No passado dia 3, abriu ao público, no Museu Calouste Gulbenkian, a exposição “José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno”.

Só nos primeiros três dias, houve 4586 pessoas a visitarem a mostra de um dos expoentes máximos do modernismo em Portugal.

Um dos maiores artistas portugueses, Almada Negreiros nasceu no final do século XIX, na Roça da Saudade, freguesia da Trindade, São Tomé e Príncipe, e faleceu na última metade do século XX. Percursor absoluto da Arte de Empreender e do que significa Empreender pela Arte, o protagonista desta retrospetiva, em exibição em Lisboa, prova, ao longo de cerca de quatro centenas de quadros, porque é que a modernidade está intrinsecamente ligada à inovação e a novas formas de fazer e de saber fazer.

O talentoso Almada exibe, com cada quadro, a evidência de que a imortalidade da obra artística está intimamente vinculada à missão que o criador lhe destinou, quando a imaginou e, posteriormente, a concretizou.

Ao visitar esta exposição, torna-se evidente que Almada Negreiros desde cedo percebeu a relação entre modernidade e novidade, tal como fica demonstrado nesta afirmação, proferida em 1927, na Conferência – O Desenho – em Madrid, na qual o pintor diz que “Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir, mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, é ser o legítimo descobridor da novidade.”

Tal como já referi anteriormente, o empreendedor faz sempre aquilo de que não se está à espera e Almada também atuou de forma absolutamente ímpar, ao ter uma perspetiva holística de todas as formas de arte e ao conseguir dar uso à pintura no cinema, no teatro, no bailado, na arquitetura e na escrita, entre outras.

Através de cada obra, o criador artístico mostra-nos que a arte também serve para empreender uma nova visão da sociedade. Para promover novos entendimentos e, principalmente, para nos proporcionar novos olhares sobre a Polis.

Um dos exemplos do Empreendedorismo através da Arte em Portugal, Almada Negreiros é, por isso, um dos mais importantes Embaixadores do Modernismo.

Rompeu com conceitos perfeitamente estabilizados e originou novas formas de pensar a pintura em particular e a Arte em geral.

O país deu-lhe razão ao decidir, já no final da década de oitenta do século XX, proteger juridicamente todas as criações intelectuais; sejam elas literárias, científicas e ou artísticas[i].

O ordenamento jurídico nacional reconhece, a par das legislações dos restantes Estados Membros da UE, a necessidade de enquadrar legalmente as obras dos criadores, para que não seja possível prejudicá-los, pelo facto de existir um vazio legal em torno do caráter inovador da obra e da novidade transmitida pelo criador.

No espírito do legislador está, naturalmente, presente a ideia de que esse prejuízo, a ocorrer, será economicamente lesivo para o artista.

Ao visitar esta exposição na Fundação Gulbenkian, estará a prestar Tributo a um dos mais importantes artistas portugueses e a honrar o Legado daquele que infringiu todas as regras artísticas da época e, por isso, se tornou um referencial na Arte de Empreender!
[i]  CÓDIGO DO DIREITO DE AUTOR E DOS DIREITOS CONEXOS (Aprovado pelo Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de março, e alterado pelas Leis n.ºs 45/85, de 17 de setembro, e 114/91, de 3 de setembro, e Decretos-Leis n.ºs 332/97 e 334/97, ambos de 27 de novembro, pela Lei n.º 50/2004, de 24 de agosto, pela Lei n.º 24/2006 de 30 de junho e pela Lei n.º 16/2008, de 1 de abril).

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Teresa Damásio é Administradora Delegada do Grupo Ensinus desde julho de 2016, constituído por Instituições de Ensino Superior, o ISG, por Escolas Profissionais, o INETE, A Escola de Comércio de Lisboa e a Escola de Comércio do Porto, a EPET,... Ler Mais