuamente a inovar, estas microempresas precisam de operar a uma velocidade bastante mais exigente que antigamente, o que significa terem de manter os valores e a cultura da empresa durante anos;

-A inovação contínua requere imaginação e coragem para desafiar continuamente o modelo de negócios adotado.

E quem é que consegue manter todos estes pontos em funcionamento desde o primeiro dia? Os fundadores.

  1. A quantidade de dinheiro que é preciso para começar um negócio

Tradicionalmente, as start-ups precisavam de milhões de euros de investimentos só para conseguirem ter um protótipo do produto que mais tarde iriam vender ao público. Uma empresa que pudesse querer desenvolver um “software” teria de comprar computadores, contratar pessoal qualificado e ainda teria de comprar as licenças dos programas de outras empresas que ajudariam a criar o seu próprio “software”.

Na atualidade, as start-ups podem usar programas em “open source”. Este novo género de programas reduz os custos de produção de milhões para milhares de euros.

Os produtores de “hardware” já não precisam de montar fábricas especializadas para construir o seu produto. Com o decorrer dos anos, a China tornou-se a fábrica para qualquer produto físico.

O custo geral de uma empresa que se dedica a desenvolver programas ou produtos para a internet passou, ao contrário do provérbio, de 80 para 8, devido a todas estas condicionantes.

Para este tópico, tome como exemplo modelo a Peak Design, uma start-up norte-americana que hoje em dia vale 21 milhões de euros e que nunca precisou de investimentos.

  1. A estrutura dos fundos de capital de risco

No século passado, lançar com uma start-up podia custar milhões de euros, ao contrário de hoje em dia. Como consequência, também os fundos de capital de risco começaram a poder investir em mais start-ups.

Estes fundos, que costumavam ser um clube bastante restrito à volta de grandes empresas formais, viram outros “players” menos conservadores e mais pequenos a entrar no jogo. Os fundos de capital de risco deixaram de ter os seus epicentros na Europa e na América do Norte. Países da Ásia como a China e a Índia começaram a investir e a incentivar o empreendedorismo numa escala só antes vista nos anos áureos da América capitalista.

A criação de novos pequenos grupos de investidores – que tradicionalmente eram formados por fundos de centenas de milhões de euros -, como os business angels, que fazem pequenos investimentos e que ajudam não só financeiramente como também servem de mentores às start-ups, vieram mudar o ecossistema das start-ups.

Na última década, os investidores de empresas e os fundos de capital de risco independentes começaram a apostar nas start-ups mais tarde. A necessidade de procurar negócios de grande valor levou as avaliações até ao território das start-ups unicórnio (uma start-up que vale mais de 900 milhões de euros, ou mil milhões de dólares).

Desta maneira, os fundadores começaram a ter mais controlo sobre a sua empresa, visto que, quanto mais tarde é feito um investimento, mais dinheiro vale a start-up em causa e, por consequência, as partes compradas pelos investidores são menores.

Por curiosidade, sabe quantas start-ups estão avaliadas como unicórnios? Fique a saber neste artigo.

  1. A maneira como as start-ups pensam nelas próprias

Desde a viragem do século que houve uma mudança radical na maneira como as start-ups pensam nelas próprias. Até então, os investidores e os empreendedores geriam e agiam como grandes empresas. Isto passaria por fazer tudo o que uma grande empresa faria. Se os grandes “players” do mercado em que a start-up se inseria escrevessem um plano de negócios, contratassem marketers, vendedores e engenheiros, as start-ups seguiam exatamente o mesmo caminho.

O que na altura parecia ser o correto, hoje em dia é uma falha percetível. Contratar este pessoal todo sem haver um canal de receitas é um erro crasso.

Atualmente já existem várias maneiras de uma start-up se lançar ao mercado sem precisar de ter um escritório cheio. Os empreendedores começam por descrever aquilo que pressupõem e depois começam a testar as suas hipóteses junto de possíveis clientes e desenvolvem o seu produto com base no “feedback” recebido. Quando os fundadores descobrem que as suas suposições estavam erradas não leva a uma crise, leva antes a uma oportunidade para melhorar e construir um plano de negócios melhor.

  1. A disponibilidade da informação

No século XX, os CEO aprendiam uns com os outros através da partilha de experiências pessoais em encontros dedicados a esse tipo de partilha de informação. Felizmente, hoje em dia qualquer aspirante a fundador de uma start-up pode aprender noções básicos, como gerir um negócio através de vídeos do YouTube, blogs, publicações online, entre tantas outras fontes de informação.

Há também a possibilidade de integrar uma incubadora ou uma aceleradora, onde os projetos podem ser levados ao expoente das suas potencialidades.

O acesso à informação resulta numa geração de empreendedores muito mais bem instruídos no que toca à indústria em que estão inseridos.

 

As barreiras ao mundo do empreendedorismo não estão apenas a ser removidas. Estão a ser substituídas por métodos mais inovadores.

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