500 empresas de capital de risco europeias afirmam que estão a investir

O fundador de uma start-up perguntou a 500 empresas de capital de risco na Europa se continuaram a investir durante o Covid-19. E as conclusões são surpreendentes: quase todas ainda estavam a investir.

Quando a pandemia do COVID-19 tomou conta do mundo nos primeiros meses de 2020, as empresas de capital de risco estavam em retirada. Várias pesquisas mostram que, em março, quase um terço dos investidores recuou nos acordos de financiamento inicial no Reino Unido, com receio de que a pandemia desencadeasse uma recessão global, de acordo com a Business Insider.

A forma como os investidores europeus se comportaram no início do surto do novo coronavírus passou uma imagem pouco simpática, com acusações de práticas “terrivelmente exploradoras”, retrocedendo nos termos estabelecidos e deixando cair acordos firmados.

No meio do caos, o CEO da start-up britânica de tutoria online Scoodle, Ismail Jeilani, tentou descobrir quem estava e não estava interessado em investir – e os resultados são interessantes.

Após as respostas em crowdsourcing de 500 investidores europeus como a Accel, Seedcamp ou Talis Capital (e registar os resultados nesta Google Sheet), Ismail Jeilani concluiu que quase todos eles ainda estavam a investir – com algumas exceções.

A Accel garantiu que “obviamente” ainda está a investir. A Blossom Capital, sediada no Reino Unido, afirmou que não “julga as equipas por qualquer impacto de curto/médio prazo do Covid-19”.

Incerteza por mais ano e meio
Com a perspetiva de uma recessão difícil no horizonte, é compreensível que os investidores estejam a contar todos os centavos. Ismail Jeilani refere que as start-ups podem esperar que este panorama “permaneça por, pelo menos, 18 meses, o que abrange o pior cenário de uma recessão e a consequente recuperação”.

Uma pesquisa recente da PwC indica que os negócios remotos são os mais propensos a prosperar durante a pandemia, sobretudo nos setores de educação e saúde.

Um investidor, cujo nome Ismail Jeilani não revela, disse-lhe que “o impacto no financiamento poderá ser substancial e negativo. Já estávamos num ambiente de ciclo muito tardio, e esta crise provavelmente é o catalisador que encerra esse ciclo. Estamos a ver sinais iniciais de investidores a recuar/atrasar as rondas/preservando o dinheiro para apoiar o portefólio existente”. E acrescentou que, “posto isto, há de momento procura por parte de algumas empresas por companhias que podem provar que são resistentes neste ambiente”.

Transações vão levar mais tempo e avaliações caem
Ismail Jeilani diz que “muitos fundos não estão acostumados a realizar due diligence inteiramente online, sobretudo no estágio inicial”. A ênfase “está sempre nos fundadores. Até que ponto pode realmente investir em alguém sem o conhecer? É possível… mas, para muitos fundos, esta é uma acentuada curva de aprendizagem”.

À medida que nações em todo o mundo foram impondo medidas rigorosas de bloqueio, os fundadores passaram a fazer o pitch via Zoom ou a assinar documentos de termos enquanto tentavam embarcar no último voo para fora de um país.

É provável, disse a Ismail Jeilani um investidor não identificado, que “as rondas levem mais tempo; os investidores vão ser cautelosos e poderá haver preços mais baixos. As pessoas vão ter receio de se encontrar cara a cara, o que cria um risco adicional à due diligence”. As empresas “que precisam de uma ronda para continuar a crescer terão mais hipóteses se apostarem nos investidores existentes e procurarem menos até as coisas melhorarem”.

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