“Sem o trabalho árduo dos nossos colegas, não somos nada”. A afirmação é de Radim Rezek, CEO da Flatio, que esta semana aceitou o desafio do Link To Leaders para responder a questões relacionadas com inovação, liderança e investimento.

A Flatio é uma plataforma de arrendamentos mensais de preço acessível, que não cobra caução, presente em mais de 60 cidades à volta do mundo. Radim Rezek foi o cofundador do projeto. É licenciado em gestão e economia na Universidade de Mendel, em Brno, na República Checa. Enganado por um senhorio, usa 400 euros em troca de uma participação de 20% no seu novo negócio, a Student Reality, que em 2016 se torna na Flatio, com os outros fundadores Jakub Skorpik e Ondrej Dufec.

Hoje a Flatio, está avaliada em 2 milhões de euros, adquiriu a NomadX e a flOasis e tornou Portugal num dos mercados mais importantes para o negócio. Radim ainda vive em Brno onde é a sede da start-up.

O que é para si inovação?
A inovação consiste em ultrapassar fronteiras e estar à frente da curva. Queremos ser os líderes no nosso campo, não os seguidores. Queremos fazer coisas que façam as pessoas pensar “uau”. Isso significa que temos de experimentar novas tecnologias, compreender a direção da viagem antes de esta chegar, e procurar constantemente novas soluções.

Qual a competência fundamental para exercer a liderança nos dias de hoje?
Vejo a liderança como a minha maior tarefa como CEO. Saber como gerir, inspirar e capacitar pessoas diferentes não é fácil. Todos na empresa têm uma personalidade, interesses e estilo de trabalho diferentes, pelo que se trata de ser adaptável. Prefiro uma abordagem prática e centrada nas pessoas. Gosto de ouvir as ideias de todos e de as tratar com o respeito que merecem. Acredito também na positividade e em dar às pessoas os elogios que elas merecem. Sem o trabalho árduo dos nossos colegas, não somos nada.

Qual a área de negócio com mais potencial em termos de investimento no futuro?
Por onde começar… Tenho muitas ideias que quero implementar, mas temos de as equilibrar, dependendo do orçamento, do tempo e da mão-de-obra. Implementamos um trabalho a partir de qualquer lugar, o que tem sido um sucesso. As pessoas vêm da Madeira, África, Ásia, de todo o lado. Vemos o futuro como trabalhando, vivendo e explorando qualquer destino que se deseje, por isso queremos liderar nesta matéria. Gostaria também de introduzir uma ferramenta à Flatio que permite às pessoas procurar “em qualquer lugar”, a fim de inspirar as pessoas a pensar em grande. Espero fazer isto uma vez, quando nos expandirmos para mais e mais destinos. Vamos ver.

Que argumentos não devem faltar numa start-up para atrair investimento?
Tem de conhecer o seu negócio por dentro e por fora e estar confiante que os números se somam. Somos essencialmente uma start-up, pelo que temos de pensar em cada investimento que fazemos, e colocarmo-nos numa boa posição para quando procuramos investimento. As relações públicas e PR são também uma grande ferramenta para atrair investimento. Quando as pessoas veem nas notícias, que as start-ups estão a fazer aquisições, a desafiar normas e a fazer progressos na sua indústria, começam a ouvir. O investimento também tem de vir ter com a start-up, e por isso, é preciso fazer “barulho”.

Erros que as start-ups nunca devem cometer?
Não acredito que seja possível não cometer erros como uma start-up. Fizemos muitos ao longo dos anos, mas aprendemos algo com cada um deles. De facto, eu prospero com erros e problemas porque isso me impede de ser complacente. Também gosto da pressa de corrigir e adaptar as coisas, como tivemos de fazer muito durante a pandemia. É claro que também é preciso acertar os fundamentos e as bases. É realmente importante um CEO de uma start-up certificar-se de que os seus colegas estão felizes nos seus papéis, garantir que o fluxo de caixa é sólido e ter planos de apoio prontos no caso de alguma coisa correr mal. Mesmo que as ações estejam diluídas, a empresa e a ideia ainda são do fundador, e é importante não deixar que os investidores levem a start-up por outro rumo.

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