Entrevista/ “As empresas têm de ouvir os seus colaboradores e entender que as suas necessidades mudaram”

Borja Aranguren, CEO da Cobee

A Cobee, plataforma digital que permite às empresas gerir e oferecer benefícios para colaboradores de forma automatizada, acaba de iniciar operações em Portugal. Em entrevista ao Link To Leaders Borja Aranguren, CEO da start-up espanhola, fala da aposta no mercado português, dos planos que oferecem às empresas e dos projetos para o futuro.

A Cobee, plataforma digital que permite às empresas gerir e oferecer benefícios aos colaboradores de forma flexível e automatizada, acaba de iniciar as suas operações em Portugal.

Fundada em 2018 por Borja Aranguren e Daniel Olea, e com capital de investidores como Speedinvest, Target Global e do business angel Chris Bouwer (cofundador da plataforma de pagamento Adyen), a start-up já revolucionou os planos de benefícios em Espanha, ganhando a confiança de empresas como a WPP, PwC, Telefónica, Booking, TripAdvisor ou a Glovo.

Com a abertura da sede em Lisboa, a start-up pretende replicar o modelo de sucesso que já triunfa em Espanha e adaptá-lo às necessidades das empresas e trabalhadores portugueses, avança o CEO da Cobee.

O que levou a Cobee a escolher Portugal para operar?
Começar a operar em Portugal era algo que queríamos fazer desde o início, mas estávamos à espera do momento mais adequado. Vemos muitas semelhanças nos dois países, tanto em termos de condições como de necessidades, nesta área da gestão de benefícios para colaboradores; por outro lado, detetamos também uma profunda sinergia comercial entre os dois territórios, começando por muitos dos nossos clientes, que têm operações a nível ibérico. Assim, este sempre foi um passo lógico na nossa estratégia.

Qual a estratégia e objetivos para Portugal?
A Cobee é a única plataforma que reúne todos os benefícios num mesmo local e de forma 100% digital; o nosso principal objetivo é trazer ao país um pacote de benefícios que os colaboradores adorem e que não implique um aumento da carga administrativa para as equipas de RH. A estratégia que vamos aplicar engloba apostar em conhecer e compreender muito bem o mercado português, para adaptarmos a nossa proposta de valor às necessidades das empresas portuguesas. Para isso apostámos nesta chegada, que os nossos atuais clientes já nos pediam há algum tempo, e com a ajuda deles vamos crescer aqui. Queremos ter um ano muito produtivo em Portugal.

Como é constituída a equipa em Portugal?
A força de trabalho da Cobee duplicou no ano passado e queremos continuar a crescer. Em Lisboa contamos já com três profissionais nativos que possuem profunda experiência e conhecimento do mercado português. Em Espanha, em Madrid, também temos colegas dedicados a apoiar a equipa portuguesa.

“Os colaboradores estão habituados a planos de compensação dispersos, mas temos conseguido adequar a nossa oferta às suas necessidades, alcançando até 70% nas taxas de adesão da força de trabalho aos planos de benefícios corporativos dos nossos clientes”.

 Quais as previsões para este ano?
A aspiração da Cobee é romper com o existente e o estabelecido, somos disruptivos num mercado que se manteve igual nos últimos 20 anos. Os colaboradores estão habituados a planos de compensação dispersos, mas temos conseguido adequar a nossa oferta às suas necessidades, alcançando até 70% nas taxas de adesão da força de trabalho aos planos de benefícios corporativos dos nossos clientes. Os nossos planos com esta primeira expansão englobam conseguir igualar estes resultados em Portugal, oferecendo um novo conceito quanto à forma como consumimos os benefícios.

Que tipo de mais-valias pode a Cobee oferecer às empresas portuguesas?
A nossa proposta de valor é simples, mas importante. Proporcionamos às equipas de RH uma única plataforma automatizada a partir da qual podem oferecer aos seus colaboradores os benefícios que entenderem, reduzindo grande parte de sua carga administrativa em comparação com outros modelos mais tradicionais; e tudo isto sem necessidade de outros fornecedores ou intermediários.

Aos colaboradores oferecemos uma plataforma muito simples e intuitiva (uma aplicação móvel e um cartão) a partir da qual podem gerir todos os benefícios de forma autónoma. Para além disso, outro ponto muito importante é que nosso produto é 100% digital, flexível e personalizado, ou seja, adapta-se perfeitamente a empresas e equipas de todas as dimensões, permitindo uma gestão fácil, independentemente de estarem no escritório ou a trabalhar em casa.

