Uma crise empresarial define-se quando um conjunto de variáveis, por si só, apresentam uma ameaça ao sucesso de uma determinada empresa. Geralmente o resultado reflete-se em danos de reputação de uma empresa, em dificuldades acrescidas nas finanças e no abrandamento ou até na interrupção das suas operações habituais e, por fim, na falência total e no respetivo encerramento.

Uma crise pode vir tanto de dentro da empresa como de uma fonte externa. Seja uma crise causada por uma pandemia inesperada, como a Covid-19, ou por uma guerra que ninguém antecipou, como a da Ucrânia, ou por fatores globais e generalizados de instabilidade económica e financeira, à escala mundial. De qualquer forma, todos os possíveis efeitos colocam seriamente em risco qualquer empresa.

A única maneira de se poder lidar com uma crise é estar bem preparado tentando, de alguma forma, antecipar cenários, gerindo a crise e implementando processos de preparação e tratamento de qualquer situação potencialmente prejudicial para uma empresa, para os seus funcionários, para os seus clientes ou investidores, mitigando danos e suportando os tempos difíceis até voltar à estabilidade.

Seguramente que não planeamos as crises nem tão pouco os potenciais erros de gestão, mas podemos definitivamente ter a certeza de que as empresas podem, na maioria das vezes, lidar com qualquer situação que surja no seu caminho. No entanto não podemos nunca esquecer que as crises existem, são por norma imprevisíveis, podem escalar num ápice e podem pôr a sobrevivência de qualquer negócio em causa.

Quando estamos a gerir uma crise temos de determinar que quantidade de impacto negativo se deve ao mercado e às imprevisibilidades das crises, e que quantidade se deve aos erros de gestão da própria empresa e à falta de mecanismos para as combater.

Passa a ser obrigatório ter um plano de gestão de crise que tenha como prioridades reavaliar a forma como são controladas as despesas, interagir com os clientes e lidar com problemas da cadeia de abastecimentos, a escassez de mão de obra, as inevitáveis interrupções de produção nos principais mercados e outras variáveis de natureza operacional.

Outra prioridade que é pouco valorizada é a comunicação. É fundamental que se comunique a estratégia de gestão de crise aos funcionários, acionistas, clientes e parceiros, bem como a forma como essa mesma estratégia terá o seu progresso e sucesso medido. Parece básico, mas é precisamente por desvalorizar estes alertas associados a problemas de instabilidade global, que degeneram em crises, que a maioria das empresas tropeça, sejam elas PME ou grandes empresas.

Não é fácil gerir uma empresa em tempos de crise como os que estamos a viver tendo alterações de cenários constantes e quase numa base diária. A imprevisibilidade que já existia com a pandemia agravou-se com a guerra e o efeito da inflação é cada vez mais preocupante. Manter as empresas e todas as suas responsabilidades assumidas pode ser um fardo muito pesado e difícil de gerir para a maioria dos empresários.

A ascensão destas novas crises nunca antes vistas ou únicas numa geração, com enorme grau de imprevisibilidade, aceleram os fatores negativos e os seus impactos e exigem agilidade nas respostas, soluções inovadoras e assumir riscos…muitos riscos.

Muitas empresas não irão aguentar por motivos diversos desde a dificuldade de acesso ao crédito, problemas estruturais de tesouraria, falta de fatores de inovação, falta de mecanismos de controle de gestão, fraca relação com os clientes, pouca diversidade de atuação em vários mercados, grande dependência de um produto ou meio de produção, entre outros.

Mas a vida é assim e enquanto acabam umas empresas outras irão nascer com base na aprendizagem das consequências que a crise trouxe aos empresários menos afortunados e às suas empresas. Como dizia George Bernard Shaw, jornalista irlandês e cofundador da London School of Economics, “É impossível progredir sem mudança, e aqueles que não mudam as suas mentalidades, não podem mudar nada.”.

É precisamente a mudança de mentalidades e de abordagens que pode reverter o processo de destruição do tecido empresarial que está menos preparado e Portugal, com mais de 80% do seu tecido constituído por PME, tem de perceber que modelos de gestão empresarial profissionais associados à existência de planos de contingência e de gestão de crise são essenciais para a sobrevivência nos novos tempos que vivemos e que viveremos no futuro.

Portanto, a crise está aí e tem de ser gerida. Ninguém está imune a ela e os desafios do mercado – com as influências da guerra, da crise energética e da inflação – irão expor os problemas muito mais rápido do que em condições normais.

No entanto, na adversidade há sempre uma janela de oportunidade e é precisamente nestes tempos difíceis que se criam estruturas empresariais sólidas, com valores reforçados e com culturas corporativas mais maduras.

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Sobre o autor

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Rodrigo Gonçalves nasceu em 1974, em Lisboa. Economista, gestor de negócios, empresário, consultor em liderança e gestão de equipas e um empreendedor apaixonado e resiliente. Licenciado em Ciência Política pela Universidade Lusíada, Mestre em Ciência Política, Cidadania e Governação pela... Ler Mais