Opinião

APP quer ajudar as empresas a exportarem em boas condições térmicas

Manuel Pizarro, diretor-geral da APP Advanced Products

A empresa da Maia é responsável por criar soluções que garantam a cadeia térmica dos produtos durante as operações de transporte, manipulação e armazenamento. O seu diretor-geral fala sobre os desafios deste tipo de transporte e do impacto financeiro que tem nas empresas nacionais.

Como surgiu a APP Advanced Products?
A APP surge como consequência da falta de oferta no mercado de soluções completas e customizadas para o armazenamento, manipulação, transporte e distribuição de produtos termo sensíveis. A nossa experiência, aliada à partilha de conhecimentos entre a APNetwork, permite-nos desenvolver e comercializar soluções que ajudam as empresas a trabalhar a sua cadeia térmica com maior eficiência.

Quais os desafios deste tipo de transporte e o impacto financeiro inerente para as empresas?
O maior desafio deste tipo de transporte é garantir a cadeia térmica dos produtos termo sensíveis, independentemente das condições a que vão estar sujeitos durante o percurso. Os ganhos financeiros para as empresas são enormes. Ao investir em soluções tecnológicas da cadeia térmica, vai-lhes ser possível manter a validade dos seus produtos, evitando perdas e desperdícios. Adicionando ao facto de que ganham vantagem competitiva ao fornecer produtos de qualidade.

Qual o setor, ou empresas, que mais recorre à APP Advanced Products?
Do setor farmacêutico, recorrem laboratórios, logística e indústria farmacêutica com foco na exportação. No setor alimentar, a indústria alimentar, tradings, empresas relacionadas com o canal HORECA e, principalmente, a grande distribuição.

Quais os produtos que exigem um cuidado redobrado no transporte?
No setor alimentar, a carne, o leite, o peixe, frutas, vegetais e bebidas; no biológico, o sangue e seus derivados; no biotecnológico, as amostras para transplantes de osso e pele (congelados); da biotecnologia, os órgãos para transplante, como coração, pulmões, fígado, pâncreas, vaso, córneas (refrigerados); no setor farmacêutico, os fármacos refrigerados; e, ainda, a indústria de adesivos.

Como têm dado a conhecer os vossos serviços?
A APP dá a conhecer os seus serviços através da sua equipa de consultores, dotada de conhecimentos técnicos da cadeia térmica e das suas soluções. Acontece muitas vezes que, ao respondermos com sucesso aos desafios colocados pelos nossos clientes, são os próprios que aconselham as nossas soluções a players que atuam na mesma área. O nosso departamento de comunicação e marketing tem trabalhado a gestão da reputação da empresa, fazendo a ponte com os vários stakeholders. Graças ao excelente trabalho que tem desenvolvido, temos sido alvo de interesse por parte da imprensa, o que nos permite comunicar de forma mais eficaz os nossos serviços e soluções. Participamos em importantes feiras, a nível nacional e Internacional, e somos convidados para participar como oradores em eventos de grande enfoque nos setores da logística, alimentar, saúde e novas tendências.

Que estratégia têm adotado para garantir que os produtos cheguem em perfeitas condições ao destino final?
Qualificando da melhor forma possível os envios dos nossos clientes. O objetivo é que os seus produtos não sofram oscilações de temperatura. A qualificação passa por “prever” o que vai acontecer durante o percurso. No nosso laboratório, equipado com uma câmara de ensaio térmico, fazemos testes, onde os protótipos das embalagens são submetidos a condições extremas de temperatura e onde é realizada uma simulação dos perfis em ambiente de verão e inverno de cada país. Isto porque a temperatura ambiente do país de origem pode ser muito diferente do país onde faz escala ou mesmo do país de destino. Para ajudar os nossos clientes a compreenderem um pouco melhor este processo, temos disponível no nosso site a previsão a 15 dias da temperatura de algumas zonas a nível nacional e internacional.

Quanto faturaram no último ano?
No negócio realizado em Portugal (APP e fábrica) faturamos cerca de 2 milhões de euros.

Quanto representa o mercado interno no negócio? E o externo?
O mercado interno representa 85% e o externo 15%, sendo que a curto prazo pretendemos atingir os 30%.

Como é que a empresa tem contribuído com os seus produtos para a participação de Portugal no comércio global de produtos?
Começo por dar alguns exemplos positivos. As exportações de vinho português cresceram 8,5% em valor e 5,7% em volume, nos últimos cinco anos, as vendas de bens agroalimentares e bebidas para o exterior registaram um crescimento médio anual de 5,4%, o valor da exportação de medicamentos desde o início desta década duplicou. Posto isto, é de referir que um dos maiores desafios da exportação – falo concretamente de produtos perecíveis que necessitam de temperatura controlada –, é garantir que os mesmos chegam ao destino final com a mesma qualidade com que saíram de Portugal. Se uma empresa exportar um produto perecível sem garantir a sua proteção das possíveis alterações de temperatura durante o percurso, corre o risco de perder o negócio, o cliente, o investimento e os produtos.
Tendo em conta este cenário, é possível compreender como a APP tem ajudado as empresas a exportar. Aliada à nossa experiência, o laboratório de que dispomos desenvolve não só soluções tecnológicas da cadeia térmica inovadoras, assim como consegue, através de estudos específicos, calcular a temperatura a que o produto vai estar sujeito, desde a origem até ao destino. É importante, contudo, reforçar que estes estudos se baseiam na informação que é dada pelo cliente. Isso significa que quanto mais detalhada esta for, maior será a probabilidade de o transporte ser bem-sucedido.

Qual será o futuro do transporte de cadeia de frio?
O futuro do transporte de cadeia térmica (chamada cadeia de frio), passa por usar soluções eficazes, economicamente vantajosas e que respeitem o meio ambiente. Entre as cinco principais tendências globais da Tecnologia da Cadeia Térmica, especialmente em 2017, destacam-se os sistemas de embalagens passivas e ativas e a seleção de embalagens de uso único e reutilizáveis para o transporte de produtos termolábeis.
Os dois fatores-chave que contribuem para a decisão da utilização de embalagens de uso único ou embalagens reutilizáveis, além dos próprios controlos e especificações de temperatura, são os impactos financeiros e ambientais.

Projetos para o futuro…
Passam por consolidar a nossa aposta na internacionalização em países como Brasil, Polónia e Marrocos. Responder cada vez melhor às solicitações do mercado global e reforçar as relações da AP Network, objetivando o crescimento sustentado e a partilha de conhecimento.
Quando falamos do futuro, a micro logística destaca-se pela crescente contribuição na criação de novos conceitos e modelos de negócios e, como consequência, a criação de postos de trabalho. As novas cidades conseguem, através da logística urbana, suprir as necessidades imediatas dos consumidores, seguindo as boas práticas de distribuição, de forma sustentável, com impacto positivo no meio ambiente. Sobre este último tema, a Comissão Europeia já assumiu que, até 2030, pretende limitar e reduzir ao máximo o nível de emissões de CO2. De referir que cerca de 72% da população da União Europeia está concentrada nas cidades. Resumindo, a APP quer acompanhar as novas tendências, desenvolvendo soluções que se adequem perfeitamente a esta nova tendência e, dessa forma, dar resposta às necessidades imediatas dos clientes.

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