67,5% dos líderes nacionais têm a perceção de que a corrupção é um fenómeno habitual nas empresas

Realizado pela Rep. Circle – The Reputation Platform, e pela Kepler Forensic Partners, o barómetro “Corrupção e Transparência em Portugal” avaliou o impacto da corrupção nas empresas portuguesas, bem como a perceção dos gestores nacionais face à execução do atual Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Os líderes portugueses consideram a corrupção como um fenómeno habitual nas empresas portuguesas (67,5%), apesar de 65% dos inquiridos desconhecer casos concretos de corrupção na sua organização. Esta constatação é uma das conclusões do estudo desenvolvido pelo Rep. Circle – The Reputation Platform (centro de conhecimento para a reputação corporativa fundado pela Lift), em conjunto com a Kepler Forensic Partners, empresa de consultoria nas áreas da litigação, investigação forense, ética e compliance, e economics.

O barómetro “Corrupção e Transparência em Portugal” refere que apenas 11,4% dos gestores esperam uma execução ética e transparente do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, por um lado, e, por outro, que a classe política (69,9%) e instituições desportivas (64,2%) são, para os gestores, os principais impulsionadores da corrupção. Além disso, para 80% dos gestores, o favorecimento de grupos de interesse é a principal consequência de corrupção.

Este trabalho, que envolveu a participação de 123 altos quadros de empresas de referência a operar no mercado nacional, constata ainda que os líderes atribuem como obstáculo a uma execução transparente do PPR a fiscalização insuficiente (82,1%) e intimamente relacionada com a corrupção na atribuição de fundos (73,1%), bem como a uma burocratização excessiva. Uma má execução do PRR poderá significar um atraso na implementação de reformas estruturais para o país (74,8%), enquanto nas empresas se receia a perda de competitividade, conclui ainda o barómetro.

O barómetro ‘Corrupção e Transparência em Portugal’ retrata ainda a corrupção como uma preocupação premente para a maioria dos líderes empresariais portugueses. E entre as consequências da corrupção para a economia portuguesa, o favorecimento de grupos de interesse (79,7%) é um dos fatores que gera mais preocupação aos gestores, sendo apontado como o principal obstáculo ao desenvolvimento económico do país, ao promover uma distribuição desequilibrada da riqueza, com significativas perdas de competitividade e, consequentemente, de criação de valor.

Quando questionados sobre os mecanismos legais disponíveis para fazer prova de corrupção, 86% dos gestores considera-os insuficientes, reiterando a necessidade de alargar o tipo de materiais a considerar no âmbito das investigações a este tipo de fraude. Já do lado das empresas, parece existir um compromisso na promoção de uma maior transparência, sustentado na criação de departamentos dedicados à gestão e monitorização das matérias ligadas ao compliance (56,9%), assim como na criação de programas orientadores, entre os quais códigos de conduta (73,2%) ou de whistleblowing (36,6%).

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