Os espaços de trabalho como instrumento de atração e retenção. Visitei nos últimos meses algumas empresas que investiram na modernização das suas instalações, criando soluções inovadoras, como que a apelar a que os colaboradores venham usar estes espaços.

Espaços abertos, colaborativos, auditórios informais, salas para uso comum, diminuição da estratificação funcional, possibilidade de trabalhar em diferentes ambientes na empresa, salas que estimulam a criatividade, espaços de wellbeing e de meditação, salas lúdicas, com consolas e diverso equipamento recreativo, pistas para corrida ou caminhadas nas horas de descanso, diversas soluções para refeições, para vários gostos, tudo é pensado para quem vai trabalhar naqueles espaços.

Espaços onde os clientes também são bem-vindos e ali encontram um ambiente friendly e que respira modernidade, inovação.

Edifícios abertos à comunidade, ao bairro onde estão inseridos, que se disponibilizam para ali receber os vizinhos, seja para fazer uma refeição, seja para ceder espaços para reuniões de cidadania, ou para ocupar os filhos em épocas especiais. E até empresas que deixaram um edifício único, centralizado, para ocuparem vários edifícios mais pequenos, decididos em face do levantamento dos locais de residência dos colaboradores.

Mas não é só o espaço que muda nestas empresas. Ensaiam-se novas formas de trabalhar, colaborativas, de proximidade, por projetos, que estimulam a comunicação, a criatividade, a co-criação, a inovação, enquanto aumentam o sentimento de pertença.

Depois de dois anos de pandemia, os regressos às empresas, ainda que em figurinos híbridos, nem sempre têm sido fáceis, com muitos colaboradores a perguntar porque vou gastar 1 hora de caminho para a empresa e outra hora no regresso a casa, se já se viu que posso trabalhar em casa.

São argumentos muito válidos. Ainda assim, algumas empresas começam a perceber que temas como a vivência da cultura e a inovação ficam algo prejudicados com o trabalho remoto. Quando apenas em remoto, torna-se mais difícil a unificação dos valores, a comunicação fluida e informal, a entreajuda, os processos de transformação…

É aqui que entra o investimento nestes conceitos de novos espaços de trabalho, como “peça” importante na sua oferta de valor enquanto empregador.

Sabemos que, por exemplo, convidar jovens a vir experienciar estes espaços favorece a atração e usar os mesmos como veículo para práticas de conversas regulares contribui para a sua retenção.

O espaço passa, assim, a fazer parte da experiência que queremos que os colaboradores vivenciem na empresa. E, com as novas formas de organizar o trabalho que proporcionam, os novos espaços são um potente gerador de satisfação e de orgulho.

Recuando alguns (muitos…) anos, recordo um colaborador da Marconi, quando inaugurámos o edifício na Álvaro Pais, partilhar comigo que sempre que vinham familiares da Madeira, sua terra de origem, os levava a ver o edifício, tal era o orgulho que sentia em fazer parte daquele projeto.

No fundo, a empresa sai sempre ganhadora, quando dá valor a quem cria valor.

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Sobre o autor

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Isabel Viegas é atualmente Chief People Officer na Semapa e professora na Católica Lisbon School of Business & Economics. Foi Diretora-Coordenadora de Recursos Humanos do Grupo Santander em Portugal, de 2003 a 2016, bem como Diretora de Recursos Humanos da... Ler Mais