Entrevista/ “A cibersegurança tem de ser encarada como uma responsabilidade transversal a toda a empresa”

Luís Meira, CEO da Oramix

Este ano, a Oramix planeia contratar cerca de 20 profissionais, com perfis seniores, e prevê um crescimento de 20%. Em entrevista ao Link To Leaders, o CEO Luís Meira defende que a cibersegurança tem de ser encarada como uma responsabilidade transversal a toda a empresa.

Gestão e otimização de performance de bases de dados, cibersegurança e apoio à transformação digital das empresas e entidades públicas, através da virtualização, apoio à adoção da cloud e managed services, é o core business da Oramix há mais de duas décadas. Atualmente com uma equipa de ultrapassa a centena de colaboradores, empresa apoia clientes em setores de atividade como a banca e seguros, indústria e serviços , transportes, saúde, administração pública ou energia e utilities, entre outros.

Ao Link To Leaders, o CEO Luís Meira aborda os desafios que a empresa tem enfrentado ao longo dos anos e avança algumas previsões de crescimento para este ano. Lembra ainda que, no atual cenário empresarial, os dados são um dos principais ativos das organizações.

Que balanço faz destes 20 anos da Oramix?
Faço um balanço muito positivo! Ao longo destes mais de 20 anos tivemos a oportunidade de acompanhar projetos muito desafiantes nas áreas de infraestrutura de TI e cibersegurança, em empresas e organizações, em setores como a saúde, a banca e a administração pública, que nos deram a bagagem necessária para fazer crescer o negócio e acompanhar a transformação tecnológica a que assistimos nas últimas duas décadas.

Mas não posso deixar de destacar a equipa da Oramix neste já longo percurso. Começámos com cinco a seis pessoas e hoje temos uma equipa de mais de 100 colaboradores, altamente especializados, que permitem que mantenhamos a excelência técnica em todos os projetos.

“(…) houve momentos em que tivemos de repensar o nosso posicionamento estratégico (…)”.

Quais têm sido os grandes desafios?
Os principais desafios de que dou nota nestes anos prendem-se, sobretudo, com a evolução do próprio mercado das TI. O nível de exigência e a robustez das infraestruturas tecnológicas de hoje em dia não é comparável com o que existia no início dos anos 2000.

Ao longo destas duas décadas houve momentos em que tivemos de repensar o nosso posicionamento estratégico, com tudo o que isso implica: definição de novas parcerias tecnológicas com fabricantes, formação adequada dos nossos técnicos, recrutamento de especialistas em áreas de negócio que não representavam o nosso core business no momento, etc.

No entanto, não encaro estes desafios como algo negativo, muito pelo contrário. Estes desafios permitem-nos estar na vanguarda do mercado e trazer inovação aos clientes, de forma que possamos continuar a apoiar o seu crescimento.

A Oramix registou um volume de negócios de 14 milhões de euros em 2022, mais 63% face ao ano de 2021. O que contribui para estes resultados?
Estes números são o resultado de um trabalho de continuidade que temos vindo a desenvolver junto dos clientes e das transformações a que temos assistido no mercado nos últimos anos. Assistimos nos últimos dois a três anos a inúmeras mudanças que vieram acelerar a necessidade de as organizações aumentarem a resiliência e a robustez das suas infraestruturas tecnológicas, bem como de reforçarem a maturidade das suas equipas de TI.

Qual o serviço mais solicitado na Oramix?
Todos os nossos serviços são desenhados à medida das necessidades de cada cliente e de acordo com o que são os seus objetivos, dimensão das equipas, tecnologia pré-existente, entre vários fatores. Fazemos um serviço consultivo junto dos clientes, para desenharmos serviços e soluções que possam ir ao encontro das reais necessidades do negócio.

Cada cliente é um caso com necessidades diferentes entre si e que dependem, por exemplo, da sua maturidade organizacional, área de atuação, dimensão, geografia, etc. Posso, no entanto, destacar a solução de managed services que, na prática, resume este trabalho consultivo e de apoio ao cliente nas diversas necessidades tecnológicas que possa ter.

Qual o setor que tem mais representatividade na faturação da empresa?
No público ou privado, temos uma distribuição de clientes muito equilibrada entre os setores da saúde, banca, seguros e administração pública.

Quem são os principais clientes da Oramix?
Temos o privilégio de trabalhar uma carteira de clientes muito abrangente, com organizações com maturidade tecnológica e alguma dimensão. Posso destacar setores-chave como saúde, banca, seguros, indústria e serviços, onde temos reforçado a nossa presença ao longo dos últimos meses.

