Opinião

A importância das lentes de género no empoderamento feminino

Teresa Damásio, administradora do Grupo Ensinus

Ao longo das ultimas décadas houve mudanças importantíssimas na legislação e no enquadramento institucional em Portugal, visando a igualdade de género e o empoderamento das mulheres.

As mudanças nos programas escolares e académicos têm sido muitas tanto ao nível do ensino pré-escolar como ao nível do ensino básico e ensino secundário. As autoras dos manuais escolares têm promovido uma importante alteração dos papéis no género feminino e masculino,  com exercícios muito simples que começam com a divisão dos papéis e das tarefas domésticas. Ensinam-se os meninos a ajudarem em casa e a partilharem as tarefas domésticas de forma a transformar o estereótipo que a menina ajuda a mãe e o menino tem como objetivo fazer no futuro aquilo que o pai faz e ser o sustento da família.

A educação existe para promover a transformação social e a alteração de comportamentos e ou hábitos sociais/educacionais. A educação é a maior arma para transformar uma sociedade e consolidar o desenvolvimento sustentável. A igualdade é um eixo estratégico dos Objetivos do Milénio. Está, igualmente, previsto e estatuído na nossa Constituição da República e é algo extraordinariamente relevante. No sistema educativo português tem-se promovido a alteração dos hábitos sociais que estavam tipificados para os meninos e para as meninas e isso tem sido algo muito fomentado nas últimas duas décadas nas aprendizagens e na aquisição de competências.

No fim da primeira década do século XXI houve um programa em Portugal: a Autonomia e Flexibilidade Curricular que introduziu muitas alterações nos programas curriculares de toda as disciplinas do ensino básico e secundário em que a igualdade de género e o empoderamento das raparigas e das jovens foi, igualmente, um dos grandes objetivos. Hoje os rapazes e as raparigas sabem que a violação da igualdade de género é um comportamento inapropriado. Ou seja, todas as alterações introduzidas visaram promover mudanças civilizacionais. Por isso, hoje uma rapariga pode ser engenheira mecânica e um rapaz pode ser costureiro. Não há nada de mal nisso. É absolutamente normal. As alterações têm sido muito grandes e substanciais. Creio que todos devemos estar muito orgulhosos do trabalho realizado desde a Revolução do 25 de abril de 1974, ano em que houve a Revolução dos Cravos e se introduziu a democracia em Portugal e, consequentemente, a liberdade e a igualdade!

Para promover a igualdade de género e o empoderamento das mulheres deve-se usar, de entre todas as lentes de liderança existentes, a lente de género. Sem dúvida que a lente mais importante a lente de género. Deve ser estruturante no exercício dos cargos de liderança exercidos por mulheres. Porque falar com os outros através da igualdade de género é fundamental para promover a equidade e justiça social. Isso significa reconhecer que homens e mulheres têm os mesmos direitos e oportunidades, e que cada indivíduo deve ser tratado com respeito e dignidade, independentemente do seu género.

Ao praticar a igualdade de género e ao usar as lentes de género nas nossas conversas diárias, podemos ajudar a construir uma sociedade mais justa e inclusiva para todos. Porque a igualdade de género é um direito humano fundamental e é essencial para a construção de uma sociedade justa e equitativa. Quando as pessoas são tratadas com igualdade, independentemente do seu género, elas têm mais oportunidades de desenvolver todo o seu potencial e contribuir para a sociedade. Na educação isso é particularmente estruturante e tem um impacto profundo na sociedade.

Além disso, a igualdade de género é importante para combater a discriminação, o preconceito e a violência baseada no género, promovendo assim um ambiente mais seguro e saudável para todos.

Uma mulher líder tem particulares responsabilidades e uma delas é através das lentes de género empoderar mais mulheres! Ser e fazer a diferença!

Comentários
Teresa Damásio

Teresa Damásio

Teresa Damásio é Administradora Delegada do Grupo Ensinus desde julho de 2016, constituído por Instituições de Ensino Superior, o ISG, por Escolas Profissionais, o INETE, A Escola de Comércio de Lisboa e a Escola de Comércio do Porto, a EPET, o INAE, o IEG – em Moçambique, o Real Colégio de Portugal, o Externato Álvares Cabral, o Externato Marquês de Pombal e o Colégio de Alfragide. Este Grupo celebrou em 2017 o seu 50º aniversário e assume-se com um dos... Ler Mais..

Artigos Relacionados

João Sevilhano, sócio-gerente e director pedagógico da EEC