Dar voz a portugueses que estão à frente de empresas e projetos pelo mundo fora é o objetivo do novo projeto do Link To Leaders e da Plataforma Portugal Agora. Carlos Carvalho, presidente da ADP França, Suíça e Tunísia, é o primeiro convidado desta iniciativa.

Vivemos uma época de grandes incertezas, de alguns medos, sem um “benchmark” claro e nada acessível. Previsões com grandes margens de erro invadem-nos diariamente e não ajudam a decifrar a solução para este furacão social e económico que nos atinge em 2020.

Portugal já viveu épocas assim, de grande incerteza, e a história diz-nos que sempre encontrámos a luz ao fundo do túnel, a nossa maneira de dar a volta por cima. O ADN de criadores e aventureiros não se esvaneceu com a crise. E voltará ainda mais forte, precisamos de todos.

Como será desta vez? Quando já nem essa alavanca económica tão forte e óbvia, como o turismo tem sido nos últimos cinco anos, parece ser a resposta para a saída a curto prazo desta crise.

Claro que o turismo voltará, o produto Portugal é de grande qualidade e com grande potencial, mas a reflexão sobre se devemos colocar todas as apostas nesse “cavalo do serviço, sol e mar” deve ser equacionada agora e no futuro, para que não estejamos tão dependentes dele.

A tecnologia, no entanto, não dá sinais de abrandar o ritmo, acelera mesmo fortemente e neste campo Portugal e os portugueses podem ter uma ficha forte a jogar.

As universidades portuguesas já demonstraram adaptar-se rapidamente à velocidade das novas formas de partilha de conhecimento e trabalho, e temos de investir ainda mais fortemente nesta área. E não só nas Universidades, nas escolas secundárias e no funcionamento em rede, na disponibilidade em linha de fornecer conteúdos de grande valor e atualidade.

O ensino à distância e em rede, agora impulsionado com a recente crise sanitária, é a oportunidade de Portugal saltar várias etapas e colocar-se no pelotão da frente, ao dotar os nossos estudantes da melhor rede informática de ensino da Europa.

As infraestruturas de rede já existem e a fibra ótica e a 5G vão dopar essa possibilidade. E Portugal tem já uma vantagem competitiva forte com a pequena dimensão da nossa infraestrutura a jogar a favor da velocidade de reconversão.

As competências necessárias neste novo “normal” que emerge vão criar grandes oportunidades, e temos de reagir rapidamente para criar as condições para que os nossos estudantes possam estar preparados.

A cibersegurança e a videovigilância, a ciência de dados, a biotecnologia, a robotização 3.0, indústria de componentes de alta precisão, e tantas outras áreas, onde em Portugal e com os portugueses podemos jogar muito forte.

Neste contexto, o capital humano português da diáspora nunca foi tão importante como neste mundo conectado, mas volátil em que vivemos.

Seja pelo lobying de conhecimentos e experiência acumulada por esse mundo fora, que pode servir de âncora de divulgação e suporte de demonstração, quer pela força coletiva que pode representar em “mentoring” para os estudantes em fase de entrada no mercado de trabalho, ou ainda nas oportunidades de retorno para aqueles que não tinham em Portugal, fora do turismo, hipótese de desenvolver e aplicar o capital humano que representam no estrangeiro.

Os portugueses da diáspora podem mesmo ser os impulsionadores e embaixadores do “Portuguese Tech”.

Não percamos esta oportunidade, esta época é o sinal de que precisávamos para engrenar uma mudança forte e sustentada para colocar Portugal na vanguarda das soluções tecnológicas e dotar os nossos estudantes de ferramentas para poderem pilotar o mercado de trabalho futuro com competências fortes.

Eu acredito que a oportunidade para Portugal é agora.


Licenciado pelo ISEG em Gestao em 1994, Carlos Carvalho começou a carreira nos escritórios da KPMG em Lisboa. Após um ano como auditor financeiro na KPMG, coordenou a equipa de desenvolvimento comercial B2B da empresa espanhola FAGOR Eletrodomésticos, onde desenvolveu o conceito em Portugal das cozinhas encastradas e o mercado da construção civil com cozinhas equipadas.

Em 1997, a head hunter AMROP convida-o para o grande projeto da sua carreira: a direção operacional da maior rent-a-car a operar em Portugal, a AVIS. O projeto envolvia o recrutamento e desenvolvimento das equipas para acolher o enorme afluxo de turistas que traria a EXPO 98 em Lisboa. Foi diretor de Operações de Portugal até 2005, altura em que começou a participar em projetos internacionais de grande impacto europeu na AVIS, como a informatização dos parques estacionamento dos aeroportos e a recolha “on-line” dos veículos. O contrato de aluguer Multilingual, e ainda o conceito de excelência de serviço standard nos Top 50 aeroportos europeus foram outros dos projetos que liderou.

Em 2007 muda-se para Madrid para tomar conta da operação espanhola da AVIS. E em 2010 vai para Paris para se tornar diretor de Operações da AVIS Budget de França, Bélgica e Holanda.

Em 2012 de novo uma head hunter entra em contacto, Egon & Zender, para o convidar para um projeto diferente, a direção geral da ADP em França. ADP líder mundial na gestão do Capital Humano, conta em França com 2000 colaboradores e uma faturação de 400 milhões de euros anuais.

Integrou os quadros da ADP em 2013, e tornou-se presidente da entidade ADP França, Suíça e Tunísia. Coordena uma equipa de 3000 colaboradores, processando os salários de mais de 3 milhões de trabalhadores do setor privado em França. É a maior Business Unit fora dos Estados Unidos da América, onde um em cada seis trabalhadores do setor privado são pagos com os sistemas informáticos e serviços da ADP.

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