“(…) ainda existe falta de maturidade e preparação de algumas equipas de gestão quando falamos em cibersegurança”.

Quais são os desafios atuais do mercado de cibersegurança?
Penso que podemos destacar dois grandes desafios a que as organizações devem prestar especial atenção.
Por um lado, e embora isto seja algo que estamos a sentir a mudar no mercado, ainda existe falta de maturidade e preparação de algumas equipas de gestão quando falamos em cibersegurança.
O investimento nesta área tem de ser encarado como um investimento no próprio negócio. Caminhamos para um mercado em que a segurança vai ser um fator relevante no momento da escolha de parceiros de negócio e penso que nenhuma empresa estará disponível para ficar de fora por não assegurar a proteção do próprio negócio.

Por outro lado, e ainda na mesma linha, destaco a importância de as organizações assegurarem a conformidade com os regulamentos atualmente em vigor, como a Lei n.º 65/2021, o RGPD e as boas práticas da IS0 27001. Estes regulamentos foram criados tendo em vista a criação de uma sociedade mais resiliente em termos de cibersegurança.

“Os dados são um dos principais ativos das organizações, mas não podem ser olhados de forma isolada”.

Num mundo de ameaças sofisticadas e de tecnologias e infraestruturas cada vez mais complexas, o que é fundamental para manter a segurança dos dados? A que devem estar atentas as empresas?
Os dados são um dos principais ativos das organizações, mas não podem ser olhados de forma isolada. Proteger os dados sem assegurar uma abordagem holística de cibersegurança – focada na tecnologia, nos processos e nas pessoas – acabará por resultar sempre numa abordagem insuficiente, diminuída.

A cibersegurança tem de ser encarada como uma responsabilidade transversal a toda a empresa e não apenas da área de TI. A tecnologia deve estar corretamente parametrizada, de acordo com as características de cada organização; os colaboradores devem receber formação em cibersegurança e perceber o papel que desempenham na proteção da organização e, por fim, os processos devem ser implementados de acordo com boas práticas.

É importante que as equipas de gestão compreendam que nenhuma destas áreas pode ser descurada, ou poderão estar a aumentar a sua exposição ao risco.

Qual é o plano de recrutamento da empresa?
Estamos num momento de alargamento da nossa estrutura, tanto na área técnica como comercial e de apoio ao negócio. Estimamos contratar cerca de 20 profissionais este ano, sobretudo nas áreas de cibersegurança e de data management. Dado a maturidade dos projetos, procuramos sobretudo perfis sénior.

Estamos também a desenvolver oportunidades de recrutamento internas, desenvolvendo as valências dos nossos colaboradores, para adequar as ambições de cada um ao trabalho desenvolvido no dia a dia.

Quanto preveem faturar este ano?
Estimamos um crescimento de 20%, consolidando a disponibilização dos nossos serviços e soluções num modelo remoto de managed services e MSSP.

Objetivos para 2023?
Em 2023, pretendemos continuar a apostar na disponibilização dos nossos serviços e soluções também no mercado internacional. O modelo de managed services e MSSP remoto dá-nos flexibilidade para concorrer em geografias onde há duas décadas, quando começámos a Oramix, seria impensável.

Em 2023, quais as áreas de negócio que serão as principais vertentes de aposta da companhia?
Traçámos para 2023 uma estratégia focada nas nossas principais áreas de atuação e nas maiores lacunas que identificamos no mercado.  Acreditamos que as empresas podem beneficiar da nossa oferta em Data Management, com foco na integração, automação e análise de dados, e de cibersegurança, sobretudo nas vertentes de análise preditiva, baseada em AI e Machine Learning, e na área de compliance.

Projetos para o futuro da Oramix?
Integrámos recentemente a rede nacional de resposta a incidentes cibernéticos (CSIRT), focada na criação de laços de confiança e cooperação entre responsáveis pela segurança informática e pela promoção de uma cultura de segurança em Portugal.

Acredito que os projetos futuros da Oramix continuarão a passar pelo posicionamento enquanto especialistas nas nossas áreas de atuação, pelo estabelecimento de novas parcerias estratégicas com fabricantes e pela procura pela inovação nas nossas áreas de atividade.

Respostas rápidas:
O maior risco: A imprevisibilidade decorrente de legislação governamental que flutua ao sabor dos sucessivos governos.
O maior erro: Não termos internacionalizado o negócio mais cedo.
A maior lição: A competência e o conhecimento são fatores críticos de sucesso.
A maior conquista: O reconhecimento da marca Oramix.

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