A crise económica provocada pela Covid-19 associada a uma expetativa dos mercados de que a taxa de inflação vai aumentar gerou alguma contenção nos investidores internacionais e acresceu à contração da economia que se verifica.

No entanto, nem tudo é negativo e existem fatores positivos a considerar. Um desses fatores é a liquidez existente, que está acima dos níveis normais e que vai aumentar com a entrada dos apoios ao investimento que vão ser atribuídos.

Por outro lado, a história já demonstrou, analisando os grandes ciclos económicos, que onde existiram graves crises financeiras surgem sempre situações de transferência de riqueza associadas à captura de oportunidades de investimento.

As empresas que querem sobreviver nestes tempos têm de se capitalizar para poderem sobreviver em momentos de crise, preenchendo as suas necessidades e procurando apostar na inovação a todos os níveis, em novos mercados e acima de tudo na digitalização.

Durante a crise da Covid-19, a digitalização foi uma das áreas que experimentou um enorme crescimento na Europa e no mundo apesar dos constrangimentos. Movimentos de disrupção abrem espaço para os empreendedores e este é mais um desses momentos da história das economias.

No geral, esta pandemia tem sido devastadora para os pequenos negócios. No entanto existe uma tendência positiva de crescimento do empreendedorismo e isso é seguramente um bom sinal para o crescimento de empregos e para a atividade económica quando a recuperação começar efetivamente.

Neste novo normal são já evidentes os ganhos de produtividade decorrentes da aposta no meio digital e é também evidente que esta aposta veio acelerar a chamada Quarta Revolução.

Este enorme aumento no uso de tecnologia, de aposta na digitalização e em todas estas novas formas de trabalhar tem sido forçada, mas também sustentada. A maior parte das empresas viu-se obrigada a avançar para processos de modernização e adesão às plataformas digitais ganhando, provavelmente, mais de uma década ao processo tecnológico de desenvolvimento e expansão que é fundamental para concorrer nos mercados atuais.

Naturalmente que os resultados destas apostas só os veremos a médio e longo prazo com os respetivos resultados no plano da produtividade a verem-se nos próximos anos. Mas já existem sinais dessa tendência positiva.

Segundo o estudo da Coimbra Business School (CBS) e da Universidade de Málaga, Espanha, com uma amostra de mais de 19 mil trabalhadores de 34 países europeus, entre os quais Portugal, a mudança nas condições de trabalho que a pandemia veio provocar poderá ter como consequência benéfica aumentar a produtividade de cada colaborador, por permitir que estes poupem imensas horas em deslocações, reduzam o stress e tenham uma maior satisfação global com o emprego.

Se no passado demoraria uma eternidade para que tecnologias geradoras de grandes transformações evoluíssem para se transformarem em alavancas de produtividade, com esta crise do COVID-19 verifica-se uma evolução dessa transição em grande parte das empresas e áreas de negócio.

As empresas têm hoje duas a três vezes mais probabilidade do que antes da crise de interagir digitalmente, numa proporção muito superior a 50%, com os consumidores, fazendo com que a reconfiguração das suas operações seja uma verdadeira oportunidade para que elas se transformem e criem bases sólidas para entrar no novo tempo, garantindo um grande aumento na produtividade, uma redução efetiva de custos e uma consequente garantia de estabilidade financeira.

Assim, no médio prazo, o desafio é passar do estágio de reação à crise para a construção, melhoramento e consolidação dos modelos de negócio que conciliam a produção tradicional e a digitalização.

Mais do que identificar e investir em produtos da próxima geração o desafio é preparar as empresas para as novas oportunidades apostando no desenvolvimento de habilidades e na adaptação das regras desta nova fase.

O Plano de Recuperação e Resiliência aposta muito na Transição Digital e está previsto, que vai receber 18% do financiamento da chamada “bazuca” de financiamento. É um apoio fundamental para mitigar o impacto negativo e a crise que é inevitável.

Nem tudo será fácil e a crise vai afetar muitas empresas, podendo até reconfigurar o tecido empresarial e direcionar os mercados. Mas, no entanto, é com a visão positiva e com as tendências deste salto tecnológico, que a pandemia nos obrigou, que temos de pensar o presente e o futuro.

Se assim for o ganho é certo, mesmo que com alguns danos colaterais provocados pela dialética da economia e o inevitável processo disruptivo de inovação em curso.

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Rodrigo Gonçalves nasceu em 1974, em Lisboa. Gestor de Negócios, empresário, consultor em liderança e gestão de equipas e um empreendedor apaixonado e resiliente. Licenciado em Ciência Política pela Universidade Lusíada, Mestre em Ciência Política, Cidadania e Governação pela Universidade... Ler Mais