Já todos ouvimos falar em sistemas de informação de gestão, processos de tomada de decisão, ou decisões data ou intelligence driven. Não faltam frameworks, estratégias, passos. Mas quantos de nós, no dia a dia, realmente têm e usam um sistema que lhes permita tomar melhores decisões?

Somos bombardeados na nossa vida profissional com escolhas, opções, alternativas que temos de avaliar constantemente. Desde o que propomos ou não a um cliente, ao colaborador que deve ou não ser aumentado, à proposta de equity que devemos ou não aceitar, só para mencionar algumas. De decisões grandes e complexas a decisões mais simples. Mas todas com impacto, com retorno, com gasto de tempo, com riscos e possíveis resultados.

Quanto mais assumirmos que, enquanto seres humanos, somos invadidos por emoções em resposta a eventos da nossa vida, maior a nossa necessidade de aceitar que temos de nos munir de um processo de tomada de decisão, que nos permita colocar as emoções de parte e tomar decisões com dados e factos na mão.

Em muitos casos, o factor tempo também desempenha um papel muito importante no processo de tomada de decisão. Ou a falta dele. Decisões que precisam de velocidade para diminuir prejuízos ou impactos. Ou assim achamos nós quando decidimos que “temos de agir rápido”.

Sem dúvida que a agilidade é essencial, mas nem sempre a pressa é nossa companheira. É por isso muito importante que cada um de nós, ou que uma organização, defina um sistema coerente, constante e estável na tomada de decisão trazendo vários benefícios:

  1. Reduz o stress e a ansiedade na incerteza da melhor decisão a tomar.
  2. Avalia dados e factos concretos aumentando a probabilidade de uma melhor decisão tomada.
  3. Facilita a argumentação e a justificação na decisão.
  4. Evita repetir os mesmos erros.
  5. Procura soluções de longo prazo em vez de “pensos rápidos”.
  6. Mais simples na monitorização da decisão e resultados.

Não faltam processos e metodologias que podemos estudar e aplicar, mas o importante é encontrarmos o nosso próprio sistema que obrigatoriamente se encaixa no contexto da decisão. De nada adianta uma decisão racional de X quando a empresa tem um contexto Y que faz de X a alternativa menos apelativa com impactos a outros níveis que por vezes não estamos a considerar. É preciso avaliar mais do que o pequeno círculo de impacto onde nos encontramos.

Qualquer decisão tem repercussões mais vastas. É por isso que, na grande parte dos sistemas, é essencial:

  • Investigar, ouvir e recolher informação de diversas fontes.
  • Pesar as evidências aos olhos do contexto.
  • Avaliar alternativas, os impactos, os potenciais ganhos e perdas.
  • Listar soluções e potenciais consequências.
  • Pensar nos próximos passos.
  • Agir.

“A primeira regra é manter o espírito imperturbável. A segunda é olhar as coisas de frente e saber o que são”. – Marco Aurélio

Sabedoria que vem de longe mas que permanece verdadeira. Podemos todos nós absorver alguma da filosofia estóica e aceitar que a lógica, o conhecimento e o racional são bons conselheiros quando nos deparamos com decisões importantes.


Susana Salgado é atualmente Head of Operations na Consultora de Inovação Colaborativa Beta-i. O seu currículo conta com a fundação de uma agência digital e sociedade numa empresa de serviços de consultoria em IT. Passou também por diversas áreas que a dotaram de competências transversais essenciais para o papel de gestão de negócios que hoje desempenha. É licenciada em Psicologia pelo ISPA, Pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos, Pós-graduada em Marketing e graduada no Programa Avançado de Gestão para Executivos da Católica Lisbon School of Business & Economics.

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