“Em Espanha já trabalhamos com empresas maiores como a PwC, WPP, Avis, Glovo ou TripAdvisor, mas também com empresas mais pequenas como a Hawkers ou The Power MBA”.

Que tipo de cliente querem conquistar em Portugal?
O nosso produto adapta-se a qualquer empresa. Em Espanha já trabalhamos com empresas maiores como a PwC, WPP, Avis, Glovo ou TripAdvisor, mas também com empresas mais pequenas como a Hawkers ou The Power MBA.

Como avalia as empresas portuguesas em relação às boas práticas de Recursos Humanos? Diria que este segmento do mercado tem evoluído nos últimos anos?
Há uma tendência que se reforçou nos últimos anos, mas mais do que nunca com a pandemia: as empresas têm de ouvir os seus colaboradores e entender que as suas necessidades mudaram. É algo comum a todos os países e Portugal não é exceção.

Focando-nos nisto, percebemos que os benefícios tradicionais que existem atualmente no mercado português não vão ao encontro das verdadeiras necessidades dos colaboradores. Foi por isso decidimos apostar neste país, para oferecer um produto que se adapte à digitalização que nos rodeia e que facilite a vida tanto das empresas, como dos colaboradores.

Que empresas estão mais vocacionadas para aplicar medidas de satisfação no local de trabalho? As grandes multinacionais, com anos de experiência nesta área, ou cada vez mais as PME e as start-ups?Todas as empresas podem estar preparadas para inovar, independentemente de serem multinacionais ou terem uma equipa de 10 pessoas. O mais importante é que queiram realmente adaptar-se às novas necessidades do talento da empresa, e que tenham interesse em retê-lo e cuidar dele, para conseguirem equipas mais felizes e motivadas.

Sente-se, de alguma forma, que há mais necessidade de as empresas reterem e atraírem cada vez mais o melhor talento para serem bem-sucedidas? Nomeadamente para uma boa internacionalização?
Sim, acredito que o talento é um fator que ao longo dos anos é cada vez mais importante para as empresas. Não se trata apenas de atrair profissionais – cuidar da equipa e mantê-la motivada, independentemente da realidade empresarial em que vivam, é um dos pilares fundamentais para o bom funcionamento das empresas. Isto consegue-se através de comunicação, de ouvir as suas necessidades e implementar programas de benefícios que ajudem a aumentar o seu bem-estar na empresa e seu sentimento de pertença.

Que balanço faz da atuação da Cobee em Espanha?
Foi sem dúvida um ano de grande crescimento para a Cobee, no qual conquistámos a confiança de grandes empresas internacionais. Em tão pouco tempo, o nosso produto já foi validado pelos nossos clientes, que adoram utilizar Cobee. Isto viu-se refletido num forte “boca a boca” entre colaboradores, o que nos fortaleceu e fez com que pedissem proativamente o nosso produto aos seus departamentos de RH.

Quanto faturaram no ano passado?
Não podemos partilhar números; no entanto, posso dizer que quadruplicámos a nossa receita entre o início de 2020 e o início de 2021, embora ainda não sejamos lucrativos.

“Para além disso, num momento em que as empresas procuravam cuidar das suas equipas mais do que nunca, vimos como o interesse pela Cobee aumentou rapidamente”.

De que forma foram afetados pela pandemia?
A Cobee é uma empresa 100% tecnológica e isso permitiu-nos levar os nossos computadores e continuar a trabalhar normalmente a partir das nossas casas. Não parámos nem por um segundo e mais contratámos muitos novos colaboradores durante a onda mais difícil da pandemia.

O nosso produto é importante para o mercado e tem forte impacto nas empresas, que não queriam privar os seus colaboradores dele. Para além disso, num momento em que as empresas procuravam cuidar das suas equipas mais do que nunca, vimos como o interesse pela Cobee aumentou rapidamente.

Que outros países estão na mira da Cobee?
Neste momento estamos 100% focados em Espanha e Portugal. Mas temos em mente continuar o nosso processo de expansão para outros países na América Latina, como o Brasil.

Projetos para o futuro…
No momento, estamos focados no bem-estar dos colaboradores e passa por adicionar os novos produtos que nos pedem, e assim melhorar a experiência total que lhes oferecemos. Mas é claro que queremos continuar a crescer como temos feito até agora.

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