9 competências para garantir o trabalho digno e combater o desemprego jovem

Alfabetização digital, cidadania global e empreendedorismo são algumas das competências que a Adecco Portugal aponta como fundamentais para tornar os jovens mais atrativos no mercado de trabalho.

Com vínculos laborais mais frágeis, como contratos a prazo, período experimental ou recibos verdes, os jovens costumam engrossar o contingente de desempregados. A pandemia veio agravar ainda mais a situação.

De acordo com os números avançados pelo Jornal de Notícias, entre o início de 2020 e de 2021 registaram-se menos 100 mil empregados jovens e o número de inativos continua a subir. Em 2020 Portugal era o quarto país da União Europeia com maior percentagem de jovens com contratos de trabalho temporários. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, o salário médio de um trabalhador até aos 24 anos é de 678 euros, pouco mais de metade de um com mais de 65 anos.

Estimativas do Banco de Portugal revelam que, em maio deste ano, a taxa de desemprego de profissionais até aos 24 anos foi de 24,4%.

“É um problema global, independente do grau de instrução académica, frequentemente de nível superior. Entre muitas razões, é seguro que alguns não disponham das competências necessárias para serem integrados em posições que desejam”, afirma a Adecco Portugal em comunicado.

Para tornar os jovens mais atrativos no mercado de trabalho, a especialista em recursos humanos identifica nove competências que considera serem fundamentais.

1. Alfabetização digital
Quase todas as carreiras profissionais atuais envolvem a utilização de alguma forma de tecnologia. Assim, quanto mais uma pessoa souber sobre tecnologia, mais atraente será para um recrutador.

A alfabetização digital implica a familiarização dos jovens com uma variedade de tecnologias, para que possam facilmente aprender a utilizar qualquer programa ou dispositivo. À medida que os jovens se preparam para entrar no mercado de trabalho, devem aumentar os seus conhecimentos sobre as tecnologias emergentes, o que ajudará os futuros empregadores a considerá-los mais passíveis de abraçar novos desafios que envolvam tecnologia inovadora.

2. Capacidade de resolução de problemas
Talvez a competência mais importante e necessária à força de trabalho do futuro, ao entrar no mercado de trabalho, seja a capacidade de resolver problemas, avança a Adecco.

Muitos sistemas educativos não ensinam estas competências, uma vez que se concentram na aprendizagem de rotina. Os jovens precisam de muita prática e persistência para resolverem uma vasta gama de problemas. Os empregos atuais já não são rotina; as pessoas devem ser capazes de esperar e adaptar-se a todo o tipo de problemas que possam surgir. O exercício do pensamento crítico é uma obrigação e um dos principais trunfos que os empregadores procuram em novas contratações.

3. Cidadania global
Graças à tecnologia, o nosso mundo é agora mais pequeno do que nunca. Enquanto no passado os profissionais só lidavam com pessoas da sua região, a força de trabalho do futuro irá  interagir com pessoas de todo o mundo. Os jovens devem aprender e apreciar outras culturas, que envolvem códigos de comunicação diferenciados. Dominar mais do que uma língua é uma grande vantagem, pois permite comunicar e ligar-se a pessoas de outras culturas, facilitando o caminho para a cidadania global.

Esta vertente torna um jovem particularmente atrativo para os recrutadores, e esta aprendizagem pode vir como bagagem informal, como viagens realizadas, programas online internacionais, intercâmbios, competição desportiva, etc.

4. Empreendedorismo
Embora nem todos os jovens criem empresas, todos eles precisam de um sentido de empreendedorismo para terem sucesso no mercado de trabalho. Isto significa que os jovens precisam de ser motivados nos seus empregos e que precisam de dar espaço para a iniciativa.

As empresas com foco no capital humano e na sustentabilidade a longo prazo querem integrar colaboradores que tenham atitudes de vanguarda e que possam iniciar mudanças e ideias por si próprios. Espera-se que os jovens façam mais do que apenas uma lista de tarefas. É hora de ser empreendedor, pois os empregadores esperam que novos profissionais possam impactar positivamente a sua organização.

5. Curiosidade e amor pela aprendizagem
O futuro é indefinido e é garantidamente marcado pela evolução constante e acelerada, pelo que não há limite para o que os profissionais possam precisar de aprender.

Os jovens devem agarrar-se à curiosidade e ao amor em aprender que possuíam quando crianças. Estes traços traduzem-se perfeitamente no ambiente de trabalho moderno. Os jovens devem procurar constantemente o conhecimento e aprender coisas novas. Quanto mais souberem, mais completos serão. Os empregadores procuram pessoas que tenham esta postura e alguém que o demonstre será sempre uma mais-valia para uma empresa.

6. Competências de comunicação
As aptidões de comunicação vêm de seguida às aptidões de resolução de problemas quando se trata das competências necessárias à força de trabalho do futuro.

Não importa quão grandes sejam as intenções ou ideias de uma pessoa; se não conseguirem comunicar eficazmente, muitas outras competências serão de pouca importância, pois acabam por não ser implementadas por falta de compreensão das equipas. Os jovens devem ser eficazes na transmissão das suas ideias, tanto por escrito como oralmente. Muitos empregadores listam as capacidades de escrita e oralidade dentre as principais características que procuram nas novas contratações.

Os jovens devem praticar a exposição escrita e oral até se sentirem à vontade para comunicar no local de trabalho.

7. Adaptabilidade e flexibilidade cognitiva
O mundo do trabalho atual está em constante mudança e ninguém sabe ao certo como serão as atividades setoriais nas próximas décadas. Para que os jovens tenham sucesso, devem ser capazes de se adaptar facilmente à mudança. Muitas empresas estão sempre a mudar a forma como fazem as coisas e precisam de profissionais capazes de se adaptar às mudanças que certamente irão enfrentar no futuro, que pode ser já… amanhã!

Os jovens também precisam de ter flexibilidade cognitiva. Isto significa que precisam de ser capazes de mudar a sua forma de pensar perante novos problemas e situações; precisam de ser capazes de olhar para uma situação de muitos ângulos e formular o melhor plano de ação.

8. Acesso, avaliação e análise da informação
Com a disponibilidade generalizada da tecnologia, os jovens têm uma riqueza de conhecimentos na ponta dos dedos. Atualmente, já não se trata do que uma pessoa sabe, mas do que ela pode descobrir. Por conseguinte, os jovens não precisam obrigatoriamente de uma cabeça cheia de conhecimento, mas das competências necessárias para aceder a qualquer informação de que possam necessitar para resolver um problema.

Precisam não só de saber como aceder à informação, mas também de ser capazes de a avaliar, analisar, triar e determinar se é relevante para a resolução da situação que têm entre mãos e como pode ser aplicada; saber distinguir o que são fontes fidedignas e não se ficarem comodamente com as respostas que obtêm do resultado da pesquisa que lhes aparece no topo da lista do Google.

9. Autoconhecimento e inteligência emocional
Uma das competências mais importantes necessárias na força de trabalho do futuro é o autoconhecimento para poderem reconhecer os seus pontos fortes e fracos. Os jovens que se conhecem não só sabem como abordar e resolver problemas, como também são mais capazes de trabalhar com outros.

Para além do autoconhecimento, a força de trabalho do futuro precisa de ser capaz de compreender os outros através da inteligência emocional. Isto permitir-lhes-á estabelecer ligações com os seus colegas de trabalho, superiores e qualquer pessoa associada à empresa. Fazer ligações fortes é essencial em qualquer setor de atividade. Os empregadores querem novos colaboradores que possam formar estes laços para promover a empresa e trabalhar bem com outros.

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